quarta-feira, 16 de abril de 2008

O SENTIDO DA VIDA....

Boa noite Archimedes....

Da última vez que conversamos te falei da estupidez concentrada naqueles que utilizam o radicalismo como modo de vida, de expressão.

Creio que me estendi; mas o momento exigia! Raramente falo disso, até por que não tenho a bagagem sociológica necessária para tentar explicar tal fenômeno.

Os novos tempos, a tecnologia abundante permitem que manifestações que passavam desapercebidas muitas vezes aflorem, tal qual praga, erva daninha.

Teremos muito o que discutir sobre isso. No caso, o "gancho" foi o futebol que, como muitas outras coisas que víamos como e com idealismo, deixaram de te-lo e de se-lo.

Dia desses, revendo textos antigos, encontrei um escrito quando ainda estavas conosco, em que a discussão era o sentido do que fazíamos por aqui. Resolvi te mandar. Aguardo que analises e me faças saber o que pensas, da forma que achares melhor...

"REFLEXÕES.....

Que busca aquele que intensamente procura, no complexo de alucinações que é seu cérebro doentio, a salvação para suas angústias? Mas, nada encontrando, não tendo solução para o que se pergunta, busca a justificativa no mundo que o cerca e que não o compreende. Luta com a razão que diz ser a sua existência a única finalidade plausível para aqui estar.

Não poderá questionar com o inevitável...Se ao seu lado passa o fantasmagórico bonde da adversidade, dos desenganos, contempla-o absorto! Não consegue perceber a claridade dos fatos, que porventura alguém tentou deixar visível para os olhos cansados pelas penosas noites de vigília; quando nada mais se encontrava a sua frente, senão o fundo sombrio de um copo, o retângulo da mesa... deixando o tempo correr, amargas lembranças, sempre mais amargas do que doces...

Persiste, porém, a questão: qual é afinal a razão disso tudo? Por que não pode, como todos os demais, ser conformado com a sua sorte, satisfeito com a metódica existência, sem aspirações maiores, sem ambições inconfessáveis, senão aquelas comuns e corriqueiras para a maioria?

Procura, reformula, luta por uma solução e, desanimado, queda-se cansado, extenuado, às voltas com suas frustrações, que não são de todos , mas de uma minoria que com ele não se liga; as raízes da insatisfação não são tão comuns assim a membros da mesma espécie. Afastam-se, por sinal, para não verem nas faces dos semelhantes os estigmas da dúvida cruel. Iludem-se com o convívio dos despreocupados, dos rotineiros, sem mais desejos do que todos seus desejos satisfeitos e sua aparência conservada...

Que rede é essa que foi jogada sobre seus ombros, e que não me deixa viver em paz? Que fez para merecer tal atribulação, se assim não desejou, e se suas forças não são o suficiente para a manutenção e perfeito equilíbrio do espírito?

Quisera saber qual, afinal, é o objetivo da existência... Não de há muito, ignorava por completo todas essas questões e limitava-se a simplesmente viver, deixando o desenvolvimento se processar ao natural, sem indagações. O espírito então se deliciava com as cores de tudo aquilo ao redor. Não ocorria indagar: “de onde venho? para onde vou?” Não havia razão para perguntas sobre a razão de ser das coisas e das gentes. Por que, só agora, quando a paz almejada finalmente poderia ser encontrada se vê na contingência de a alma sucumbir com tão complexas questões?

Questões para as quais , até agora, não se encontraram respostas e das quais não tem nenhum potencial de conhecimento para se aprofundar?

Por que não nos é dado o direito de escolher entre a paz, se é que ela existe. e a indagação constante dos destinos a que estamos ligados, quer queiramos ou não?. Como gostaria de voltar aos tempos da ingenuidade e dos prazeres simples, das curtas calças que me pareciam odiosas e que tanto bem me fariam agora! Onde escondi, afinal, os meus mais caros sonhos de infância?

