segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
O RETORNO - Considerações sobre a situação...
Estive ausente, como vc sabe. Compromissos, falta de vontade, conflitos existenciais, aquilo nos aflige sem que tenhamos explicações...
Aliás, a última carta ficou truncada! Não houve o término das impressões do ceguinho sobre o corpo da mulher nua... Que pecado! Mas, tenho certeza de que vc entendeu. Nunca precisamos de grandes explicações para que nos entendêssemos, não é verdade? Nos olhares, nas palavras ditas pela metade; a leitura das entrelinhas.
Nessas ocasiões a poesia pessimista me toma, me enleva; vamos a Augusto dos Anjos, lembra?
Como em "Versos Íntimos":
"Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro da tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera..."
E por aí vai, como "o beijo, amigo, é a véspera do escarro,/a mão que afaga é a mesma que apedreja...
Temos outras preocupações, porém, principalmente com o "status quo" (do qual foi você beneficiado com a privação)...
Depois de muito tempo foi eleito um homem do povo, poder-se-ia dizer. Olhando a sua estória, de migrante nordestino, sofredor, irmão de muitos irmãos, mãe sofredora, abandonada pelo marido...
De alguma maneira, lembra a minha própria estória. O abandono pelo pai; o sofrimento da mãe para que fôssemos corretos, dignos, não nos perdêssemos. Seus sacrifícios, seus exemplos. Inflamamo-nos de esperança de que haveríamos de ter, finalmente, alguém com sensibilidade para as necessidades mais comezinhas da população...
A mim, pessoalmente, que professor fui por tantos anos, Archimedes, vislumbrei a possibilidade do retorno da dignidade da carreira do magistério: o respeito da sociedade pelos educadores e educadoras! Quem sabe, um retorno à Escola Normal, à formação de normalistas? Lembra do respeito que tínhamos pelas professorinhas? Das lembranças daquelas que marcaram nossas vidas? Ainda mais com as notícias de abandono e de desprezo governamental pela carreira!
Pululam notícias de professores e professoras sendo agredidos diuturnamente em sala de aula. Já pensou? E o pior! Na maioria das vezes sem qualquer amparo de quem de direito!
Deu-se uma banana ao respeito e à disciplina!
Assim, tínhamos fundadas esperanças com o novo eleito....
Ledo engano! O que estamos vendo é uma política de atendimento, de subserviência aos de sempre. O nosso Presidente, vc acredita, deixa-se fotografar com um copo de bebida alcoólica, mas não com um livro nas mãos! Chega, inclusive, a demitir o Ministro da Educação rapidamente, por ter propostas e, presumo, incomodar! Faz questão de afirmar que não há necessidade de estudos para ser Presidente! É, tem razão, realmente não há necessidade!
Mas, alisa a cabeça e defende "companheiros" com notórios desvios de conduta, além de desvios outros de recursos públicos.
Então, a "quimera" a que se referia Augusto dos Anjos tem razão de ser! A esperança de políticas de longo prazo focadas na educação, na saúde, deu lugar a populismos, assistencialismo.
E não é que deu certo? Vc nem imagina o quanto! As políticas assistencialistas colocaram a popularidade dele nas alturas. E o quadro não mostra indícios de mudança.
E a esperança foi vencida pelo desencanto, pelo desalento! A impossibilidade de alterar o "status quo", pelo menos a curto prazo, faz com que nos recolhamos àqueles pensamentos de isolamente, de abstinência, de nojo para com tudo o que se relaciona com o bem público.
Mas, não pense que temos só fracassos! Pelo contrário: o País tornou-me uma referência na máquina de arrecadação! Vc precisa ver a capacidade dos órgãos arrecadadores do Estado!
Recordes e recordes de arrecadação são anunciados mês a mês.
Pena que, como vc deve saber, o excesso recaia sempre sobre os mesmos e que os valores não retornem para os investimentos que imaginávamos prioritários... Na sua maioria são utilizados apenas para o custeio da máquina (descontados os percentuais da corrupção, diga-se de passagem).
Amargo estou hoje Archimedes! Gostaria de falar das noites encantadas de poesia, dos prazeres compartilhados com estranha que hoje apenas são lembranças físicas!
