quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Uma boa noite!
Por aqui, após longos dias de chuva estamos tendo períodos de tempo firme.
As pessoas estão começando a dificil tarefa de reconstrução, contando os prejuízos, passada a fase das lamentações.
Histórias de heroísmo, de dedicação voluntária pipocam de todos os lugares e envolvem um sem número de pessoas; anônimas e próximas daqueles que foram atingidos.
Contribuições chegam... O que demora é aquilo prometido pelos governos; ah! Archimedes, as dificuldades impostas pela burocracia! Imaginei, com a minha experiência de professor e de administrador em como seria fácil realizar as coisas se efetivamente interesse houvesse.
Como, por exemplo, um comitê de crise! Não uma "comissão", palavra que me dá engulhos ao lembrar que um camelo é um cavalo projetado por uma comissão! Mas um comitê, com no máximo 5 ou 6 pessoas dos Ministérios envolvidos, que funcionaria em Blumenau, por exemplo, e por lá ficaria o tempo necessária para que os recursos fossem viabilizados o mais rapidamente possível: 6 meses, 1 ano, 2 anos. O tempo que fosse preciso! "A decisão, tanto quanto possível, deve estar próxima do local da ação", martela a minha cabeça os ensinamentos de quando era Professor e que tanto tentei incutir nos alunos!
Será que há interesse verdadeiro em resolver, ou apenas "faturar" em cima das tragédias: obrigar Prefeitos e outros irem a Brasília para "rastejar" nos gabinetes e ante-salas dos Ministros.
Pois é Archimedes:
"Olhando para o breu da noite,
Sentindo a solidão entre presenças,
O isolamento dentro das multidões,
O "não sentir" quando todos
parecem sentir.
Sinto apenas o meu "eu";
saindo e entrando no meu corpo,
flutuando à minha frente,
como se nada mais existisse
além de "mim"! Além de mim e
da natureza que me cerca!
Sentindo, mais, que para imensas
frustrações, para estresses,
são necessárias pequenas desilusões.
E para grandes alegrias,
Será que precisamos de
pequenas satisfações?"
Boa noite Archimedes, A falta que sinto não se compara com aquilo que terei de prazer quando voltar a ti...
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Boa noite!
Isso, boa noite! Depois de tantos dias de chuva, uma noite que se pode chamar de linda!
Certamente você acompanhou a tragédia que se abateu sobre Santa Catarina, "a bela e Santa Catarina". O desespero daqueles que tudo perderam, não só em termos materiais, mas em vidas de parentes e amigos, entes queridos, preciosos!
Algo que juntos havíamos acompanhado há 25 anos, mas não com tanta intensidade...
Ah! Archimedes! Sofremos e convivemos com as tragédias em tempo real, quer aqui quer no Oriente, nos Estados Unidos, na Europa.
As tragédias adentram as nossas casas como rotina diária, como se fossem partes do nosso cotidiano! Nao temos condições nem de imagina-las, dize-las para outrem como se deram, como aconteceram. Apenas comentá-las, dizer das facetas mais trágicas, mais dramáticas. A visualização ao tempo em que as coisas acontecem tornam-nas frias, casuais, naturais!
A insensibilidade toma conta dos nossos sentidos: observamo-las, pela periodicidade e pela constância, como se fizessem parte do dia-a-dia. Com a mesma naturalidade com que as observamos, mudamos de canal: passamos para o entretenimento!
As pessoas apenas sentirão a dimensão do que acontece se tiverem alguém próximo envolvido; se assim não for... Há mutirões de ajuda, de auxílios! Correntes de solidariedade que se formam para ajudar os atingidos. Relatos dramáticos de pessoas que se doam de corpo e alma na tarefa de auxílio, de buscas... Estas sim, heroínas anônimas fazem a história, ainda que também tenham sido vítimas!
De tantas que são, pela repetição e pela quantidade de exemplos, infelizmente tornam-se, como as demais informações, as demais notícias, banais! Mais uma tragédia! Exemplos dignificantes de heroísmo e de dedicação transformados em assuntos triviais!
De repente as nossas pequenas tragédias, as nossas questões pessoais, ainda que diminutas, passam a preponderar. Como disse, mudamos de canal e seguimos em frente... O alheiamento passa a ser a tônica, a maneira que encontramos para suportar, para a abstração!
Quem diria, não é? Sensibilidades, sentimentos afogados pelo rotineiro!
Hoje, como te disse, sem o cheiro pútrido das tragédias a penetrar pela janela, posso por ela olhar para fora: a noite tranquila, serena, o ar quase que parado convidando à reflexão, ao pensamento do que virá... Algo que, nos tempos em que discutíamos a essência da existência, os sofrimentos imaginados, românticos! Algo que me permitiu, há tempos, tanto tempo, cometer sentimentos românticos sobre o final dos tempos por aqui.
Tudo mais fácil. Muito ainda por vir do que passado já se fora.
Creio que devo conversar mais sobre isso com você. Talvez numa próxima oportunidade!
Saudades Archimedes!
Boa noite... Até!
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sábado, 22 de novembro de 2008
Boa noite!
Chove a cântaros! Não temos tido trégua nas últimas semanas e parece que não teremos nos próximos dias!
Ah! Archimedes... que a chuva não nos molhe os corações! Os corpos sim, mas os corações que se mantenham intatos, predispostos ao amor, sempre!
Aquele que, ao pequeno toque,
vê nos olhos dos pequenos,
a ternura que tivemos
e que quase não mantemos!
A busca, a incessante busca...
pelos meandros da mente,
que nos determina: pressa,
frenesi, procura!
Que não nos deixa relaxar,
que nos força ao ranger dos
dentes, a contração dos músculos para,
à noite, cansados, exaustos,
busquemos razões para
tanta fadiga!