Não posso ignorar as perguntas que estão no ar, e que as respostas nas as terei agora – se é que algum dia as terei – será que a vida me responderá? Será que terei de sujeitar-me à surda conformação, deixando todos os males que afligem minha alma corroerem-me, não me dando tempo sequer para gozar dos simples prazeres da vida?

Oh! Deus!, angústias tolhem-me os movimentos, tiram-me o ânimo, desgastam as minhas reservas morais, prostram-me abatido, injuriando aqueles que poderiam me dar a mão..."

Hoje é um dia "daqueles"...

Até!




sábado, 5 de abril de 2008

FUNDAMENTALISMO ESPORTIVO - A respeito de radicais e fundamentalistas do futebol....

Caro Archimedes....


Fiquei muito tempo ausente. Viagens, falta de inspiração, problemas relacionados à utilização deste espaço...

Mas, hoje, dia 5 de março, quando sob o impacto do falecimento do Evangelino Costa Neves, do qual vc deve se lembrar muito bem, Presidente dos Coxas Brancas na época de times com alma e substância, resolvi te escrever para falar de futebol, algo que privamos bastante
malgrado o fato de você ser um "boca-negra" empedernido.

Os tempos mudaram e muito, Archimedes! O teu Ferroviário se foi, hoje é Paraná Clube, sem identidade e sem o carisma "boca", até porque estes, como você, também estão indo.

Você sempre soube da minha paixão coxa: paixão que me levou a converter filhos, filha, sobrinhos e tantos quantos se deixaram influenciar; que me levou a disputar uma eleição viciada para ser Diretor do Clube que, felizmente, segundo minha mulher, perdemos!

E perdemos para um grupo do qual fazia parte o vice-presidente que ora se demitiu! Embora derrotado, não deixei que a política toldasse o amor pelas cores alvi-verdes. Internado por uma noite inteira e meio dia num hospital para exames de rotina, produzi, UMA ÉPOCA EM QUE NÃO SE FALAVA EM "MARKETING" COMO HOJE, UM PLANO DE MARKETING PARA O CORITIBA FOOTBALL CLUB, que foi entregue pelo jornalista Vinicius Coelho à diretoria daquele tempo, cujo presidente era alguém chamado Amauri Santos, que deixou o clube em situação não muito bem esclarecida. Na oportunidade assumiu o vice, o mesmo que agora renuncia. O plano foi todo manuscrito!

Até hoje, decorridos mais de 25 anos, espero resposta. Previa aumento de sócios para cerca de 25.000 (já pensou?). Sócios ausentes, utilização do espaço ocioso do estádio, que deveria render; utilização racional da propaganda estática e outros que tais. E tudo isso por idealismo, graciosamente!

Isso passou a ser feito muito tempo depois de forma e custo que não vem ao caso comentar!

Posteriormente, fui convidado e aceitei ser Conselheiro do Glorioso.
Por uma gestão apenas; a forma como ele atuava não me encantou. E acabei não pugnando para continuar por vários motivos. O mais importante foi o crescimento das torcidas organizadas!

Nunca concordei com os privilégios que as diretorias de plantão concederam a elas, em detrimento dos associados de longa data: ingressos gratuitos, locais no estádio, subsídio para viagens! Quantas vezes vi a arquibancada da rua Mauá ocupada militarmente pelos integrantes de tais torcidas, sem que os pagantes o pudessem utilizar! E o que é pior: afastados animalescamente pelos marginais das ditas "torcidas"... Saliente-se que esse não é um problema específico do Coritiba, mas um fenômeno social, que afeta todos os clubes.

Em decorrência delas - as torcidas organizadas - deixamos de fazer o que mais apreciávamos, lembra? Presenciar juntos, vc "boca-negra" e eu "coxa", os jogos dos nossos times, nas tardes ensolaradas de domingo! Comparecer ao campo do adversário vestido com a camisa do seu clube passou a ser crime conta a ordem estabelecida pelos marginais travestidos de torcedores! Quando houve ameaça à integridade física do Alexandre, meu filho mais velho, por marginais vestidos com a camisa do Atlético, em jogo no Belfort Duarte, deixei de frequentar os clássicos!

