sábado, 22 de agosto de 2009

Caro Archimedes...

Longe de ti tenho estado...
Pairando, circunspecto, ausente pensando no que poderia ter sido e que não foi, nas coisas do dia-a-dia qu você vizualiza daí.

Nas questões de política, nas mazelas, pensei:

Primeiro em Rui:


"De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se
os poderes nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto."


Depois, parafraseei Manuel Bandeira...


VOU-ME EMBORA PRÁ BRASÍLIA

(Com a licença de Manuel Bandeira)

Vou-me embora prá Brasília
Lá sou amigo do Sarney
Lá tenho o cargo que eu quero
Na repartição que escolherei
Vou-me embora prá Brasília

Vou-me embora prá Brasília
Aqui eu não sou feliz
Lá a vida é uma moleza
Totalmente inconseqüente
Onde Dácios e Collors
Magistrado e falso Presidente
Vêm a ser coadjuvantes
Da comédia onipresente
Qué a vida que nunca tive

E como farei farra!!!
Andarei de carro oficial
Montarei nas costas do povo
Subirei fácil na carreira
Tomarei tudo que puder
E quando estiver cansado
Viajarei para Paris
Deitarei nas camas do Carlton
Mando o Congresso pagar
Tudo aquilo que eu gastar
Coisa com que sonhava
Desde o tempo de menino
E que o Lula, junto com o Sarney
Conseguiram realizar!!!
Vou-me embora pra Brasília

Em Brasília tem de tudo
É outra civilização
Tem cobertura pra todas as
Safadezas, roubos, tramóias,
E Desembargador que impede a divulgação
Telefones grampeados
Drogas a dar com o pé
Amantes e prostituas pagas pelo Senado
Prá a alegria do barnabé

E quando eu estiver mais triste
Por não ter mais sacanagens por fazer
Quando de noite ficar pensando
Que não tenho mais o que roubar
Lá sou amigo do rei
Terei tudo o que eu quero
Pois sou amigo do Sarney
Vou-me embora pra Brasilia

sexta-feira, 5 de junho de 2009

A HORA...


“Que buscas Caronte!
Que achas?
Estou só de passagem?

Não me parece a hora
Ter chegado... ainda muito por fazer,
Muito por querer,
Muito por sonhar...

Não sabes que isso
Não é tua escolha?
Teus desafortúnios acumulados
Estão a te desdizer:
Tuas mágoas reprimidas,
Desencantos recolhidos
Amores irrevelados
Maldades escondidas!

Mesmo?
Sempre me pensei virtuoso,
Distribuidor de graças,
De favores,
De amores!

Vamos, meu filho!
De carona no barco,
Na tranqüila gôndola,
Ornamentada para ti
Com as flores que amas,
Que cultivastes:
Rosas: brancas, amarelas, rubras,
(como os lábios de tantas mulheres!
Como o sangue que afogueou seus semblantes,
Como as unhas que te lanharam,
O corpo e a alma!)

Está tudo tão escuro!
Nenhuma luzinha no lago de breu!
Nenhuma esperança para o sonho meu?

Vem!
Tranqüilo singraremos,
Inebriados pelo perfume das flores

Pelos acordes dos Noturnos,
Pelo carinho da brisa em
Nossos corpos nus!
Pela sensação de corpos
Femininos te tocando,
Bicos hirtos em seios fartos!
Peles sedosas, jovens, firmes!
Como tantas vezes desejastes!

Nem um até logo?
Nem uma última visão do rosto
Sempre presente dos filhos, dos netos?
Da companheira de tanto tempo?

Por que?
De lá, se acreditas, as
Imagens contigo estarão!
Sem as emoções das presenças
Mas com o sentido da permanência,
Eterna, profundas, sem sentimentos
Sem sofrimentos por
Desentendimentos vãos,
Mas com o carinho sempre presente
Das melhores lembranças!

Ah! Não creio Caronte!
Queres que me entregue a ti
Sem luta, sem receios,
Sem busca de outras
Alternativas! Sem que
Minhas forças – últimas –
Me levem àquilo que sempre quis:
Paz por aqui, realizações,
Emoções, amores!