A incapacidade de olhar
e "ver" e não, simplesmente,
passar os olhos sem entender
que a beleza, o encanto,
estão à nossa frente;
mas perdemos a limpidez
nos olhos que nos permitia
enxergar beleza onde apenas
caos havia! Ternura, onde
rudeza preponderava...
Ilumina-me Archimedes!
Traz a tua paz infinita
para o meu dia-a-dia,
para que eu possa ser
melhor do que já fui ontem
e amanhã, melhor
do que sou hoje!
Pois é, Archimedes... Essa chuva, esse mofo, esse bolor! Aos poucos, sem que se queira, tomam conta! Faz com que me dirija a você com pesadas contradições! Espero que, na próxima, a alma combine com o espírito de regozijo que sempre permeou nossa relação! Desculpe, hoje fui picado pelo mosquito da desventura!
Abraços
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
boa noite
bom dia
boa tarde
Temos tido temporada de chuvas não usuais por aqui! Estranho! Olho para a Marliese, ambos olhamos para fora e vemos a água caindo:
"- Assim viraremos sapos", ela diz...
- É verdade", completo. E a conversa inconsequente perdura...
Por falar em sapos, sinto a falta deles. Quase não se vê mais a figura daqueles grandões, que se escondiam sob pedras. Dizem os entendidos que eles são muito frágeis; as alterações profundas pelas quais têm passado os seus "habitats" estão conduzindo-os ao extermínio.
Mas, voltando à chuva... Sempre quis saber, Archimedes, como é a coisa por aí, em termos de clima. Habituados que estamos com o que vemos por aqui, não conseguimos imaginar, depois de desencarnados, um lugar que não se assemelhe ao nosso! Pergunto-me:
" - Vou ao Archimedes e indagar se por lá chove, venta, esfria, faz calor". Será?
Ou será que tais questões deverão ser colocadas a Caronte quando do transporte para o outro lado...
Outra questão que tem me chamado a atenção, em razão da diversidade de cultos, todos com as suas peculiaridades e determinando que cada um de nós somente chegará aos céus, ao Éden, pelas regras de cada um...
"Será que o Paraíso é dividido em Departamentos especializados?"
Um, para os muçulmanos, talvez com aquelas virgens prometidas para os que se sacrificam, se imolam em guerras santas; outro para os católicos, talvez com querubins à porta, com mensagens celestiais e coros de boas vindas; outro, mais austero, para os protestantes.
Ou talvez, uma bela construção envidraçada, com espelhos mil - resultado dos milhões de doações - para os evangélicos...
Confraternizariam por lá os seguidores de cultos diferentes? E o Deus deles, seria o mesmo? Ou cada uma das religiões teria o seu!
Archimedes, você bem que poderia se comunicar comigo e me dizer algo a respeito! Inclusive me dizendo qual é o melhor caminho, qual o melhor Paraíso, de tantos prometidos!
Diga-me, dê-me uma pequena "dica", por menor que seja, para que já vá me preparando!
Abraços saudosos...
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
boa noite
bom dia
boa tarde
Eis que, depois de tanto tempo (e ponha tempo nisso!) retornamos!
Preguiça, falta de vontade, quantos defeitos acumulados pelos anos fazem com que deixemos sempre para amanhã!
Eu ouvi os teus reclamos Archimedes!
Nas noites de chuva e vento, na minha janela, voltado para o negrume da noite, silencio absoluto, apenas com o som de Noturnos de Chopin, sonatas de Beethoven, Errol Garner e seu piano inconfudível, fiquei jogando minhas energias fora, sem vontade de até aqui vir e contar das minhas alegrias e das minhas angústias...
Alegrias, como o sorriso encantador do Felipe, netinho que veio trazer ternura aos meus dias. Lembro-me de que, quando juntos, não chegamos a discutir o prolongamento das gerações através dos netos. Estávamos ocupados por demais em curtir, gozar as delícias que os nossos tempos de irresponsabilidade consentida proporcionavam.
Tempos que me acorrem, sempre! Rementem-me para aquela diversão sadia, inconsequente até certo ponto, sem qualquer tempero de drogas e outros males!
Mas, como te disse lá em cima, ouvi os teus reclamos! Nas noites, nos dias de sono, em todos os momentos senti os teus reclamos pela minha ausência... Talvez porque, nesse período, deixei-me envolver pelas angústias, pelos temores, pelo sofrimento antecipado de coisas que não o poder de alterar, visto que aquilo que está feito, feito está!
Aquela sensação descrita por Kafka de se acordar metamorfoseado em inseto! Mas, ao abrir os olhos, a mão corre o corpo e vê que tudo está no lugar; a única coisa que não muda, como gostaríamos, é a cabeça, a mente. Dia-a-dia ela nos impele a comportamentos que tentamos mudar e não conseguimos! Falta-nos aquele indispensável interruptor...
Estarei aqui diuturnamente! Te darei aquilo que a verve conseguir produzir. Idéias não faltam! Vêm e povoam a minha cabeça; algumas anoto para desenvolver, outras se vão, como a areia da praia defronte à minha casa. Pois é, creio que não te disse: hoje moro defronte a praia. Não aquela com longo trecho de areia, mas um pouquinho só, e com o o fundo do mar com lodo, visto ser praia de baía, o que nos dá um certo desconforto quando se anda dentro d'água; porém, ainda assim praia, com aquela visão de piscina quando a água calma está, quando não temos vento...
Venta muito por aqui, mais do que o suportável em certas ocasiões.
Falarei mais disso e de outros que tais...
Me vou agora, Archimedes, ao som de um bolero "daqueles" que adorávamos dançar nas tardes dançantes e nos bailes dos sábados:
"Nosotros, que nos queremos tanto
Devemos separar-nos
No me pregunte mas....."
Boa noite!
quarta-feira, 16 de abril de 2008
O SENTIDO DA VIDA....
