sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

VEIA POÉTICA....

Boa noite Archi....

Quente por aqui... Não me lembro de ter dito a vc que hoje estamos morando em Florianópolis. Desmamamos os filhos e resolvemos viver um ócio planejado (sabia que isso é moda hoje em dia?).
Como disse, 0 calor infernal permanece. Sinto saudades das nossas tardes amenas de outono em Curitiba. Mais ainda quando o meu horizonte mais próximo era o que fazer no final de semana!
Lembro dos tempos da Faculdade, quando me povoavam a mente todas aquelas idéias de reformar o mundo, tão comuns naquela época!

No meu caso através da literatura, de ter cometido um conto. Próximo a Curitiba,adorava passeios até a base da serra, Serra do Mar (serra dos meus sonhos e dos meus encantos). Por causa dela até hoje adoro aquela música do Lamartine Babo: "Serra da Boa Esperança"; por que não Serra do Mar? Ah! o nome não combina...

A serra, como sabemos, fica nos arredores, caminho obrigatório para quem vai ao litoral, ou a Santa Catarina... Pouco antes, Piraquara... logo após Mananciais da Serra (Curitiba é abastecida pelos rios que descem da serra).

Lugarejo pequeno, parcos habitantes, tranquilos, onde o tempo pesa como chumbo e os dias se arrastam, sem levar ilusões.

Num passeio faço contato com um habitante, no conto, a quem peço água e damos aqueles "dedos de prosa", habituais a ele, nem tanto a mim. Cometi a frase durante a conversa:

"... a quem nada sabe não restam angústias". Parece que, na figura simples do meu intelocutor a afirmação cabe como roupa feita sob medida. Para ele, fico sabendo, os acontecimentos relevantes foram, na época do relato, a morte do Presidente Getúlio Vargas e a conquista da Copa do Mundo, em 1.958... E estávamos adiantados nos anos 60...

Isso explica, de certa forma, a nossa despreocupação. Mas, como diz o título, hoje exercitei a minha veia poética. Lembrei das mulheres que partilhamos (rs)... E imaginei situações pelas quais passamos e que poderia ter descrito, logo após, como:

RESCALDO

Acordo do cochilo rápido,

Depois de escaramuças amorosas.

Abro os olhos, observo;

Sinto ainda, em minha boca,

O gosto da tua boca,

O gosto do teu sexo.

As tuas marcas no meu corpo,

Unhas nas costas,

Orelhas mordiscadas,

Falo avermelhando pela

Aspereza da tua língua.

Sinto teu suco correndo

Pelas minhas coxas,

O meu lambuzando

Teus seios (como foi gostoso

Te ver receptiva...)

No chão, vestígios da luta: sapatos,

Meias, blusa, saia, camisa, calça espalhadas

Como pegadas indicando a

Trilha da cama,

Nosso campo de batalha....

Curioso, observo

Uma cena criada ao natural:

Minha cueca sobre tua calcinha,

Numa cena muitas vezes

Repetida, imaginada, realizada...

Parece que, no rés do chão,

Tentam continuar na nossa

Lassidão.

Vc cochila apoiada no

Meu braço. Tranqüila, relaxada,

Ar risonho no teu rosto.

Observo as minhas marcas,

Na curva das tuas nádegas,

Nas tuas coxas,

Nos bicos dos teus seios.

Lentamente, abres os

Olhos que adoro tanto:

Profundos, vibrantes, risonhos!

Fita-me com carinho,

Estende teus braços, enlaça

Meu pescoço:

Beija-me, enroscando tua língua na minha:

“Querido”, sussurras carinhosamente...

“Vamos ao banho?


O texto é recente; mas levou-me à nossa época.... O que vc achou?

Conversaremos mais à frente. Voltarei às lembranças de Raiz da Serra e, quem sabe, a novas incursões poéticas...

Boa noite!




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