Quando percebi que as diretorias de plantão, por necessidade política, passaram a prestigiar mais as "organizadas" que os sócios pagantes, deixei de se-lo! E por que? Porque os membros das organizadas sempre delas foram sócios! Contribuíam para as torcidas e não para o clube!Os clubes à míngua, se depauperando dia-a-dia, e os diretores "enchendo a bola" das organizadas que em nada contribuíam para o clube, a não ser denegri-lo com atos de selvageria contra torcedores adversários, organizados ou não!

FUNDAMENTALISMO

Como vc deve ter verificado aí de cima Archimedes, as coisas mudaram e muito! A paixão deixou de ter limites, a ponto de as "organizadas", além de se transformarem em "bandos", passarem, ainda que não sendo - seu membros - sócios do clube, a se considerar "donos" dos símbolos e da tradição do clube.
A ausência de continuidade dos times, a necessidade imperiosa de recursos fez com que as diretorias com isso passassem a compactuar, pela necessidade de apoios. Times sem alma, sem coração passaram a ser formados, com "jogadores profissionais" de 3 ou 4 meses.
Venda de símbolos e tradições arraigadas, como fez o nosso rival da Baixada, que trocou o nome do estádio por necessidade comercial. Ainda não chegamos a isso, mas disso acredito estar próximos!
Ou como fez o pessoal do teu antigo Ferroviário que, de fusão em fusão, conseguiu montar uma grande "con... fusão". Nunca acreditei que paixões arraigadas, sedimentadas possam ser transferidas. O Paraná que aí está terá a sua identidade depois de 40, 50 anos... Isso dependendo de conquistas e de fidelidades!

A utilização da tecnologia tem permitido que as manifestações aconteçam em tempo real, sem qualquer medida de estragos que possam causar e sem apuração adequada de responsabilidades!
Recentemente, numa palestra para alunos de administração - como vc sabe fui professor disso por mais de 20 anos - disse a eles que a tecnologia é neutra, não tem cor, partido, raça, seja lá o que for! O problema é a maneira como ela é utlizada.

Utilizada por fundamentalistas radicais, sem qualquer compromisso com princípios e filosofias éticas, atingirão indistintamente a tudo e a todos, quando o forem por pessoas cegadas pela paixão exacerbada, que não consigam compactuar com contrários e com as comezinhas liberdades que acompanham o ser humano de há muito tempo!

Estes não conseguem ver, enxergar os defeitos do seu objeto de paixão, ainda que claros e evidentes...

Tudo isso para te falar de algo que me aconteceu recentemente e que muito me afetou! Como vc deve saber, o cartunista RafaCamargo é meu genro e, na minha avaliação, tem muito talento, anda que esse não se manifeste diuturnamente, visto que isso é condição de gênios!
Recentemente ele produziu uma "charqe" onde atleticanos e paranistas "gozavam" do eterno rival coxa-branca, pelas suas agruras dentro do campo!
E não é que um grupo que se considera "dono" e fiéis guardiões da tradição e dos símbolos coxa-branca se indignou? Em vez de se concentrar na fragilidade do time e da incompetência da Diretoria, transformou o chargista em objeto de ódio? Ser abjeto, rasteiro, ofensor da dignidade coxa-branca....
A que ponto leva a paixão exacerbada, ilógica! Os times sem alma, sem garra, com atletas de aluguel que temos montado nos últimos anos são desconsiderados! Desvia-se o foco das mazelas internas para considerar um profissional desapaixonada em "persona non grata", violador das mais sagradas estruturas "coxa-brancas".
Lembra do que eu disse da tecnologia? Ela é neutra, mas a sua utilização não! Utilizaram a tecnologia para transformar uma simples charge num crime "lesa-coxa". Desviaram a atenção de um time fraco, repetindo: sem alma, que perde e empata com times de aluguel e que - ESSE SIM - em nada representa as grandes tradições coxas-brancas...
Às vezes me pergunto se isso não é premeditado: desviar a atenção com a criação de um factóide!