Da última vez que conversamos te falei da estupidez concentrada naqueles que utilizam o radicalismo como modo de vida, de expressão.
Creio que me estendi; mas o momento exigia! Raramente falo disso, até por que não tenho a bagagem sociológica necessária para tentar explicar tal fenômeno.
Os novos tempos, a tecnologia abundante permitem que manifestações que passavam desapercebidas muitas vezes aflorem, tal qual praga, erva daninha.
Teremos muito o que discutir sobre isso. No caso, o "gancho" foi o futebol que, como muitas outras coisas que víamos como e com idealismo, deixaram de te-lo e de se-lo.
Dia desses, revendo textos antigos, encontrei um escrito quando ainda estavas conosco, em que a discussão era o sentido do que fazíamos por aqui. Resolvi te mandar. Aguardo que analises e me faças saber o que pensas, da forma que achares melhor...
Que busca aquele que intensamente procura, no complexo de alucinações que é seu cérebro doentio, a salvação para suas angústias? Mas, nada encontrando, não tendo solução para o que se pergunta, busca a justificativa no mundo que o cerca e que não o compreende. Luta com a razão que diz ser a sua existência a única finalidade plausível para aqui estar.
Não poderá questionar com o inevitável...Se ao seu lado passa o fantasmagórico bonde da adversidade, dos desenganos, contempla-o absorto! Não consegue perceber a claridade dos fatos, que porventura alguém tentou deixar visível para os olhos cansados pelas penosas noites de vigília; quando nada mais se encontrava a sua frente, senão o fundo sombrio de um copo, o retângulo da mesa... deixando o tempo correr, amargas lembranças, sempre mais amargas do que doces...
Persiste, porém, a questão: qual é afinal a razão disso tudo? Por que não pode, como todos os demais, ser conformado com a sua sorte, satisfeito com a metódica existência, sem aspirações maiores, sem ambições inconfessáveis, senão aquelas comuns e corriqueiras para a maioria?
Procura, reformula, luta por uma solução e, desanimado, queda-se cansado, extenuado, às voltas com suas frustrações, que não são de todos , mas de uma minoria que com ele não se liga; as raízes da insatisfação não são tão comuns assim a membros da mesma espécie. Afastam-se, por sinal, para não verem nas faces dos semelhantes os estigmas da dúvida cruel. Iludem-se com o convívio dos despreocupados, dos rotineiros, sem mais desejos do que todos seus desejos satisfeitos e sua aparência conservada...
Que rede é essa que foi jogada sobre seus ombros, e que não me deixa viver em paz? Que fez para merecer tal atribulação, se assim não desejou, e se suas forças não são o suficiente para a manutenção e perfeito equilíbrio do espírito?
Quisera saber qual, afinal, é o objetivo da existência... Não de há muito, ignorava por completo todas essas questões e limitava-se a simplesmente viver, deixando o desenvolvimento se processar ao natural, sem indagações. O espírito então se deliciava com as cores de tudo aquilo ao redor. Não ocorria indagar: “de onde venho? para onde vou?” Não havia razão para perguntas sobre a razão de ser das coisas e das gentes. Por que, só agora, quando a paz almejada finalmente poderia ser encontrada se vê na contingência de a alma sucumbir com tão complexas questões?
Questões para as quais , até agora, não se encontraram respostas e das quais não tem nenhum potencial de conhecimento para se aprofundar?
Por que não nos é dado o direito de escolher entre a paz, se é que ela existe. e a indagação constante dos destinos a que estamos ligados, quer queiramos ou não?. Como gostaria de voltar aos tempos da ingenuidade e dos prazeres simples, das curtas calças que me pareciam odiosas e que tanto bem me fariam agora! Onde escondi, afinal, os meus mais caros sonhos de infância?
Não posso ignorar as perguntas que estão no ar, e que as respostas nas as terei agora – se é que algum dia as terei – será que a vida me responderá? Será que terei de sujeitar-me à surda conformação, deixando todos os males que afligem minha alma corroerem-me, não me dando tempo sequer para gozar dos simples prazeres da vida?
Oh! Deus!, angústias tolhem-me os movimentos, tiram-me o ânimo, desgastam as minhas reservas morais, prostram-me abatido, injuriando aqueles que poderiam me dar a mão..."
Hoje é um dia "daqueles"...Até!
sábado, 5 de abril de 2008
FUNDAMENTALISMO ESPORTIVO - A respeito de radicais e fundamentalistas do futebol....
Fiquei muito tempo ausente. Viagens, falta de inspiração, problemas relacionados à utilização deste espaço...
Mas, hoje, dia 5 de março, quando sob o impacto do falecimento do Evangelino Costa Neves, do qual vc deve se lembrar muito bem, Presidente dos Coxas Brancas na época de times com alma e substância, resolvi te escrever para falar de futebol, algo que privamos bastante
malgrado o fato de você ser um "boca-negra" empedernido.
Os tempos mudaram e muito, Archimedes! O teu Ferroviário se foi, hoje é Paraná Clube, sem identidade e sem o carisma "boca", até porque estes, como você, também estão indo.
Você sempre soube da minha paixão coxa: paixão que me levou a converter filhos, filha, sobrinhos e tantos quantos se deixaram influenciar; que me levou a disputar uma eleição viciada para ser Diretor do Clube que, felizmente, segundo minha mulher, perdemos!
E perdemos para um grupo do qual fazia parte o vice-presidente que ora se demitiu! Embora derrotado, não deixei que a política toldasse o amor pelas cores alvi-verdes. Internado por uma noite inteira e meio dia num hospital para exames de rotina, produzi, UMA ÉPOCA EM QUE NÃO SE FALAVA EM "MARKETING" COMO HOJE, UM PLANO DE MARKETING PARA O CORITIBA FOOTBALL CLUB, que foi entregue pelo jornalista Vinicius Coelho à diretoria daquele tempo, cujo presidente era alguém chamado Amauri Santos, que deixou o clube em situação não muito bem esclarecida. Na oportunidade assumiu o vice, o mesmo que agora renuncia. O plano foi todo manuscrito!
