Olá Archimedes...
Boa noite!
Isso, boa noite! Depois de tantos dias de chuva, uma noite que se pode chamar de linda!
Certamente você acompanhou a tragédia que se abateu sobre Santa Catarina, "a bela e Santa Catarina". O desespero daqueles que tudo perderam, não só em termos materiais, mas em vidas de parentes e amigos, entes queridos, preciosos!
Algo que juntos havíamos acompanhado há 25 anos, mas não com tanta intensidade...
Ah! Archimedes! Sofremos e convivemos com as tragédias em tempo real, quer aqui quer no Oriente, nos Estados Unidos, na Europa.
As tragédias adentram as nossas casas como rotina diária, como se fossem partes do nosso cotidiano! Nao temos condições nem de imagina-las, dize-las para outrem como se deram, como aconteceram. Apenas comentá-las, dizer das facetas mais trágicas, mais dramáticas. A visualização ao tempo em que as coisas acontecem tornam-nas frias, casuais, naturais!
A insensibilidade toma conta dos nossos sentidos: observamo-las, pela periodicidade e pela constância, como se fizessem parte do dia-a-dia. Com a mesma naturalidade com que as observamos, mudamos de canal: passamos para o entretenimento!
As pessoas apenas sentirão a dimensão do que acontece se tiverem alguém próximo envolvido; se assim não for... Há mutirões de ajuda, de auxílios! Correntes de solidariedade que se formam para ajudar os atingidos. Relatos dramáticos de pessoas que se doam de corpo e alma na tarefa de auxílio, de buscas... Estas sim, heroínas anônimas fazem a história, ainda que também tenham sido vítimas!
De tantas que são, pela repetição e pela quantidade de exemplos, infelizmente tornam-se, como as demais informações, as demais notícias, banais! Mais uma tragédia! Exemplos dignificantes de heroísmo e de dedicação transformados em assuntos triviais!
De repente as nossas pequenas tragédias, as nossas questões pessoais, ainda que diminutas, passam a preponderar. Como disse, mudamos de canal e seguimos em frente... O alheiamento passa a ser a tônica, a maneira que encontramos para suportar, para a abstração!
Quem diria, não é? Sensibilidades, sentimentos afogados pelo rotineiro!
Hoje, como te disse, sem o cheiro pútrido das tragédias a penetrar pela janela, posso por ela olhar para fora: a noite tranquila, serena, o ar quase que parado convidando à reflexão, ao pensamento do que virá... Algo que, nos tempos em que discutíamos a essência da existência, os sofrimentos imaginados, românticos! Algo que me permitiu, há tempos, tanto tempo, cometer sentimentos românticos sobre o final dos tempos por aqui.
Tudo mais fácil. Muito ainda por vir do que passado já se fora.
Creio que devo conversar mais sobre isso com você. Talvez numa próxima oportunidade!
Saudades Archimedes!
Boa noite... Até!
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
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