Chegamos ao ponto em que geramos fundamentalistas radicais em Curitiba, que se utilizam da tecnologia existentes para agir como fundamentalistas religiosos que se arvoram no direito de condena à morte artistas que ousam utilizar a imagem de seu lider, ou seu santo nome em vão...

E sabe qual o pior, Archimedes? Com os benefícios da tecnologia, criam o clima e se escondem..... Fácil, não?

A questão me remete para os anos de chumbo da ditadura, quando a utilização dos símbolos da Pátria era prerrogativa de um grupo instalado no poder! Quantas pessoas foram presas e constrangidas por utilizar os símbolos pátrios à sua maneira? E, desde quando, nos tempos atuais, supostos "guardiões" das tradições coxa-brancas têm o direito de lançar uma sentença de constrangimento e difamação, inclusive com a "edição" de um trabalho de criação, apenas para causar mais impacto?

Será que eles são maiores e melhores torcedores do que eu e tantos outros, anônimos, somos? Que não nos organizamos em grupos, "sites", etc, para dizer que somos melhores defensores da tradição coxa-branca?

Será que não foram utilizados como massa de manobra para desviar a atenção da crise intestina por que passa o Coritiba e para a fraqueza notória de um time que, nem de longe, pode ser comparado aos que já tivemos, porque sem coração, ve-se em "palpos de aranha" para se classificar para as finais de um campeonatozinho que apenas serve para atender às pretensões políticas dos dirigentes?
Sei lá... Sei, tão somente, que os valores permanecem, enquanto os medíocres desaparecem. Certo estava Campos de Carvalho no seu livro "O PÚCARO BULGARO', um primor de "non-sense" quando dizia:

"só existe uma verdade absoluta: todo racista é um f.d.p."

Aqui, no caso, trocaria o racista por radical, fundamentalista....

Ficamos por aqui Archimedes, torcendo para que o glorioso consiga derrotar, amanhã, o Toledo, para se classificar. Já pensou? Teve 7/8 jogos para se consagrar e fica dependendo do último! E, se perder ou empatar, terá que torcer para que um time de um ex-presidente, que tem nome de empresa, perca ou empate para que não seja remetido às calendas!

Conversaremos mais!

Um grande abraço!
Sinto tua falta e de tudo aquilo que vc representava!

Caro Archimedes...
boa noite
bom dia
boa tarde

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

O RETORNO - Considerações sobre a situação...

Boa noite Archimedes...

Estive ausente, como vc sabe. Compromissos, falta de vontade, conflitos existenciais, aquilo nos aflige sem que tenhamos explicações...

Aliás, a última carta ficou truncada! Não houve o término das impressões do ceguinho sobre o corpo da mulher nua... Que pecado! Mas, tenho certeza de que vc entendeu. Nunca precisamos de grandes explicações para que nos entendêssemos, não é verdade? Nos olhares, nas palavras ditas pela metade; a leitura das entrelinhas.

Nessas ocasiões a poesia pessimista me toma, me enleva; vamos a Augusto dos Anjos, lembra?
Como em "Versos Íntimos":

"Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro da tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera..."

E por aí vai, como "o beijo, amigo, é a véspera do escarro,/a mão que afaga é a mesma que apedreja...

Temos outras preocupações, porém, principalmente com o "status quo" (do qual foi você beneficiado com a privação)...
Depois de muito tempo foi eleito um homem do povo, poder-se-ia dizer. Olhando a sua estória, de migrante nordestino, sofredor, irmão de muitos irmãos, mãe sofredora, abandonada pelo marido...