Até hoje, decorridos mais de 25 anos, espero resposta. Previa aumento de sócios para cerca de 25.000 (já pensou?). Sócios ausentes, utilização do espaço ocioso do estádio, que deveria render; utilização racional da propaganda estática e outros que tais. E tudo isso por idealismo, graciosamente!
Isso passou a ser feito muito tempo depois de forma e custo que não vem ao caso comentar!
Posteriormente, fui convidado e aceitei ser Conselheiro do Glorioso.
Por uma gestão apenas; a forma como ele atuava não me encantou. E acabei não pugnando para continuar por vários motivos. O mais importante foi o crescimento das torcidas organizadas!
Nunca concordei com os privilégios que as diretorias de plantão concederam a elas, em detrimento dos associados de longa data: ingressos gratuitos, locais no estádio, subsídio para viagens! Quantas vezes vi a arquibancada da rua Mauá ocupada militarmente pelos integrantes de tais torcidas, sem que os pagantes o pudessem utilizar! E o que é pior: afastados animalescamente pelos marginais das ditas "torcidas"... Saliente-se que esse não é um problema específico do Coritiba, mas um fenômeno social, que afeta todos os clubes.
Em decorrência delas - as torcidas organizadas - deixamos de fazer o que mais apreciávamos, lembra? Presenciar juntos, vc "boca-negra" e eu "coxa", os jogos dos nossos times, nas tardes ensolaradas de domingo! Comparecer ao campo do adversário vestido com a camisa do seu clube passou a ser crime conta a ordem estabelecida pelos marginais travestidos de torcedores! Quando houve ameaça à integridade física do Alexandre, meu filho mais velho, por marginais vestidos com a camisa do Atlético, em jogo no Belfort Duarte, deixei de frequentar os clássicos!
Quando percebi que as diretorias de plantão, por necessidade política, passaram a prestigiar mais as "organizadas" que os sócios pagantes, deixei de se-lo! E por que? Porque os membros das organizadas sempre delas foram sócios! Contribuíam para as torcidas e não para o clube!Os clubes à míngua, se depauperando dia-a-dia, e os diretores "enchendo a bola" das organizadas que em nada contribuíam para o clube, a não ser denegri-lo com atos de selvageria contra torcedores adversários, organizados ou não!
FUNDAMENTALISMO
Como vc deve ter verificado aí de cima Archimedes, as coisas mudaram e muito! A paixão deixou de ter limites, a ponto de as "organizadas", além de se transformarem em "bandos", passarem, ainda que não sendo - seu membros - sócios do clube, a se considerar "donos" dos símbolos e da tradição do clube.
A ausência de continuidade dos times, a necessidade imperiosa de recursos fez com que as diretorias com isso passassem a compactuar, pela necessidade de apoios. Times sem alma, sem coração passaram a ser formados, com "jogadores profissionais" de 3 ou 4 meses.
Venda de símbolos e tradições arraigadas, como fez o nosso rival da Baixada, que trocou o nome do estádio por necessidade comercial. Ainda não chegamos a isso, mas disso acredito estar próximos!
Ou como fez o pessoal do teu antigo Ferroviário que, de fusão em fusão, conseguiu montar uma grande "con... fusão". Nunca acreditei que paixões arraigadas, sedimentadas possam ser transferidas. O Paraná que aí está terá a sua identidade depois de 40, 50 anos... Isso dependendo de conquistas e de fidelidades!
A utilização da tecnologia tem permitido que as manifestações aconteçam em tempo real, sem qualquer medida de estragos que possam causar e sem apuração adequada de responsabilidades!
Recentemente, numa palestra para alunos de administração - como vc sabe fui professor disso por mais de 20 anos - disse a eles que a tecnologia é neutra, não tem cor, partido, raça, seja lá o que for! O problema é a maneira como ela é utlizada.
Utilizada por fundamentalistas radicais, sem qualquer compromisso com princípios e filosofias éticas, atingirão indistintamente a tudo e a todos, quando o forem por pessoas cegadas pela paixão exacerbada, que não consigam compactuar com contrários e com as comezinhas liberdades que acompanham o ser humano de há muito tempo!
Estes não conseguem ver, enxergar os defeitos do seu objeto de paixão, ainda que claros e evidentes...
Tudo isso para te falar de algo que me aconteceu recentemente e que muito me afetou! Como vc deve saber, o cartunista RafaCamargo é meu genro e, na minha avaliação, tem muito talento, anda que esse não se manifeste diuturnamente, visto que isso é condição de gênios!
Recentemente ele produziu uma "charqe" onde atleticanos e paranistas "gozavam" do eterno rival coxa-branca, pelas suas agruras dentro do campo!
E não é que um grupo que se considera "dono" e fiéis guardiões da tradição e dos símbolos coxa-branca se indignou? Em vez de se concentrar na fragilidade do time e da incompetência da Diretoria, transformou o chargista em objeto de ódio? Ser abjeto, rasteiro, ofensor da dignidade coxa-branca....
A que ponto leva a paixão exacerbada, ilógica! Os times sem alma, sem garra, com atletas de aluguel que temos montado nos últimos anos são desconsiderados! Desvia-se o foco das mazelas internas para considerar um profissional desapaixonada em "persona non grata", violador das mais sagradas estruturas "coxa-brancas".
Lembra do que eu disse da tecnologia? Ela é neutra, mas a sua utilização não! Utilizaram a tecnologia para transformar uma simples charge num crime "lesa-coxa". Desviaram a atenção de um time fraco, repetindo: sem alma, que perde e empata com times de aluguel e que - ESSE SIM - em nada representa as grandes tradições coxas-brancas...
