sábado, 22 de novembro de 2008
Boa noite!
Chove a cântaros! Não temos tido trégua nas últimas semanas e parece que não teremos nos próximos dias!
Ah! Archimedes... que a chuva não nos molhe os corações! Os corpos sim, mas os corações que se mantenham intatos, predispostos ao amor, sempre!
Aquele que, ao pequeno toque,
vê nos olhos dos pequenos,
a ternura que tivemos
e que quase não mantemos!
A busca, a incessante busca...
pelos meandros da mente,
que nos determina: pressa,
frenesi, procura!
Que não nos deixa relaxar,
que nos força ao ranger dos
dentes, a contração dos músculos para,
à noite, cansados, exaustos,
busquemos razões para
tanta fadiga!
A incapacidade de olhar
e "ver" e não, simplesmente,
passar os olhos sem entender
que a beleza, o encanto,
estão à nossa frente;
mas perdemos a limpidez
nos olhos que nos permitia
enxergar beleza onde apenas
caos havia! Ternura, onde
rudeza preponderava...
Ilumina-me Archimedes!
Traz a tua paz infinita
para o meu dia-a-dia,
para que eu possa ser
melhor do que já fui ontem
e amanhã, melhor
do que sou hoje!
Pois é, Archimedes... Essa chuva, esse mofo, esse bolor! Aos poucos, sem que se queira, tomam conta! Faz com que me dirija a você com pesadas contradições! Espero que, na próxima, a alma combine com o espírito de regozijo que sempre permeou nossa relação! Desculpe, hoje fui picado pelo mosquito da desventura!
Abraços
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
boa noite
bom dia
boa tarde
Temos tido temporada de chuvas não usuais por aqui! Estranho! Olho para a Marliese, ambos olhamos para fora e vemos a água caindo:
"- Assim viraremos sapos", ela diz...
- É verdade", completo. E a conversa inconsequente perdura...
Por falar em sapos, sinto a falta deles. Quase não se vê mais a figura daqueles grandões, que se escondiam sob pedras. Dizem os entendidos que eles são muito frágeis; as alterações profundas pelas quais têm passado os seus "habitats" estão conduzindo-os ao extermínio.
Mas, voltando à chuva... Sempre quis saber, Archimedes, como é a coisa por aí, em termos de clima. Habituados que estamos com o que vemos por aqui, não conseguimos imaginar, depois de desencarnados, um lugar que não se assemelhe ao nosso! Pergunto-me:
" - Vou ao Archimedes e indagar se por lá chove, venta, esfria, faz calor". Será?
Ou será que tais questões deverão ser colocadas a Caronte quando do transporte para o outro lado...
Outra questão que tem me chamado a atenção, em razão da diversidade de cultos, todos com as suas peculiaridades e determinando que cada um de nós somente chegará aos céus, ao Éden, pelas regras de cada um...
"Será que o Paraíso é dividido em Departamentos especializados?"
Um, para os muçulmanos, talvez com aquelas virgens prometidas para os que se sacrificam, se imolam em guerras santas; outro para os católicos, talvez com querubins à porta, com mensagens celestiais e coros de boas vindas; outro, mais austero, para os protestantes.
Ou talvez, uma bela construção envidraçada, com espelhos mil - resultado dos milhões de doações - para os evangélicos...
Confraternizariam por lá os seguidores de cultos diferentes? E o Deus deles, seria o mesmo? Ou cada uma das religiões teria o seu!
Archimedes, você bem que poderia se comunicar comigo e me dizer algo a respeito! Inclusive me dizendo qual é o melhor caminho, qual o melhor Paraíso, de tantos prometidos!
Diga-me, dê-me uma pequena "dica", por menor que seja, para que já vá me preparando!
Abraços saudosos...
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
boa noite
bom dia
boa tarde
Eis que, depois de tanto tempo (e ponha tempo nisso!) retornamos!