De alguma maneira, lembra a minha própria estória. O abandono pelo pai; o sofrimento da mãe para que fôssemos corretos, dignos, não nos perdêssemos. Seus sacrifícios, seus exemplos. Inflamamo-nos de esperança de que haveríamos de ter, finalmente, alguém com sensibilidade para as necessidades mais comezinhas da população...

A mim, pessoalmente, que professor fui por tantos anos, Archimedes, vislumbrei a possibilidade do retorno da dignidade da carreira do magistério: o respeito da sociedade pelos educadores e educadoras! Quem sabe, um retorno à Escola Normal, à formação de normalistas? Lembra do respeito que tínhamos pelas professorinhas? Das lembranças daquelas que marcaram nossas vidas? Ainda mais com as notícias de abandono e de desprezo governamental pela carreira!
Pululam notícias de professores e professoras sendo agredidos diuturnamente em sala de aula. Já pensou? E o pior! Na maioria das vezes sem qualquer amparo de quem de direito!

Deu-se uma banana ao respeito e à disciplina!

Assim, tínhamos fundadas esperanças com o novo eleito....

Ledo engano! O que estamos vendo é uma política de atendimento, de subserviência aos de sempre. O nosso Presidente, vc acredita, deixa-se fotografar com um copo de bebida alcoólica, mas não com um livro nas mãos! Chega, inclusive, a demitir o Ministro da Educação rapidamente, por ter propostas e, presumo, incomodar! Faz questão de afirmar que não há necessidade de estudos para ser Presidente! É, tem razão, realmente não há necessidade!

Mas, alisa a cabeça e defende "companheiros" com notórios desvios de conduta, além de desvios outros de recursos públicos.

Então, a "quimera" a que se referia Augusto dos Anjos tem razão de ser! A esperança de políticas de longo prazo focadas na educação, na saúde, deu lugar a populismos, assistencialismo.

E não é que deu certo? Vc nem imagina o quanto! As políticas assistencialistas colocaram a popularidade dele nas alturas. E o quadro não mostra indícios de mudança.

E a esperança foi vencida pelo desencanto, pelo desalento! A impossibilidade de alterar o "status quo", pelo menos a curto prazo, faz com que nos recolhamos àqueles pensamentos de isolamente, de abstinência, de nojo para com tudo o que se relaciona com o bem público.

Mas, não pense que temos só fracassos! Pelo contrário: o País tornou-me uma referência na máquina de arrecadação! Vc precisa ver a capacidade dos órgãos arrecadadores do Estado!
Recordes e recordes de arrecadação são anunciados mês a mês.

Pena que, como vc deve saber, o excesso recaia sempre sobre os mesmos e que os valores não retornem para os investimentos que imaginávamos prioritários... Na sua maioria são utilizados apenas para o custeio da máquina (descontados os percentuais da corrupção, diga-se de passagem).

Amargo estou hoje Archimedes! Gostaria de falar das noites encantadas de poesia, dos prazeres compartilhados com estranha que hoje apenas são lembranças físicas!

Mas, além de Augusto dos Anjos, baixou-me o espírito de Fernando Pessoa... Não discutimos muito ele, por ignorância.

AUTOPSICOGRAFIA

O POETA é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega e fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Nas as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração."

E então por aqui ficamos Archimedes... Espero voltar com melhoras, na próxima...





quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

VEIA POÉTICA - Novas sensações


Archimedes....

Boa noite!
Estive ausente... Dois dias em Curitiba tratando de assuntos pessoais. Aquela rotina que nos determina o que fazer, que nos dita os procedimentos...

Te negligenciei nesse período. Mas eis-me de retorno.

Um texto, para vc criticar, como início da nossa conversa desta noite!

"TEXTOS EXPARSOS

Esparsos, soltos, desconexos...

Olho para o teclado! Busco algo para te dizer.

As letras bailam em minha frente, fogem, escondem-se!

Não querem ser tocadas, concatenadas para a construção de frases para ti!

Ciumentas, desejam que eu as toque com sensual lascívia, como quem acaricia um seio, um glúteo!