Às vezes me pergunto se isso não é premeditado: desviar a atenção com a criação de um factóide!
Chegamos ao ponto em que geramos fundamentalistas radicais em Curitiba, que se utilizam da tecnologia existentes para agir como fundamentalistas religiosos que se arvoram no direito de condena à morte artistas que ousam utilizar a imagem de seu lider, ou seu santo nome em vão...
E sabe qual o pior, Archimedes? Com os benefícios da tecnologia, criam o clima e se escondem..... Fácil, não?
A questão me remete para os anos de chumbo da ditadura, quando a utilização dos símbolos da Pátria era prerrogativa de um grupo instalado no poder! Quantas pessoas foram presas e constrangidas por utilizar os símbolos pátrios à sua maneira? E, desde quando, nos tempos atuais, supostos "guardiões" das tradições coxa-brancas têm o direito de lançar uma sentença de constrangimento e difamação, inclusive com a "edição" de um trabalho de criação, apenas para causar mais impacto?
Será que eles são maiores e melhores torcedores do que eu e tantos outros, anônimos, somos? Que não nos organizamos em grupos, "sites", etc, para dizer que somos melhores defensores da tradição coxa-branca?
Será que não foram utilizados como massa de manobra para desviar a atenção da crise intestina por que passa o Coritiba e para a fraqueza notória de um time que, nem de longe, pode ser comparado aos que já tivemos, porque sem coração, ve-se em "palpos de aranha" para se classificar para as finais de um campeonatozinho que apenas serve para atender às pretensões políticas dos dirigentes?
Sei lá... Sei, tão somente, que os valores permanecem, enquanto os medíocres desaparecem. Certo estava Campos de Carvalho no seu livro "O PÚCARO BULGARO', um primor de "non-sense" quando dizia:
"só existe uma verdade absoluta: todo racista é um f.d.p."
Aqui, no caso, trocaria o racista por radical, fundamentalista....
Ficamos por aqui Archimedes, torcendo para que o glorioso consiga derrotar, amanhã, o Toledo, para se classificar. Já pensou? Teve 7/8 jogos para se consagrar e fica dependendo do último! E, se perder ou empatar, terá que torcer para que um time de um ex-presidente, que tem nome de empresa, perca ou empate para que não seja remetido às calendas!
Conversaremos mais!
Um grande abraço!
Sinto tua falta e de tudo aquilo que vc representava!
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
O RETORNO - Considerações sobre a situação...
Estive ausente, como vc sabe. Compromissos, falta de vontade, conflitos existenciais, aquilo nos aflige sem que tenhamos explicações...
Aliás, a última carta ficou truncada! Não houve o término das impressões do ceguinho sobre o corpo da mulher nua... Que pecado! Mas, tenho certeza de que vc entendeu. Nunca precisamos de grandes explicações para que nos entendêssemos, não é verdade? Nos olhares, nas palavras ditas pela metade; a leitura das entrelinhas.
Nessas ocasiões a poesia pessimista me toma, me enleva; vamos a Augusto dos Anjos, lembra?
Como em "Versos Íntimos":
"Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro da tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera..."
E por aí vai, como "o beijo, amigo, é a véspera do escarro,/a mão que afaga é a mesma que apedreja...
Temos outras preocupações, porém, principalmente com o "status quo" (do qual foi você beneficiado com a privação)...
Depois de muito tempo foi eleito um homem do povo, poder-se-ia dizer. Olhando a sua estória, de migrante nordestino, sofredor, irmão de muitos irmãos, mãe sofredora, abandonada pelo marido...
De alguma maneira, lembra a minha própria estória. O abandono pelo pai; o sofrimento da mãe para que fôssemos corretos, dignos, não nos perdêssemos. Seus sacrifícios, seus exemplos. Inflamamo-nos de esperança de que haveríamos de ter, finalmente, alguém com sensibilidade para as necessidades mais comezinhas da população...
A mim, pessoalmente, que professor fui por tantos anos, Archimedes, vislumbrei a possibilidade do retorno da dignidade da carreira do magistério: o respeito da sociedade pelos educadores e educadoras! Quem sabe, um retorno à Escola Normal, à formação de normalistas? Lembra do respeito que tínhamos pelas professorinhas? Das lembranças daquelas que marcaram nossas vidas? Ainda mais com as notícias de abandono e de desprezo governamental pela carreira!
Pululam notícias de professores e professoras sendo agredidos diuturnamente em sala de aula. Já pensou? E o pior! Na maioria das vezes sem qualquer amparo de quem de direito!
Deu-se uma banana ao respeito e à disciplina!
Assim, tínhamos fundadas esperanças com o novo eleito....
Ledo engano! O que estamos vendo é uma política de atendimento, de subserviência aos de sempre. O nosso Presidente, vc acredita, deixa-se fotografar com um copo de bebida alcoólica, mas não com um livro nas mãos! Chega, inclusive, a demitir o Ministro da Educação rapidamente, por ter propostas e, presumo, incomodar! Faz questão de afirmar que não há necessidade de estudos para ser Presidente! É, tem razão, realmente não há necessidade!
Mas, alisa a cabeça e defende "companheiros" com notórios desvios de conduta, além de desvios outros de recursos públicos.
Então, a "quimera" a que se referia Augusto dos Anjos tem razão de ser! A esperança de políticas de longo prazo focadas na educação, na saúde, deu lugar a populismos, assistencialismo.
E não é que deu certo? Vc nem imagina o quanto! As políticas assistencialistas colocaram a popularidade dele nas alturas. E o quadro não mostra indícios de mudança.
E a esperança foi vencida pelo desencanto, pelo desalento! A impossibilidade de alterar o "status quo", pelo menos a curto prazo, faz com que nos recolhamos àqueles pensamentos de isolamente, de abstinência, de nojo para com tudo o que se relaciona com o bem público.