Mas, além de Augusto dos Anjos, baixou-me o espírito de Fernando Pessoa... Não discutimos muito ele, por ignorância.
AUTOPSICOGRAFIA
O POETA é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega e fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Nas as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração."
E então por aqui ficamos Archimedes... Espero voltar com melhoras, na próxima...
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
VEIA POÉTICA - Novas sensações
Boa noite!
Estive ausente... Dois dias em Curitiba tratando de assuntos pessoais. Aquela rotina que nos determina o que fazer, que nos dita os procedimentos...
Te negligenciei nesse período. Mas eis-me de retorno.
Um texto, para vc criticar, como início da nossa conversa desta noite!
"TEXTOS EXPARSOS
Esparsos, soltos, desconexos...
Olho para o teclado! Busco algo para te dizer.
As letras bailam em minha frente, fogem, escondem-se!
Não querem ser tocadas, concatenadas para a construção de frases para ti!
Ciumentas, desejam que eu as toque com sensual lascívia, como quem acaricia um seio, um glúteo!
Observo o número 8.... Ele se inverte, imitando os teus seios.... O que fazer com um “
Inverto o 3.... parece as tuas nádegas... estendo meus dedos.. toco-os gentilmente!
Sinto-os estremecer, como se vibrando estivessem com o toque!
Busco a tua boca nas demais letras... a vírgula circula, daqui pra lá, de lá pra cá... Ri de mim, da minha indecisão... Busco, reflito... aflito!
Ah! Desenha-se diante de mim os traços dos teus lábios sensuais: pego um dos parênteses e o mudo de posição: ei-los se oferecendo, me buscando!
Sinto que o teclado está a ponto de travar, de ciúmes.... Antes, vou à vírgula e a prendo: é a tua língua enroscada na minha! Beijo longo, animalesco... Não quero desgrudar! Sugo-a... forço-a ao meu contato frenético...
E teus olhos? Onde estão os teus olhos? Tantas opções: dois “os” com circunflexo sobre; dois “0”s com um traço de união (ou quem sabe um dos parênteses invertido)... sobreposto a ele...
Qual mais te agrada? Não importa a mim... Importa tão somente a imensa luz que deles emana e que me inunda com a tua presença!
Estranha compulsão! Em tudo que penso e faço vc está presente; espicaçando, animando, única! Presente em todos os momentos...
O que fazer?
Fpolis.... 007"
E então? o que achou? Algo dirigido a uma mulher, é óbvio (rs)... Lembra do que te disse das noites em aqui estou, contemplando o negror que me chega através da minha janela? Durante o dia há sempre o balé dos beija-flores que vêm sugar o néctar que lhes deixo; não só os beija-flores, mas também um pequeno pássaro de peitinho amarelo (dizem ser saíra); por ignorância chamo-s de "protótipos de bem-te-vi". São vorazes e estão habituados à minha presença. Às vezes sinto-os como que reclamando o líquido, quando terminado...
Mas, continuando, o texto sobre a mulher, descrevendo-a através da letras do teclado... Algo que sempre me passou pela mente: utilizar as teclas para descreve-las. Além de outras imagens, como a de um cego que utilizasse as mãos para "sentir" como seria o corpo de uma mulher. Um homem que nunca houvesse tocado uma; que não tivesse expectativa sobre!
As mãos deslizando pelo relevo do corpo; por onde começaria? pelos pés? Os pés já seria um caminho conhecido, por experiência própria. Segue, com cuidado e persistência pelos tornozelos, pelas coxas. Chega ao ponto central das coxas! Se uma mulher ao natural, sem cuidados depilatórios (rs), um imenso tufo de pelos a ser tocado, sentido. Cheirado, talvez? Quem sabe?
A comparação com o seu próprio corpo o levará a um sem número de indagações! Mas, o imenso histórico de sensações contidos em sua base universal de memória certamente o levará ás conclusões adequadas sobre o que está tocando. Não demorárá a chegar às conclusões apropriadas... Mas, sem os pelos, o que imaginaria o nosso explorador? Falha! Defeitos desconhecidos! Como a pesquisa se dá no campo físico, não há como saber o que o íntimo da explorada queria.