Observo o número 8.... Ele se inverte, imitando os teus seios.... O que fazer com um “8’? Imagino-o com um ponto no meio, busco o ponto... Pronto” tuas peras delicadas descobrem-se à minha frente, oferecendo-se gentilmente.

Inverto o 3.... parece as tuas nádegas... estendo meus dedos.. toco-os gentilmente!

Sinto-os estremecer, como se vibrando estivessem com o toque!

Busco a tua boca nas demais letras... a vírgula circula, daqui pra lá, de lá pra cá... Ri de mim, da minha indecisão... Busco, reflito... aflito!

Ah! Desenha-se diante de mim os traços dos teus lábios sensuais: pego um dos parênteses e o mudo de posição: ei-los se oferecendo, me buscando!

Sinto que o teclado está a ponto de travar, de ciúmes.... Antes, vou à vírgula e a prendo: é a tua língua enroscada na minha! Beijo longo, animalesco... Não quero desgrudar! Sugo-a... forço-a ao meu contato frenético...

E teus olhos? Onde estão os teus olhos? Tantas opções: dois “os” com circunflexo sobre; dois “0”s com um traço de união (ou quem sabe um dos parênteses invertido)... sobreposto a ele...

Qual mais te agrada? Não importa a mim... Importa tão somente a imensa luz que deles emana e que me inunda com a tua presença!

Estranha compulsão! Em tudo que penso e faço vc está presente; espicaçando, animando, única! Presente em todos os momentos...

O que fazer?

Fpolis.... 007"



E então? o que achou? Algo dirigido a uma mulher, é óbvio (rs)... Lembra do que te disse das noites em aqui estou, contemplando o negror que me chega através da minha janela? Durante o dia há sempre o balé dos beija-flores que vêm sugar o néctar que lhes deixo; não só os beija-flores, mas também um pequeno pássaro de peitinho amarelo (dizem ser saíra); por ignorância chamo-s de "protótipos de bem-te-vi". São vorazes e estão habituados à minha presença. Às vezes sinto-os como que reclamando o líquido, quando terminado...

Mas, continuando, o texto sobre a mulher, descrevendo-a através da letras do teclado... Algo que sempre me passou pela mente: utilizar as teclas para descreve-las. Além de outras imagens, como a de um cego que utilizasse as mãos para "sentir" como seria o corpo de uma mulher. Um homem que nunca houvesse tocado uma; que não tivesse expectativa sobre!

As mãos deslizando pelo relevo do corpo; por onde começaria? pelos pés? Os pés já seria um caminho conhecido, por experiência própria. Segue, com cuidado e persistência pelos tornozelos, pelas coxas. Chega ao ponto central das coxas! Se uma mulher ao natural, sem cuidados depilatórios (rs), um imenso tufo de pelos a ser tocado, sentido. Cheirado, talvez? Quem sabe?

A comparação com o seu próprio corpo o levará a um sem número de indagações! Mas, o imenso histórico de sensações contidos em sua base universal de memória certamente o levará ás conclusões adequadas sobre o que está tocando. Não demorárá a chegar às conclusões apropriadas... Mas, sem os pelos, o que imaginaria o nosso explorador? Falha! Defeitos desconhecidos! Como a pesquisa se dá no campo físico, não há como saber o que o íntimo da explorada queria.

Mas, qual será o comportamento? Passará os dedos, rapidamente, envergonhados, trêmulos? Ou arriscará uma carícia, uma "bolina"? Não discutamos sobre essas questões de fôro intímo, não é? Passemos para a fase seguinte: o passeio pelas coxas... Subamos, mais, para a barriga, a cavidade do umbigo. Mais um pouco e chega aos seios!

domingo, 10 de fevereiro de 2008

VEIA POÉTICA - contin....

Boa noite Archimedes!

Mais um dia de calor; daqueles dias em que parece que o céu se aproxima da terra e te comprime contra ela. Como se fôssemos ser transformado em superfícies planas. Já pensou? A noite está sendo generosa; uma chuva miúda serviu para compensar o dia ingrato de calor insano. Uma brisa passa por aqui, refresca o corpo e a alma!