Vem, meu filho!
Eis que tarda! A noite se vai...
O lago tranquilo nos espera
A lua brilhante nos acompanhará...

Para onde?
Por que?
A DESPERSONALIZAÇÃO DO RELACIONAMENTO

“A Ditadura do 0800”
W.Mugnaini

MAX WEBER, nos fundamentos da burocracia, os quais foram adaptados pela Administração através da Escola Burocrática – ou Modelo Burocrático de Administração, previa que as sociedades deveriam basear-se num sistema que privilegiasse o mérito das pessoas: a “MERITOCRACIA”.

A administração, valendo-se de tal fundamento, imaginou empresas, tal qual sistemas sociais em que – após separada a propriedade da administração - os cargos fossem ocupados por aqueles com maior capacidade, maior mérito.
Em conseqüência, as relações se dariam entre “cargos” e não entre pessoas, justamente para que fossem evitados os relacionamentos espúrios, compadrios e outros, tão comuns tanto naquela época como hoje.

Esta é uma questão de formatação organizacional, maneiras de procurar efetivos modelos de modelos de eficácia; buscar resultados através dos melhores quadros com que a empresa conta.

Quem poderia imaginar que os fundamentos da despersonalização do relacionamento chegasse aos nossos dias como forma de contato empresa/consumidor? E levados ao extremo de criar “currais” de consumidores?
Isso foi possível. Com o advento da prestação massificada de serviços e venda de produtos em grande escala, as corporações foram obrigadas a criar mecanismos de relacionamento que contemplassem a complexidade que tal modelo apresentava.
Forçadas por leis de defesa do consumidor e premidas pela concorrência, criaram canais de comunicação para atendimento de reivindicações/reclamações de seus milhares de usuários/compradores.

Os custos determinaram a forma de atendimento; fizeram com que todas partissem para a possibilidade de “despersonalizar” a relação empresa/consumidor, valendo-se dos benefícios das modernas tecnologias de informação.
Ao mesmo tempo, com a inédita possibilidade de vetar o acesso da massa de consumidores aos níveis gerenciais de decisão, as empresas passaram a fazer com que seus principais executivos – aqueles com nível de autoridade que implicassem em comprometimento: diretores, gerentes – ficassem a salvo do indesejável contato dos insatisfeitos com com os seus produtos/serviços.





02.

Bancos, seguradoras, empresas de telefonia e outras, valendo-
se das vantagens tecnológicas, conseguiram fazer com que seus principais dirigentes se tornassem “invisíveis”! Os consumidores não têm acesso a eles e nem sabem quem são ou o que fazem. São visíveis apenas em colunas sociais e para canais do mesmo nível: políticos, entidades de classe ou governamentais.

Tentem obter o nome e o número do telefone dos responsáveis por uma das empresas aqui citadas através dos meios disponíveis: guias telefônicos, “sites” empresariais ou outros.

Executivos e gerentes se escondem hermeticamente dos que compram seus produtos e/ou usam os serviços da sua empresa. O relacionamento se dá através de meios impessoais: consumidor/computador/atendentes terceirizados.
Para a maioria as empresas não possui centros de decisão: apenas de vendas/distribuição! Quer via propaganda massiva, quer através de lojas sofisticadas em “shoppings” ou outros locais.

Convém aqui um parênteses: a tecnologia, por si só, nada tem a ver com o que ocorre: ELA É NEUTRA! A sua utilização não; poderá ser tanto para beneficiar ou para prejudicar, de acordo com a perspectiva de cada um.

Para os consumidores a utilização é aquela do conhecimento de todos, que aqui abordamos; para as corporações os seus benefícios são incomensuráveis!

Beneficiadas pelas conquistas tecnológicas permitidas pelos processos de comunicação em massa, as empresas iniciaram a implantação – paulatinamente – dos mecanismos que nos levaram ao extremo da DESPERSONALIZAÇÃO: a DITADURA DO 0800! Sistemas geridos por computadores e programas sofisticados lançaram os consumidores no pior dos mundos: o convívio direto com as máquinas.