Preguiça, falta de vontade, quantos defeitos acumulados pelos anos fazem com que deixemos sempre para amanhã!
Eu ouvi os teus reclamos Archimedes!
Nas noites de chuva e vento, na minha janela, voltado para o negrume da noite, silencio absoluto, apenas com o som de Noturnos de Chopin, sonatas de Beethoven, Errol Garner e seu piano inconfudível, fiquei jogando minhas energias fora, sem vontade de até aqui vir e contar das minhas alegrias e das minhas angústias...
Alegrias, como o sorriso encantador do Felipe, netinho que veio trazer ternura aos meus dias. Lembro-me de que, quando juntos, não chegamos a discutir o prolongamento das gerações através dos netos. Estávamos ocupados por demais em curtir, gozar as delícias que os nossos tempos de irresponsabilidade consentida proporcionavam.
Tempos que me acorrem, sempre! Rementem-me para aquela diversão sadia, inconsequente até certo ponto, sem qualquer tempero de drogas e outros males!
Mas, como te disse lá em cima, ouvi os teus reclamos! Nas noites, nos dias de sono, em todos os momentos senti os teus reclamos pela minha ausência... Talvez porque, nesse período, deixei-me envolver pelas angústias, pelos temores, pelo sofrimento antecipado de coisas que não o poder de alterar, visto que aquilo que está feito, feito está!
Aquela sensação descrita por Kafka de se acordar metamorfoseado em inseto! Mas, ao abrir os olhos, a mão corre o corpo e vê que tudo está no lugar; a única coisa que não muda, como gostaríamos, é a cabeça, a mente. Dia-a-dia ela nos impele a comportamentos que tentamos mudar e não conseguimos! Falta-nos aquele indispensável interruptor...
Estarei aqui diuturnamente! Te darei aquilo que a verve conseguir produzir. Idéias não faltam! Vêm e povoam a minha cabeça; algumas anoto para desenvolver, outras se vão, como a areia da praia defronte à minha casa. Pois é, creio que não te disse: hoje moro defronte a praia. Não aquela com longo trecho de areia, mas um pouquinho só, e com o o fundo do mar com lodo, visto ser praia de baía, o que nos dá um certo desconforto quando se anda dentro d'água; porém, ainda assim praia, com aquela visão de piscina quando a água calma está, quando não temos vento...
Venta muito por aqui, mais do que o suportável em certas ocasiões.
Falarei mais disso e de outros que tais...
Me vou agora, Archimedes, ao som de um bolero "daqueles" que adorávamos dançar nas tardes dançantes e nos bailes dos sábados:
"Nosotros, que nos queremos tanto
Devemos separar-nos
No me pregunte mas....."
Boa noite!
quarta-feira, 16 de abril de 2008
O SENTIDO DA VIDA....
Da última vez que conversamos te falei da estupidez concentrada naqueles que utilizam o radicalismo como modo de vida, de expressão.
Creio que me estendi; mas o momento exigia! Raramente falo disso, até por que não tenho a bagagem sociológica necessária para tentar explicar tal fenômeno.
Os novos tempos, a tecnologia abundante permitem que manifestações que passavam desapercebidas muitas vezes aflorem, tal qual praga, erva daninha.
Teremos muito o que discutir sobre isso. No caso, o "gancho" foi o futebol que, como muitas outras coisas que víamos como e com idealismo, deixaram de te-lo e de se-lo.
Dia desses, revendo textos antigos, encontrei um escrito quando ainda estavas conosco, em que a discussão era o sentido do que fazíamos por aqui. Resolvi te mandar. Aguardo que analises e me faças saber o que pensas, da forma que achares melhor...
Que busca aquele que intensamente procura, no complexo de alucinações que é seu cérebro doentio, a salvação para suas angústias? Mas, nada encontrando, não tendo solução para o que se pergunta, busca a justificativa no mundo que o cerca e que não o compreende. Luta com a razão que diz ser a sua existência a única finalidade plausível para aqui estar.