Da minha janela observo o quintal, sinto o frescor da noite. Por aqui há pouco barulho, poucas luzes. Com o tempo, como não poderia deixar de ser, fui adquirindo manias. Uma delas é uma total e completa aversão a ruídos. A não ser aqueles proporcionados por uma bela música...

Às vezes, quando por aqui estou, lendo, escrevendo, parece que uma ninfa voeja à minha frente; flana, numa roupa branca, transparente, que tudo sugere mas nada mostra. Observa-me, com doçura, como se velasse por mim, como se me inspirasse. Um halo de luz a circunda; vejo seus olhos brilharem na escuridão!
Aquieto-me, amanso-me, como se isso fizesse com que ela por aqui permanecesse indefinidamente! Os momentos de calma e de tranquilidade que me invadem parecem que se perpetuarão. Mas, assim como veio, se vai... Deixa um rastro de paz no ar. Lembra aquela fadinha do filme "Peter Pan", lembra? "Sininho", se a memória não me trai. Nem tanto infantil diga-se de passagem!

Mas, lembra do que conversávamos na última vez? Sobre o conto a respeito do personagem de Raiz da Serra? Pois é... Após o contato, a constatação de que "para quem nada sabe não existem angústias", fiquei imaginando que a eles é poupado o cansaço mental das informações excessivas. Felizes, tranquilos, cansaço apenas fisico!

Ah! Archi.... Vc se foi antes da internet; antes da transformação do mundo em "aldeia global", como previsto. Vc foi poupado! Mas, por que tudo isso numa mansa noite de domingo? Apenas para te dizer que se conseguíssemos, como o participante do meu conto, viver apenas daquilo qe entendemos, o sofrimento seria bem menor! Aceitaríamos com mais facilidade; os cansaços seriam apenas físicos, da jornada braçal do trabalho. Não haveria, como nos versos daquela música:

"Vim pela noite tão longa
de fracasso em fracasso.
E hoje descrente de tudo
me resta o cansaço:
cansaço da vida,
cansaço de mim.
Eles se chegando
e eu chegando ao fim..."


Sim, penso nisso, amiúde. Mas me consolo no pragmatismo, no ceticismo, muitas vezes. Não como forma de vida, de ação. Mas de reconhecimento das minhas impossibilidades e das minhas limitações.
Talvez tenha a ver com meu pai. Lembro-me de que, numa das nossas conversas você dele me perguntou.
Como te disse, para mim ele morto permaneceu depois dos meus cinco anos, após nos abandonar: à mamãe, meus irmãos e a mim. Morto ele permaneceu, na minha memória afetiva, desde aquela época, a dos 5 anos.
Morto, efetivamente, eu o vi há cerca de 20 anos, como consideração a um pedido do seu irmão - meu tio - quando do seu passamento. Apenas um ato formal...

Para mim, amor filial não depende de um momento de prazer, de idêntico sangue, de genética! Mas, isso sim, de presença física, exemplos, mútuos auxílios, amparo. Participação, sacrifícios!

Pais e parentes biológicos não se escolhem; vêm, como fator natural. Pais efetivos, muitas vezes, ou na sua maioria, nada têm a ver com biologia, mas com carinho, amor e amparo: a presença constante! a participação!

Por isso tudo, considero hipocrisia supostas manifestações de amor de pessoas que sem parentes biológicos ficam por longo tempo. Não há amor, mas apenas curiosidade. Tributo isso à sensação de reconhecimento social: as pessoas, de maneira geral, apreciam tais comportamentos.

De há muito queria te dizer isso tudo. Nas nossas andanças estivemos preocupados em desfrutar, no prazer da companhia, das conquistas, das seduções! Conversamos sobre aqueles temas áridos do existencialismo, da filosofia de almanaque. Mas, quase nunca sobre nossos próprios sentimentos... Creio que o faremos por aqui!