Mas, qual será o comportamento? Passará os dedos, rapidamente, envergonhados, trêmulos? Ou arriscará uma carícia, uma "bolina"? Não discutamos sobre essas questões de fôro intímo, não é? Passemos para a fase seguinte: o passeio pelas coxas... Subamos, mais, para a barriga, a cavidade do umbigo. Mais um pouco e chega aos seios!
domingo, 10 de fevereiro de 2008
VEIA POÉTICA - contin....
Mais um dia de calor; daqueles dias em que parece que o céu se aproxima da terra e te comprime contra ela. Como se fôssemos ser transformado em superfícies planas. Já pensou? A noite está sendo generosa; uma chuva miúda serviu para compensar o dia ingrato de calor insano. Uma brisa passa por aqui, refresca o corpo e a alma!
Da minha janela observo o quintal, sinto o frescor da noite. Por aqui há pouco barulho, poucas luzes. Com o tempo, como não poderia deixar de ser, fui adquirindo manias. Uma delas é uma total e completa aversão a ruídos. A não ser aqueles proporcionados por uma bela música...
Às vezes, quando por aqui estou, lendo, escrevendo, parece que uma ninfa voeja à minha frente; flana, numa roupa branca, transparente, que tudo sugere mas nada mostra. Observa-me, com doçura, como se velasse por mim, como se me inspirasse. Um halo de luz a circunda; vejo seus olhos brilharem na escuridão!
Aquieto-me, amanso-me, como se isso fizesse com que ela por aqui permanecesse indefinidamente! Os momentos de calma e de tranquilidade que me invadem parecem que se perpetuarão. Mas, assim como veio, se vai... Deixa um rastro de paz no ar. Lembra aquela fadinha do filme "Peter Pan", lembra? "Sininho", se a memória não me trai. Nem tanto infantil diga-se de passagem!
Mas, lembra do que conversávamos na última vez? Sobre o conto a respeito do personagem de Raiz da Serra? Pois é... Após o contato, a constatação de que "para quem nada sabe não existem angústias", fiquei imaginando que a eles é poupado o cansaço mental das informações excessivas. Felizes, tranquilos, cansaço apenas fisico!
Ah! Archi.... Vc se foi antes da internet; antes da transformação do mundo em "aldeia global", como previsto. Vc foi poupado! Mas, por que tudo isso numa mansa noite de domingo? Apenas para te dizer que se conseguíssemos, como o participante do meu conto, viver apenas daquilo qe entendemos, o sofrimento seria bem menor! Aceitaríamos com mais facilidade; os cansaços seriam apenas físicos, da jornada braçal do trabalho. Não haveria, como nos versos daquela música:
"Vim pela noite tão longa
de fracasso em fracasso.
E hoje descrente de tudo
me resta o cansaço:
cansaço da vida,
cansaço de mim.
Eles se chegando
e eu chegando ao fim..."
Sim, penso nisso, amiúde. Mas me consolo no pragmatismo, no ceticismo, muitas vezes. Não como forma de vida, de ação. Mas de reconhecimento das minhas impossibilidades e das minhas limitações.
Talvez tenha a ver com meu pai. Lembro-me de que, numa das nossas conversas você dele me perguntou.
Como te disse, para mim ele morto permaneceu depois dos meus cinco anos, após nos abandonar: à mamãe, meus irmãos e a mim. Morto ele permaneceu, na minha memória afetiva, desde aquela época, a dos 5 anos.
Morto, efetivamente, eu o vi há cerca de 20 anos, como consideração a um pedido do seu irmão - meu tio - quando do seu passamento. Apenas um ato formal...
Para mim, amor filial não depende de um momento de prazer, de idêntico sangue, de genética! Mas, isso sim, de presença física, exemplos, mútuos auxílios, amparo. Participação, sacrifícios!
Pais e parentes biológicos não se escolhem; vêm, como fator natural. Pais efetivos, muitas vezes, ou na sua maioria, nada têm a ver com biologia, mas com carinho, amor e amparo: a presença constante! a participação!
Por isso tudo, considero hipocrisia supostas manifestações de amor de pessoas que sem parentes biológicos ficam por longo tempo. Não há amor, mas apenas curiosidade. Tributo isso à sensação de reconhecimento social: as pessoas, de maneira geral, apreciam tais comportamentos.