Mas, não pense que temos só fracassos! Pelo contrário: o País tornou-me uma referência na máquina de arrecadação! Vc precisa ver a capacidade dos órgãos arrecadadores do Estado!
Recordes e recordes de arrecadação são anunciados mês a mês.
Pena que, como vc deve saber, o excesso recaia sempre sobre os mesmos e que os valores não retornem para os investimentos que imaginávamos prioritários... Na sua maioria são utilizados apenas para o custeio da máquina (descontados os percentuais da corrupção, diga-se de passagem).
Amargo estou hoje Archimedes! Gostaria de falar das noites encantadas de poesia, dos prazeres compartilhados com estranha que hoje apenas são lembranças físicas!
Mas, além de Augusto dos Anjos, baixou-me o espírito de Fernando Pessoa... Não discutimos muito ele, por ignorância.
AUTOPSICOGRAFIA
O POETA é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega e fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Nas as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração."
E então por aqui ficamos Archimedes... Espero voltar com melhoras, na próxima...
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
VEIA POÉTICA - Novas sensações
Boa noite!
Estive ausente... Dois dias em Curitiba tratando de assuntos pessoais. Aquela rotina que nos determina o que fazer, que nos dita os procedimentos...
Te negligenciei nesse período. Mas eis-me de retorno.
Um texto, para vc criticar, como início da nossa conversa desta noite!
"TEXTOS EXPARSOS
Esparsos, soltos, desconexos...
Olho para o teclado! Busco algo para te dizer.
As letras bailam em minha frente, fogem, escondem-se!
Não querem ser tocadas, concatenadas para a construção de frases para ti!
Ciumentas, desejam que eu as toque com sensual lascívia, como quem acaricia um seio, um glúteo!
Observo o número 8.... Ele se inverte, imitando os teus seios.... O que fazer com um “
Inverto o 3.... parece as tuas nádegas... estendo meus dedos.. toco-os gentilmente!
Sinto-os estremecer, como se vibrando estivessem com o toque!
Busco a tua boca nas demais letras... a vírgula circula, daqui pra lá, de lá pra cá... Ri de mim, da minha indecisão... Busco, reflito... aflito!
Ah! Desenha-se diante de mim os traços dos teus lábios sensuais: pego um dos parênteses e o mudo de posição: ei-los se oferecendo, me buscando!
Sinto que o teclado está a ponto de travar, de ciúmes.... Antes, vou à vírgula e a prendo: é a tua língua enroscada na minha! Beijo longo, animalesco... Não quero desgrudar! Sugo-a... forço-a ao meu contato frenético...
E teus olhos? Onde estão os teus olhos? Tantas opções: dois “os” com circunflexo sobre; dois “0”s com um traço de união (ou quem sabe um dos parênteses invertido)... sobreposto a ele...
Qual mais te agrada? Não importa a mim... Importa tão somente a imensa luz que deles emana e que me inunda com a tua presença!
Estranha compulsão! Em tudo que penso e faço vc está presente; espicaçando, animando, única! Presente em todos os momentos...
O que fazer?
Fpolis.... 007"
E então? o que achou? Algo dirigido a uma mulher, é óbvio (rs)... Lembra do que te disse das noites em aqui estou, contemplando o negror que me chega através da minha janela? Durante o dia há sempre o balé dos beija-flores que vêm sugar o néctar que lhes deixo; não só os beija-flores, mas também um pequeno pássaro de peitinho amarelo (dizem ser saíra); por ignorância chamo-s de "protótipos de bem-te-vi". São vorazes e estão habituados à minha presença. Às vezes sinto-os como que reclamando o líquido, quando terminado...
Mas, continuando, o texto sobre a mulher, descrevendo-a através da letras do teclado... Algo que sempre me passou pela mente: utilizar as teclas para descreve-las. Além de outras imagens, como a de um cego que utilizasse as mãos para "sentir" como seria o corpo de uma mulher. Um homem que nunca houvesse tocado uma; que não tivesse expectativa sobre!
As mãos deslizando pelo relevo do corpo; por onde começaria? pelos pés? Os pés já seria um caminho conhecido, por experiência própria. Segue, com cuidado e persistência pelos tornozelos, pelas coxas. Chega ao ponto central das coxas! Se uma mulher ao natural, sem cuidados depilatórios (rs), um imenso tufo de pelos a ser tocado, sentido. Cheirado, talvez? Quem sabe?
A comparação com o seu próprio corpo o levará a um sem número de indagações! Mas, o imenso histórico de sensações contidos em sua base universal de memória certamente o levará ás conclusões adequadas sobre o que está tocando. Não demorárá a chegar às conclusões apropriadas... Mas, sem os pelos, o que imaginaria o nosso explorador? Falha! Defeitos desconhecidos! Como a pesquisa se dá no campo físico, não há como saber o que o íntimo da explorada queria.
Mas, qual será o comportamento? Passará os dedos, rapidamente, envergonhados, trêmulos? Ou arriscará uma carícia, uma "bolina"? Não discutamos sobre essas questões de fôro intímo, não é? Passemos para a fase seguinte: o passeio pelas coxas... Subamos, mais, para a barriga, a cavidade do umbigo. Mais um pouco e chega aos seios!
domingo, 10 de fevereiro de 2008
VEIA POÉTICA - contin....
Mais um dia de calor; daqueles dias em que parece que o céu se aproxima da terra e te comprime contra ela. Como se fôssemos ser transformado em superfícies planas. Já pensou? A noite está sendo generosa; uma chuva miúda serviu para compensar o dia ingrato de calor insano. Uma brisa passa por aqui, refresca o corpo e a alma!
Da minha janela observo o quintal, sinto o frescor da noite. Por aqui há pouco barulho, poucas luzes. Com o tempo, como não poderia deixar de ser, fui adquirindo manias. Uma delas é uma total e completa aversão a ruídos. A não ser aqueles proporcionados por uma bela música...