Voltarei...

Boa noite!

W.


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

VEIA POÉTICA....

Boa noite Archi....

Quente por aqui... Não me lembro de ter dito a vc que hoje estamos morando em Florianópolis. Desmamamos os filhos e resolvemos viver um ócio planejado (sabia que isso é moda hoje em dia?).
Como disse, 0 calor infernal permanece. Sinto saudades das nossas tardes amenas de outono em Curitiba. Mais ainda quando o meu horizonte mais próximo era o que fazer no final de semana!
Lembro dos tempos da Faculdade, quando me povoavam a mente todas aquelas idéias de reformar o mundo, tão comuns naquela época!

No meu caso através da literatura, de ter cometido um conto. Próximo a Curitiba,adorava passeios até a base da serra, Serra do Mar (serra dos meus sonhos e dos meus encantos). Por causa dela até hoje adoro aquela música do Lamartine Babo: "Serra da Boa Esperança"; por que não Serra do Mar? Ah! o nome não combina...

A serra, como sabemos, fica nos arredores, caminho obrigatório para quem vai ao litoral, ou a Santa Catarina... Pouco antes, Piraquara... logo após Mananciais da Serra (Curitiba é abastecida pelos rios que descem da serra).

Lugarejo pequeno, parcos habitantes, tranquilos, onde o tempo pesa como chumbo e os dias se arrastam, sem levar ilusões.

Num passeio faço contato com um habitante, no conto, a quem peço água e damos aqueles "dedos de prosa", habituais a ele, nem tanto a mim. Cometi a frase durante a conversa:

"... a quem nada sabe não restam angústias". Parece que, na figura simples do meu intelocutor a afirmação cabe como roupa feita sob medida. Para ele, fico sabendo, os acontecimentos relevantes foram, na época do relato, a morte do Presidente Getúlio Vargas e a conquista da Copa do Mundo, em 1.958... E estávamos adiantados nos anos 60...

Isso explica, de certa forma, a nossa despreocupação. Mas, como diz o título, hoje exercitei a minha veia poética. Lembrei das mulheres que partilhamos (rs)... E imaginei situações pelas quais passamos e que poderia ter descrito, logo após, como:

RESCALDO

Acordo do cochilo rápido,

Depois de escaramuças amorosas.

Abro os olhos, observo;

Sinto ainda, em minha boca,

O gosto da tua boca,

O gosto do teu sexo.

As tuas marcas no meu corpo,

Unhas nas costas,

Orelhas mordiscadas,

Falo avermelhando pela

Aspereza da tua língua.

Sinto teu suco correndo

Pelas minhas coxas,

O meu lambuzando

Teus seios (como foi gostoso

Te ver receptiva...)

No chão, vestígios da luta: sapatos,

Meias, blusa, saia, camisa, calça espalhadas

Como pegadas indicando a

Trilha da cama,

Nosso campo de batalha....

Curioso, observo

Uma cena criada ao natural:

Minha cueca sobre tua calcinha,

Numa cena muitas vezes

Repetida, imaginada, realizada...

Parece que, no rés do chão,

Tentam continuar na nossa

Lassidão.

Vc cochila apoiada no

Meu braço. Tranqüila, relaxada,

Ar risonho no teu rosto.

Observo as minhas marcas,

Na curva das tuas nádegas,

Nas tuas coxas,

Nos bicos dos teus seios.

Lentamente, abres os

Olhos que adoro tanto:

Profundos, vibrantes, risonhos!

Fita-me com carinho,

Estende teus braços, enlaça

Meu pescoço:

Beija-me, enroscando tua língua na minha:

“Querido”, sussurras carinhosamente...

“Vamos ao banho?


O texto é recente; mas levou-me à nossa época.... O que vc achou?

Conversaremos mais à frente. Voltarei às lembranças de Raiz da Serra e, quem sabe, a novas incursões poéticas...

Boa noite!