Nem o mais renomado escritor de ficção científica poderia imaginar tal situação. Situação em que milhões de pessoas são rebaixadas á condição de descerebradas, entes virtuais que, como tais devem ser tratadas e levadas ao paroxismo! Mas com a vantagem – é lógico – de possuírem recursos suficientes para comprar produtos e serviços! Não o melhor dos mundos?

Mundo melhorado com a “terceirização”: quando os descerebrado são transferidos das máquinas para atendentes robotizados por sucessivas sessões de treinamento – ou seriam operações de lobotomia? – que os transformam em autômatos da moderna era das comunicações. Treinados para:

- nada decidir;
- nada responder;
- nunca comprometer!


03.

Como ex-professor de administração sempre fico a me perguntar: “onde estão os princípios básicos da administração?”; “as responsabilidades dos gerentes de formar substitutos, treinar, envolver subordinados com os objetivos da organização?”

Os atendentes não se relacionam com as empresas a que servem; nada têm a ver com os objetivos de quem os contratou. Talvez nunca pisaram nelas (mas certamente devem ser bons consumidores!).
Fácil se depreender que nunca será – como é – fácil a vida do infeliz consumidor.

Aliando-se a isso a leniência e a passividade governamental que, diga-se de passagem adota métodos idênticos, ou piores, logo se visualiza a situação: se o consumidor não for vencido pela frieza mecânica das máquinas, certamente não resistirão à insensibilidade dos atendentes dos chamados “Centros de Relacionamento”, “Serviços de Atendimento ao Consumidor” ou outros que tais! Cultores do gerúndio e da mistificação.
Tentem reclamar nos organismos governamentais....

Não se trata da ausência de leis, mas de monitoramento, de fis calização! Correspondendo plenamente ao antigo ditado romano:

“Muita lei, pouca Justiça!”

As corporações contam com a desinformação como arma, como aliada....

Enfim, consumidores unidos jamais serão vencidos” Uni-vos consumidores de todo o mundo!

Lembrem-se: seremos ouvidos em pé de igualdade apenas quando as empresas se sentarem junto conosco na frente de um magistrado!









______________________________________________________________________


Wilson Mugnaini – Ex-professor de Administração e ex-Diretor do
BANESTADO – Banco do Estado do Paraná






.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Boa noite Archimedes...

"Ói nóis aqui trá veis"...

Desta vez para te contar da felicidade de presenciar o nascimento do segundo neto.
Chegou o Leonardo!

Deixou o útero quente da mãe ao ser de lá retirado pelas mãos do médico... Ao ve-lo pela primeira vez nos braços do Alexandre senti uma paz, uma tranquilidade, uma serenidade absolutas!

Limpo, límpido! Parecia que veio a este mundo de desilusões e desgraças, mas ao tempo de bem aventuranças e belezas escondidas, disfarçadas, com vontade de trabalhar para torná-lo muito melhor!

Afinal, não é isso que esperamos de todos seres inocentes aos quais deitamos os olhos quando se nos são colocados para tanto?

Mas, como te disse, me impressionou a paz contida no seu semblante: nada do ar sofrido da surpresa pela chegada a uma situação desconhecida, estranha. Pareceu-me à vontade, tranquilo, como os pais e tantos outros que o rodeiam.

Confesso que não tive coragem de segurá-lo de imediato! Só o fiz no terceiro dia, junto com os pais. Fotos e mais fotos! Avós sorridentes, sem saber o que fazer: parece que o bebê é de todos e não dos pais!

Abriu os olhos de imediato! Mamou tão logo foi apresentado ao bico róseo do seio da mãe! Defecou como se por aqui já estivesse de há muito!

Portanto, basta apenas aguardar para ve-lo nos reconhecer e curti-lo como merece!

Voltarei ao assunto!

Abraços afetuosos!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Olá Archimedes, boa noite!