Não poderá questionar com o inevitável...Se ao seu lado passa o fantasmagórico bonde da adversidade, dos desenganos, contempla-o absorto! Não consegue perceber a claridade dos fatos, que porventura alguém tentou deixar visível para os olhos cansados pelas penosas noites de vigília; quando nada mais se encontrava a sua frente, senão o fundo sombrio de um copo, o retângulo da mesa... deixando o tempo correr, amargas lembranças, sempre mais amargas do que doces...
Persiste, porém, a questão: qual é afinal a razão disso tudo? Por que não pode, como todos os demais, ser conformado com a sua sorte, satisfeito com a metódica existência, sem aspirações maiores, sem ambições inconfessáveis, senão aquelas comuns e corriqueiras para a maioria?
Procura, reformula, luta por uma solução e, desanimado, queda-se cansado, extenuado, às voltas com suas frustrações, que não são de todos , mas de uma minoria que com ele não se liga; as raízes da insatisfação não são tão comuns assim a membros da mesma espécie. Afastam-se, por sinal, para não verem nas faces dos semelhantes os estigmas da dúvida cruel. Iludem-se com o convívio dos despreocupados, dos rotineiros, sem mais desejos do que todos seus desejos satisfeitos e sua aparência conservada...
Que rede é essa que foi jogada sobre seus ombros, e que não me deixa viver em paz? Que fez para merecer tal atribulação, se assim não desejou, e se suas forças não são o suficiente para a manutenção e perfeito equilíbrio do espírito?
Quisera saber qual, afinal, é o objetivo da existência... Não de há muito, ignorava por completo todas essas questões e limitava-se a simplesmente viver, deixando o desenvolvimento se processar ao natural, sem indagações. O espírito então se deliciava com as cores de tudo aquilo ao redor. Não ocorria indagar: “de onde venho? para onde vou?” Não havia razão para perguntas sobre a razão de ser das coisas e das gentes. Por que, só agora, quando a paz almejada finalmente poderia ser encontrada se vê na contingência de a alma sucumbir com tão complexas questões?
Questões para as quais , até agora, não se encontraram respostas e das quais não tem nenhum potencial de conhecimento para se aprofundar?
Por que não nos é dado o direito de escolher entre a paz, se é que ela existe. e a indagação constante dos destinos a que estamos ligados, quer queiramos ou não?. Como gostaria de voltar aos tempos da ingenuidade e dos prazeres simples, das curtas calças que me pareciam odiosas e que tanto bem me fariam agora! Onde escondi, afinal, os meus mais caros sonhos de infância?
Não posso ignorar as perguntas que estão no ar, e que as respostas nas as terei agora – se é que algum dia as terei – será que a vida me responderá? Será que terei de sujeitar-me à surda conformação, deixando todos os males que afligem minha alma corroerem-me, não me dando tempo sequer para gozar dos simples prazeres da vida?
Oh! Deus!, angústias tolhem-me os movimentos, tiram-me o ânimo, desgastam as minhas reservas morais, prostram-me abatido, injuriando aqueles que poderiam me dar a mão..."
Hoje é um dia "daqueles"...Até!
sábado, 5 de abril de 2008
FUNDAMENTALISMO ESPORTIVO - A respeito de radicais e fundamentalistas do futebol....
Fiquei muito tempo ausente. Viagens, falta de inspiração, problemas relacionados à utilização deste espaço...
Mas, hoje, dia 5 de março, quando sob o impacto do falecimento do Evangelino Costa Neves, do qual vc deve se lembrar muito bem, Presidente dos Coxas Brancas na época de times com alma e substância, resolvi te escrever para falar de futebol, algo que privamos bastante
malgrado o fato de você ser um "boca-negra" empedernido.
Os tempos mudaram e muito, Archimedes! O teu Ferroviário se foi, hoje é Paraná Clube, sem identidade e sem o carisma "boca", até porque estes, como você, também estão indo.
