segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Caro Archimedes...
boa noite
bom dia
boa tarde

Eis que, depois de tanto tempo (e ponha tempo nisso!) retornamos!

Preguiça, falta de vontade, quantos defeitos acumulados pelos anos fazem com que deixemos sempre para amanhã!

Eu ouvi os teus reclamos Archimedes!

Nas noites de chuva e vento, na minha janela, voltado para o negrume da noite, silencio absoluto, apenas com o som de Noturnos de Chopin, sonatas de Beethoven, Errol Garner e seu piano inconfudível, fiquei jogando minhas energias fora, sem vontade de até aqui vir e contar das minhas alegrias e das minhas angústias...

Alegrias, como o sorriso encantador do Felipe, netinho que veio trazer ternura aos meus dias. Lembro-me de que, quando juntos, não chegamos a discutir o prolongamento das gerações através dos netos. Estávamos ocupados por demais em curtir, gozar as delícias que os nossos tempos de irresponsabilidade consentida proporcionavam.

Tempos que me acorrem, sempre! Rementem-me para aquela diversão sadia, inconsequente até certo ponto, sem qualquer tempero de drogas e outros males!

Mas, como te disse lá em cima, ouvi os teus reclamos! Nas noites, nos dias de sono, em todos os momentos senti os teus reclamos pela minha ausência... Talvez porque, nesse período, deixei-me envolver pelas angústias, pelos temores, pelo sofrimento antecipado de coisas que não o poder de alterar, visto que aquilo que está feito, feito está!

Aquela sensação descrita por Kafka de se acordar metamorfoseado em inseto! Mas, ao abrir os olhos, a mão corre o corpo e vê que tudo está no lugar; a única coisa que não muda, como gostaríamos, é a cabeça, a mente. Dia-a-dia ela nos impele a comportamentos que tentamos mudar e não conseguimos! Falta-nos aquele indispensável interruptor...

Estarei aqui diuturnamente! Te darei aquilo que a verve conseguir produzir. Idéias não faltam! Vêm e povoam a minha cabeça; algumas anoto para desenvolver, outras se vão, como a areia da praia defronte à minha casa. Pois é, creio que não te disse: hoje moro defronte a praia. Não aquela com longo trecho de areia, mas um pouquinho só, e com o o fundo do mar com lodo, visto ser praia de baía, o que nos dá um certo desconforto quando se anda dentro d'água; porém, ainda assim praia, com aquela visão de piscina quando a água calma está, quando não temos vento...

Venta muito por aqui, mais do que o suportável em certas ocasiões.

Falarei mais disso e de outros que tais...

Me vou agora, Archimedes, ao som de um bolero "daqueles" que adorávamos dançar nas tardes dançantes e nos bailes dos sábados:

"Nosotros, que nos queremos tanto
Devemos separar-nos
No me pregunte mas....."

Boa noite!

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