Às vezes, quando por aqui estou, lendo, escrevendo, parece que uma ninfa voeja à minha frente; flana, numa roupa branca, transparente, que tudo sugere mas nada mostra. Observa-me, com doçura, como se velasse por mim, como se me inspirasse. Um halo de luz a circunda; vejo seus olhos brilharem na escuridão!
Aquieto-me, amanso-me, como se isso fizesse com que ela por aqui permanecesse indefinidamente! Os momentos de calma e de tranquilidade que me invadem parecem que se perpetuarão. Mas, assim como veio, se vai... Deixa um rastro de paz no ar. Lembra aquela fadinha do filme "Peter Pan", lembra? "Sininho", se a memória não me trai. Nem tanto infantil diga-se de passagem!
Mas, lembra do que conversávamos na última vez? Sobre o conto a respeito do personagem de Raiz da Serra? Pois é... Após o contato, a constatação de que "para quem nada sabe não existem angústias", fiquei imaginando que a eles é poupado o cansaço mental das informações excessivas. Felizes, tranquilos, cansaço apenas fisico!
Ah! Archi.... Vc se foi antes da internet; antes da transformação do mundo em "aldeia global", como previsto. Vc foi poupado! Mas, por que tudo isso numa mansa noite de domingo? Apenas para te dizer que se conseguíssemos, como o participante do meu conto, viver apenas daquilo qe entendemos, o sofrimento seria bem menor! Aceitaríamos com mais facilidade; os cansaços seriam apenas físicos, da jornada braçal do trabalho. Não haveria, como nos versos daquela música:
"Vim pela noite tão longa
de fracasso em fracasso.
E hoje descrente de tudo
me resta o cansaço:
cansaço da vida,
cansaço de mim.
Eles se chegando
e eu chegando ao fim..."
Sim, penso nisso, amiúde. Mas me consolo no pragmatismo, no ceticismo, muitas vezes. Não como forma de vida, de ação. Mas de reconhecimento das minhas impossibilidades e das minhas limitações.
Talvez tenha a ver com meu pai. Lembro-me de que, numa das nossas conversas você dele me perguntou.
Como te disse, para mim ele morto permaneceu depois dos meus cinco anos, após nos abandonar: à mamãe, meus irmãos e a mim. Morto ele permaneceu, na minha memória afetiva, desde aquela época, a dos 5 anos.
Morto, efetivamente, eu o vi há cerca de 20 anos, como consideração a um pedido do seu irmão - meu tio - quando do seu passamento. Apenas um ato formal...
Para mim, amor filial não depende de um momento de prazer, de idêntico sangue, de genética! Mas, isso sim, de presença física, exemplos, mútuos auxílios, amparo. Participação, sacrifícios!
Pais e parentes biológicos não se escolhem; vêm, como fator natural. Pais efetivos, muitas vezes, ou na sua maioria, nada têm a ver com biologia, mas com carinho, amor e amparo: a presença constante! a participação!
Por isso tudo, considero hipocrisia supostas manifestações de amor de pessoas que sem parentes biológicos ficam por longo tempo. Não há amor, mas apenas curiosidade. Tributo isso à sensação de reconhecimento social: as pessoas, de maneira geral, apreciam tais comportamentos.
De há muito queria te dizer isso tudo. Nas nossas andanças estivemos preocupados em desfrutar, no prazer da companhia, das conquistas, das seduções! Conversamos sobre aqueles temas áridos do existencialismo, da filosofia de almanaque. Mas, quase nunca sobre nossos próprios sentimentos... Creio que o faremos por aqui!
Voltarei...
Boa noite!
W.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
VEIA POÉTICA....
Quente por aqui... Não me lembro de ter dito a vc que hoje estamos morando em Florianópolis. Desmamamos os filhos e resolvemos viver um ócio planejado (sabia que isso é moda hoje em dia?).
Como disse, 0 calor infernal permanece. Sinto saudades das nossas tardes amenas de outono em Curitiba. Mais ainda quando o meu horizonte mais próximo era o que fazer no final de semana!
Lembro dos tempos da Faculdade, quando me povoavam a mente todas aquelas idéias de reformar o mundo, tão comuns naquela época!
No meu caso através da literatura, de ter cometido um conto. Próximo a Curitiba,adorava passeios até a base da serra, Serra do Mar (serra dos meus sonhos e dos meus encantos). Por causa dela até hoje adoro aquela música do Lamartine Babo: "Serra da Boa Esperança"; por que não Serra do Mar? Ah! o nome não combina...
A serra, como sabemos, fica nos arredores, caminho obrigatório para quem vai ao litoral, ou a Santa Catarina... Pouco antes, Piraquara... logo após Mananciais da Serra (Curitiba é abastecida pelos rios que descem da serra).
Lugarejo pequeno, parcos habitantes, tranquilos, onde o tempo pesa como chumbo e os dias se arrastam, sem levar ilusões.
Num passeio faço contato com um habitante, no conto, a quem peço água e damos aqueles "dedos de prosa", habituais a ele, nem tanto a mim. Cometi a frase durante a conversa:
"... a quem nada sabe não restam angústias". Parece que, na figura simples do meu intelocutor a afirmação cabe como roupa feita sob medida. Para ele, fico sabendo, os acontecimentos relevantes foram, na época do relato, a morte do Presidente Getúlio Vargas e a conquista da Copa do Mundo, em 1.958... E estávamos adiantados nos anos 60...
Isso explica, de certa forma, a nossa despreocupação. Mas, como diz o título, hoje exercitei a minha veia poética. Lembrei das mulheres que partilhamos (rs)... E imaginei situações pelas quais passamos e que poderia ter descrito, logo após, como:
RESCALDO
Acordo do cochilo rápido,
Depois de escaramuças amorosas.