De há muito queria te dizer isso tudo. Nas nossas andanças estivemos preocupados em desfrutar, no prazer da companhia, das conquistas, das seduções! Conversamos sobre aqueles temas áridos do existencialismo, da filosofia de almanaque. Mas, quase nunca sobre nossos próprios sentimentos... Creio que o faremos por aqui!
Voltarei...
Boa noite!
W.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
VEIA POÉTICA....
Quente por aqui... Não me lembro de ter dito a vc que hoje estamos morando em Florianópolis. Desmamamos os filhos e resolvemos viver um ócio planejado (sabia que isso é moda hoje em dia?).
Como disse, 0 calor infernal permanece. Sinto saudades das nossas tardes amenas de outono em Curitiba. Mais ainda quando o meu horizonte mais próximo era o que fazer no final de semana!
Lembro dos tempos da Faculdade, quando me povoavam a mente todas aquelas idéias de reformar o mundo, tão comuns naquela época!
No meu caso através da literatura, de ter cometido um conto. Próximo a Curitiba,adorava passeios até a base da serra, Serra do Mar (serra dos meus sonhos e dos meus encantos). Por causa dela até hoje adoro aquela música do Lamartine Babo: "Serra da Boa Esperança"; por que não Serra do Mar? Ah! o nome não combina...
A serra, como sabemos, fica nos arredores, caminho obrigatório para quem vai ao litoral, ou a Santa Catarina... Pouco antes, Piraquara... logo após Mananciais da Serra (Curitiba é abastecida pelos rios que descem da serra).
Lugarejo pequeno, parcos habitantes, tranquilos, onde o tempo pesa como chumbo e os dias se arrastam, sem levar ilusões.
Num passeio faço contato com um habitante, no conto, a quem peço água e damos aqueles "dedos de prosa", habituais a ele, nem tanto a mim. Cometi a frase durante a conversa:
"... a quem nada sabe não restam angústias". Parece que, na figura simples do meu intelocutor a afirmação cabe como roupa feita sob medida. Para ele, fico sabendo, os acontecimentos relevantes foram, na época do relato, a morte do Presidente Getúlio Vargas e a conquista da Copa do Mundo, em 1.958... E estávamos adiantados nos anos 60...
Isso explica, de certa forma, a nossa despreocupação. Mas, como diz o título, hoje exercitei a minha veia poética. Lembrei das mulheres que partilhamos (rs)... E imaginei situações pelas quais passamos e que poderia ter descrito, logo após, como:
RESCALDO
Acordo do cochilo rápido,
Depois de escaramuças amorosas.
Abro os olhos, observo;
Sinto ainda, em minha boca,
O gosto da tua boca,
O gosto do teu sexo.
As tuas marcas no meu corpo,
Unhas nas costas,
Orelhas mordiscadas,
Falo avermelhando pela
Aspereza da tua língua.
Sinto teu suco correndo
Pelas minhas coxas,
O meu lambuzando
Teus seios (como foi gostoso
Te ver receptiva...)
No chão, vestígios da luta: sapatos,
Meias, blusa, saia, camisa, calça espalhadas
Como pegadas indicando a
Trilha da cama,
Nosso campo de batalha....
Curioso, observo
Uma cena criada ao natural:
Minha cueca sobre tua calcinha,
Numa cena muitas vezes
Repetida, imaginada, realizada...
Parece que, no rés do chão,
Tentam continuar na nossa
Lassidão.
Vc cochila apoiada no
Meu braço. Tranqüila, relaxada,
Ar risonho no teu rosto.
Observo as minhas marcas,
Na curva das tuas nádegas,
Nas tuas coxas,
Nos bicos dos teus seios.
Lentamente, abres os
Olhos que adoro tanto:
Profundos, vibrantes, risonhos!
Fita-me com carinho,
Estende teus braços, enlaça
Meu pescoço:
Beija-me, enroscando tua língua na minha:
“Querido”, sussurras carinhosamente...
“Vamos ao banho?”
O texto é recente; mas levou-me à nossa época.... O que vc achou?
Conversaremos mais à frente. Voltarei às lembranças de Raiz da Serra e, quem sabe, a novas incursões poéticas...
Boa noite!