Quanto tempo, não é? andei preguiçoso, desatento...
Senti tua frustração, tua tristeza pela minha ausência. Eis-me aqui, retornando.
Novidades? Algumas...Estivemos recentemente na Europa, em Budapeste e Bratislava: Hungria e Eslováquia.
Ambas na Europa Central e cortadas pelo Danúbio.

Nada de excepcional em Bratislava: cidade povoada de estudantes, cheia de bares e "pubs", compatíveis com eles. Planejavamos uma estadia maior, mas dela abdicamos.

Budapeste é mais cosmopolita; limitamo-nos a andar, visitar lugares públicos, feiras e outros que tais. Bela cidade, ainda não contaminada com a poluição do centro. Peste mais fina, mais "chique" do que Buda, um tanto quanto proletária. Ambas ainda com o cinzento do antigo regime político. Habituados a ver flores em todas as sacadas e janelas, vimos apenas o cinzento. Um pouco delas nos lugares públicos.
Chama a atenção pelo grande número de termas: os húngaros devem ser imaculados, pela quantidade delas.

Depois a Alemanha. Mais tarde te conto!

Outra novidade é a chegada do segundo neto: o Leonardo, filho do Alexandre. Entrada definitiva nesta terra abençoada por Deus e desgraçada pelos políticos, marcada para a próxima sexta-feira, dia 22. Se já estava "babão" com o Felipe, que ornamenta esta página, imagine com mais um. Ah! e temos prometido, também, para o próximo ano, um filho da Adriana. Algo me diz, lá dentro, que será menina... Veremos!

Perdoe-me a ausência Archimedes! prometo voltar com mais frequência!

Eu sinto a tua falta; nas viagens, quando em reflexão, imagino-o comigo! Teu sorriso franco e generoso animando meus cansaços e não deixando que desista de ver o novo, o inusitado! Acompanhando-me nas cervejas generosas e saborosas, na admiração dos passantes e das formas das mulheres.

Fazendo-me lembrar sempre das nossas origens e dos duros e dolorosos caminhos que percorremos para chegar até onde estamos. Eu, por aqui permanecendo mais tempo que vc, para testemunhar as formidáveis mudanças que aconteceram nesses últimos 11 anos sem a tua presença.

Lembro-me da última viagem que fiz quando por aqui ainda estavas.

Foi para a Grã-Bretanha; havia retornado ao Banco, trabalhado durante 6 meses, até abril de 1 997, e viajado com a certeza de que seria defenestrado em função do plano de recuperação que havia apresentado. Um postal de um copo de uísque escocês retornou em minha bagagem. Pretendia te entegar em mãos, pela ausência de endereço. Mas, ao ver como estavas, desisti. Guardo-o até hoje, como tantas imagens dos tempos e das ocasiões em que juntos estivemos.

O retorno, como sabes, rendeu-me como prêmio um monte de processos. Findaram recentemente. Te falarei disso na próxima, comentando a forma como os magistrados encararam a nossa atuação.

Por ora saudemos o futuro coxa-branca que está por vir!

Grande abraço

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Caro Archimedes...

Uma boa noite!

Por aqui, após longos dias de chuva estamos tendo períodos de tempo firme.
As pessoas estão começando a dificil tarefa de reconstrução, contando os prejuízos, passada a fase das lamentações.

Histórias de heroísmo, de dedicação voluntária pipocam de todos os lugares e envolvem um sem número de pessoas; anônimas e próximas daqueles que foram atingidos.

Contribuições chegam... O que demora é aquilo prometido pelos governos; ah! Archimedes, as dificuldades impostas pela burocracia! Imaginei, com a minha experiência de professor e de administrador em como seria fácil realizar as coisas se efetivamente interesse houvesse.

Como, por exemplo, um comitê de crise! Não uma "comissão", palavra que me dá engulhos ao lembrar que um camelo é um cavalo projetado por uma comissão! Mas um comitê, com no máximo 5 ou 6 pessoas dos Ministérios envolvidos, que funcionaria em Blumenau, por exemplo, e por lá ficaria o tempo necessária para que os recursos fossem viabilizados o mais rapidamente possível: 6 meses, 1 ano, 2 anos. O tempo que fosse preciso! "A decisão, tanto quanto possível, deve estar próxima do local da ação", martela a minha cabeça os ensinamentos de quando era Professor e que tanto tentei incutir nos alunos!