Abro os olhos, observo;
Sinto ainda, em minha boca,
O gosto da tua boca,
O gosto do teu sexo.
As tuas marcas no meu corpo,
Unhas nas costas,
Orelhas mordiscadas,
Falo avermelhando pela
Aspereza da tua língua.
Sinto teu suco correndo
Pelas minhas coxas,
O meu lambuzando
Teus seios (como foi gostoso
Te ver receptiva...)
No chão, vestígios da luta: sapatos,
Meias, blusa, saia, camisa, calça espalhadas
Como pegadas indicando a
Trilha da cama,
Nosso campo de batalha....
Curioso, observo
Uma cena criada ao natural:
Minha cueca sobre tua calcinha,
Numa cena muitas vezes
Repetida, imaginada, realizada...
Parece que, no rés do chão,
Tentam continuar na nossa
Lassidão.
Vc cochila apoiada no
Meu braço. Tranqüila, relaxada,
Ar risonho no teu rosto.
Observo as minhas marcas,
Na curva das tuas nádegas,
Nas tuas coxas,
Nos bicos dos teus seios.
Lentamente, abres os
Olhos que adoro tanto:
Profundos, vibrantes, risonhos!
Fita-me com carinho,
Estende teus braços, enlaça
Meu pescoço:
Beija-me, enroscando tua língua na minha:
“Querido”, sussurras carinhosamente...
“Vamos ao banho?”
O texto é recente; mas levou-me à nossa época.... O que vc achou?
Conversaremos mais à frente. Voltarei às lembranças de Raiz da Serra e, quem sabe, a novas incursões poéticas...
Boa noite!
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
NOVIDADES
Ontem começamos nossa correspondência. Sabe como são as coisas; no começo há uma timidez controlada, sentida, que ainda tentamos disfarçar...
Mas, acredito que com o correr do tempo e na medida em que as nossas conversas aconteçam com mais frequência, poderei exercitar plenamente aquela questão do "desnudamento a que me referi.
Lembrei-me, após postar a primeira correspondência, das nossas intermináveis conversas depois das aulas durante a noite; os filmes "cabeça" da época, nas sessões das onze e as discussões que continuavam madrugada adentro sobre os mesmos. Um deles, na época, me impressionou: "LES AMANTS', com a Jeanne Moreau, lembra? Aquele ar distante, fisionomia impenetrável. Soberba! E em todos os sentidos a soberba. Parecia nem estar representando, mas "vivendo" o papel; dava a impressão de que sairia da tela, numa cena qualquer, e viria conversar conosco! Talvez tomar um café, quem sabe...
Recentemente um cronista - o Ruy Castro - escreveu uma coluna sobre ela na Folha de São Paulo, refletindo basicamente tudo o que dela pensávamos... Vc precisa criar um endereço de e-mail para que eu te envie escritos como esse. Certamente se deliciará!
Mas fiquei de falar sobre novidades. Neste Carnaval, como em tantos outros que deixaram o seu encanto para a nossa época, meus filhos estiveram por aqui. Eu tive a felicidade que vc não teve: de ve-los todos casados e, diga-se de passagem, como se falava anterioremente "bem casados"! E, a minha felicidade reflete-se num netinho, coincidentemente do meu filho mais novo, que vc conheceu... O Wilson Flávio - Polaco -. Lembra? quando garoto vc esteve com ele. Como lamento não te-lo por aqui para conhecer da magia que é nos ver perpetuados na figura do neto! Olhar para o fundo dos seus olhinhos e nos ver refletidos...
Certamente nossos netos seriam contemporâneos. Talvez até pudéssemos ensinar-lhes alguns truques depois que passasse aquela fase de as avós e tias se apoderarem deles.
Pensei muito, nesses dias em que resolvi te escrever, sobre aquelas idéias literárias da nossa época. Do desejo que eu tinha de escrever, desejo que foi se desvanecendo ao longo do tempo, forçado que fui pela realidade da sobrevivência. Alguma coisa ficou! E, mais recentemente, a vontade voltou, sabia? Como meus leitores serão restritos àqueles que comigo convivem, vou compartilhar contigo também tudo o que venho cometendo nesses tempos.
Onde estás certamente há tempo para ler e para criticar também, principalmente vc, que foi um magnífico crítico das minhas trapalhadas.
Na próxima te mando alguma coisa; depois vc me diz se gostou!
Abraços
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
PRIMEIRAS LETRAS
Hoje, depois de muito tempo, resolvi te escrever. Onde quer que vc esteja, certamente a leitura de tudo aquilo que escrevo te fará lembrar dos tempos em que juntos estivemos, daquilo que compartilhamos...
Saberás das minhas verdades. E, por que não?
Afinal como disse Kafka em uma carta a Milena:
"...ESCREVER SIGNIFICA DESNUDAR-SE PARA OS FANTASMAS, QUE POR ISSO ESPERAM AVIDAMENTE; BEIJOS MANDADOS POR ESCRITO NÃO CHEGAM AO SEU DESTINO. SORVEM-NOS PELO CAMINHO OS FANTASMAS."
Claro que não estarei te mandando beijos (afinal não ficaria bem, em se tratando de dois marmanjos...) Mas, será que superaremos tal preconceito?
Sinto a tua falta; a falta daquele amigo com quem tudo compartilhava. Sinto que logo juntos estaremos e, talvez, possamos fazer nossas reminiscências pessoalmente! Mas, como vc antes se foi, não imagina o quanto tenho para te contar... Teremos uma eternidade para isso!
Mas, antes, estarei te antecipando algumas coisas que tenho feito, escrito (afinal, não é para se desnudar?).
Procurarei te deixar algo por aqui, diuturnamente. Se vc quiser poderá responder; não tenho idéia de como! Mas vc certamente achará um meio.
Como ponto de partida creio que já evoluímos...
Voltarei em breve...
Abraços
