Archimedes...
Ontem começamos nossa correspondência. Sabe como são as coisas; no começo há uma timidez controlada, sentida, que ainda tentamos disfarçar...
Mas, acredito que com o correr do tempo e na medida em que as nossas conversas aconteçam com mais frequência, poderei exercitar plenamente aquela questão do "desnudamento a que me referi.
Lembrei-me, após postar a primeira correspondência, das nossas intermináveis conversas depois das aulas durante a noite; os filmes "cabeça" da época, nas sessões das onze e as discussões que continuavam madrugada adentro sobre os mesmos. Um deles, na época, me impressionou: "LES AMANTS', com a Jeanne Moreau, lembra? Aquele ar distante, fisionomia impenetrável. Soberba! E em todos os sentidos a soberba. Parecia nem estar representando, mas "vivendo" o papel; dava a impressão de que sairia da tela, numa cena qualquer, e viria conversar conosco! Talvez tomar um café, quem sabe...
Recentemente um cronista - o Ruy Castro - escreveu uma coluna sobre ela na Folha de São Paulo, refletindo basicamente tudo o que dela pensávamos... Vc precisa criar um endereço de e-mail para que eu te envie escritos como esse. Certamente se deliciará!
Mas fiquei de falar sobre novidades. Neste Carnaval, como em tantos outros que deixaram o seu encanto para a nossa época, meus filhos estiveram por aqui. Eu tive a felicidade que vc não teve: de ve-los todos casados e, diga-se de passagem, como se falava anterioremente "bem casados"! E, a minha felicidade reflete-se num netinho, coincidentemente do meu filho mais novo, que vc conheceu... O Wilson Flávio - Polaco -. Lembra? quando garoto vc esteve com ele. Como lamento não te-lo por aqui para conhecer da magia que é nos ver perpetuados na figura do neto! Olhar para o fundo dos seus olhinhos e nos ver refletidos...
Certamente nossos netos seriam contemporâneos. Talvez até pudéssemos ensinar-lhes alguns truques depois que passasse aquela fase de as avós e tias se apoderarem deles.
Pensei muito, nesses dias em que resolvi te escrever, sobre aquelas idéias literárias da nossa época. Do desejo que eu tinha de escrever, desejo que foi se desvanecendo ao longo do tempo, forçado que fui pela realidade da sobrevivência. Alguma coisa ficou! E, mais recentemente, a vontade voltou, sabia? Como meus leitores serão restritos àqueles que comigo convivem, vou compartilhar contigo também tudo o que venho cometendo nesses tempos.
Onde estás certamente há tempo para ler e para criticar também, principalmente vc, que foi um magnífico crítico das minhas trapalhadas.
Na próxima te mando alguma coisa; depois vc me diz se gostou!
Abraços
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
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