Será que há interesse verdadeiro em resolver, ou apenas "faturar" em cima das tragédias: obrigar Prefeitos e outros irem a Brasília para "rastejar" nos gabinetes e ante-salas dos Ministros.

Pois é Archimedes:

"Olhando para o breu da noite,
Sentindo a solidão entre presenças,
O isolamento dentro das multidões,
O "não sentir" quando todos
parecem sentir.

Sinto apenas o meu "eu";
saindo e entrando no meu corpo,
flutuando à minha frente,
como se nada mais existisse
além de "mim"! Além de mim e
da natureza que me cerca!

Sentindo, mais, que para imensas
frustrações, para estresses,
são necessárias pequenas desilusões.

E para grandes alegrias,
Será que precisamos de
pequenas satisfações?"

Boa noite Archimedes, A falta que sinto não se compara com aquilo que terei de prazer quando voltar a ti...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Olá Archimedes...

Boa noite!

Isso, boa noite! Depois de tantos dias de chuva, uma noite que se pode chamar de linda!
Certamente você acompanhou a tragédia que se abateu sobre Santa Catarina, "a bela e Santa Catarina". O desespero daqueles que tudo perderam, não só em termos materiais, mas em vidas de parentes e amigos, entes queridos, preciosos!

Algo que juntos havíamos acompanhado há 25 anos, mas não com tanta intensidade...

Ah! Archimedes! Sofremos e convivemos com as tragédias em tempo real, quer aqui quer no Oriente, nos Estados Unidos, na Europa.

As tragédias adentram as nossas casas como rotina diária, como se fossem partes do nosso cotidiano! Nao temos condições nem de imagina-las, dize-las para outrem como se deram, como aconteceram. Apenas comentá-las, dizer das facetas mais trágicas, mais dramáticas. A visualização ao tempo em que as coisas acontecem tornam-nas frias, casuais, naturais!

A insensibilidade toma conta dos nossos sentidos: observamo-las, pela periodicidade e pela constância, como se fizessem parte do dia-a-dia. Com a mesma naturalidade com que as observamos, mudamos de canal: passamos para o entretenimento!

As pessoas apenas sentirão a dimensão do que acontece se tiverem alguém próximo envolvido; se assim não for... Há mutirões de ajuda, de auxílios! Correntes de solidariedade que se formam para ajudar os atingidos. Relatos dramáticos de pessoas que se doam de corpo e alma na tarefa de auxílio, de buscas... Estas sim, heroínas anônimas fazem a história, ainda que também tenham sido vítimas!

De tantas que são, pela repetição e pela quantidade de exemplos, infelizmente tornam-se, como as demais informações, as demais notícias, banais! Mais uma tragédia! Exemplos dignificantes de heroísmo e de dedicação transformados em assuntos triviais!

De repente as nossas pequenas tragédias, as nossas questões pessoais, ainda que diminutas, passam a preponderar. Como disse, mudamos de canal e seguimos em frente... O alheiamento passa a ser a tônica, a maneira que encontramos para suportar, para a abstração!

Quem diria, não é? Sensibilidades, sentimentos afogados pelo rotineiro!

Hoje, como te disse, sem o cheiro pútrido das tragédias a penetrar pela janela, posso por ela olhar para fora: a noite tranquila, serena, o ar quase que parado convidando à reflexão, ao pensamento do que virá... Algo que, nos tempos em que discutíamos a essência da existência, os sofrimentos imaginados, românticos! Algo que me permitiu, há tempos, tanto tempo, cometer sentimentos românticos sobre o final dos tempos por aqui.

Tudo mais fácil. Muito ainda por vir do que passado já se fora.

Creio que devo conversar mais sobre isso com você. Talvez numa próxima oportunidade!

Saudades Archimedes!

Boa noite... Até!

<