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
NOVIDADES
Ontem começamos nossa correspondência. Sabe como são as coisas; no começo há uma timidez controlada, sentida, que ainda tentamos disfarçar...
Mas, acredito que com o correr do tempo e na medida em que as nossas conversas aconteçam com mais frequência, poderei exercitar plenamente aquela questão do "desnudamento a que me referi.
Lembrei-me, após postar a primeira correspondência, das nossas intermináveis conversas depois das aulas durante a noite; os filmes "cabeça" da época, nas sessões das onze e as discussões que continuavam madrugada adentro sobre os mesmos. Um deles, na época, me impressionou: "LES AMANTS', com a Jeanne Moreau, lembra? Aquele ar distante, fisionomia impenetrável. Soberba! E em todos os sentidos a soberba. Parecia nem estar representando, mas "vivendo" o papel; dava a impressão de que sairia da tela, numa cena qualquer, e viria conversar conosco! Talvez tomar um café, quem sabe...
Recentemente um cronista - o Ruy Castro - escreveu uma coluna sobre ela na Folha de São Paulo, refletindo basicamente tudo o que dela pensávamos... Vc precisa criar um endereço de e-mail para que eu te envie escritos como esse. Certamente se deliciará!
Mas fiquei de falar sobre novidades. Neste Carnaval, como em tantos outros que deixaram o seu encanto para a nossa época, meus filhos estiveram por aqui. Eu tive a felicidade que vc não teve: de ve-los todos casados e, diga-se de passagem, como se falava anterioremente "bem casados"! E, a minha felicidade reflete-se num netinho, coincidentemente do meu filho mais novo, que vc conheceu... O Wilson Flávio - Polaco -. Lembra? quando garoto vc esteve com ele. Como lamento não te-lo por aqui para conhecer da magia que é nos ver perpetuados na figura do neto! Olhar para o fundo dos seus olhinhos e nos ver refletidos...
Certamente nossos netos seriam contemporâneos. Talvez até pudéssemos ensinar-lhes alguns truques depois que passasse aquela fase de as avós e tias se apoderarem deles.
Pensei muito, nesses dias em que resolvi te escrever, sobre aquelas idéias literárias da nossa época. Do desejo que eu tinha de escrever, desejo que foi se desvanecendo ao longo do tempo, forçado que fui pela realidade da sobrevivência. Alguma coisa ficou! E, mais recentemente, a vontade voltou, sabia? Como meus leitores serão restritos àqueles que comigo convivem, vou compartilhar contigo também tudo o que venho cometendo nesses tempos.
Onde estás certamente há tempo para ler e para criticar também, principalmente vc, que foi um magnífico crítico das minhas trapalhadas.
Na próxima te mando alguma coisa; depois vc me diz se gostou!
Abraços
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
PRIMEIRAS LETRAS
Hoje, depois de muito tempo, resolvi te escrever. Onde quer que vc esteja, certamente a leitura de tudo aquilo que escrevo te fará lembrar dos tempos em que juntos estivemos, daquilo que compartilhamos...
Saberás das minhas verdades. E, por que não?
Afinal como disse Kafka em uma carta a Milena:
"...ESCREVER SIGNIFICA DESNUDAR-SE PARA OS FANTASMAS, QUE POR ISSO ESPERAM AVIDAMENTE; BEIJOS MANDADOS POR ESCRITO NÃO CHEGAM AO SEU DESTINO. SORVEM-NOS PELO CAMINHO OS FANTASMAS."
Claro que não estarei te mandando beijos (afinal não ficaria bem, em se tratando de dois marmanjos...) Mas, será que superaremos tal preconceito?
Sinto a tua falta; a falta daquele amigo com quem tudo compartilhava. Sinto que logo juntos estaremos e, talvez, possamos fazer nossas reminiscências pessoalmente! Mas, como vc antes se foi, não imagina o quanto tenho para te contar... Teremos uma eternidade para isso!
Mas, antes, estarei te antecipando algumas coisas que tenho feito, escrito (afinal, não é para se desnudar?).
Procurarei te deixar algo por aqui, diuturnamente. Se vc quiser poderá responder; não tenho idéia de como! Mas vc certamente achará um meio.
Como ponto de partida creio que já evoluímos...
Voltarei em breve...
Abraços