Você sempre soube da minha paixão coxa: paixão que me levou a converter filhos, filha, sobrinhos e tantos quantos se deixaram influenciar; que me levou a disputar uma eleição viciada para ser Diretor do Clube que, felizmente, segundo minha mulher, perdemos!
E perdemos para um grupo do qual fazia parte o vice-presidente que ora se demitiu! Embora derrotado, não deixei que a política toldasse o amor pelas cores alvi-verdes. Internado por uma noite inteira e meio dia num hospital para exames de rotina, produzi, UMA ÉPOCA EM QUE NÃO SE FALAVA EM "MARKETING" COMO HOJE, UM PLANO DE MARKETING PARA O CORITIBA FOOTBALL CLUB, que foi entregue pelo jornalista Vinicius Coelho à diretoria daquele tempo, cujo presidente era alguém chamado Amauri Santos, que deixou o clube em situação não muito bem esclarecida. Na oportunidade assumiu o vice, o mesmo que agora renuncia. O plano foi todo manuscrito!
Até hoje, decorridos mais de 25 anos, espero resposta. Previa aumento de sócios para cerca de 25.000 (já pensou?). Sócios ausentes, utilização do espaço ocioso do estádio, que deveria render; utilização racional da propaganda estática e outros que tais. E tudo isso por idealismo, graciosamente!
Isso passou a ser feito muito tempo depois de forma e custo que não vem ao caso comentar!
Posteriormente, fui convidado e aceitei ser Conselheiro do Glorioso.
Por uma gestão apenas; a forma como ele atuava não me encantou. E acabei não pugnando para continuar por vários motivos. O mais importante foi o crescimento das torcidas organizadas!
Nunca concordei com os privilégios que as diretorias de plantão concederam a elas, em detrimento dos associados de longa data: ingressos gratuitos, locais no estádio, subsídio para viagens! Quantas vezes vi a arquibancada da rua Mauá ocupada militarmente pelos integrantes de tais torcidas, sem que os pagantes o pudessem utilizar! E o que é pior: afastados animalescamente pelos marginais das ditas "torcidas"... Saliente-se que esse não é um problema específico do Coritiba, mas um fenômeno social, que afeta todos os clubes.
Em decorrência delas - as torcidas organizadas - deixamos de fazer o que mais apreciávamos, lembra? Presenciar juntos, vc "boca-negra" e eu "coxa", os jogos dos nossos times, nas tardes ensolaradas de domingo! Comparecer ao campo do adversário vestido com a camisa do seu clube passou a ser crime conta a ordem estabelecida pelos marginais travestidos de torcedores! Quando houve ameaça à integridade física do Alexandre, meu filho mais velho, por marginais vestidos com a camisa do Atlético, em jogo no Belfort Duarte, deixei de frequentar os clássicos!
Quando percebi que as diretorias de plantão, por necessidade política, passaram a prestigiar mais as "organizadas" que os sócios pagantes, deixei de se-lo! E por que? Porque os membros das organizadas sempre delas foram sócios! Contribuíam para as torcidas e não para o clube!Os clubes à míngua, se depauperando dia-a-dia, e os diretores "enchendo a bola" das organizadas que em nada contribuíam para o clube, a não ser denegri-lo com atos de selvageria contra torcedores adversários, organizados ou não!
FUNDAMENTALISMO
Como vc deve ter verificado aí de cima Archimedes, as coisas mudaram e muito! A paixão deixou de ter limites, a ponto de as "organizadas", além de se transformarem em "bandos", passarem, ainda que não sendo - seu membros - sócios do clube, a se considerar "donos" dos símbolos e da tradição do clube.
A ausência de continuidade dos times, a necessidade imperiosa de recursos fez com que as diretorias com isso passassem a compactuar, pela necessidade de apoios. Times sem alma, sem coração passaram a ser formados, com "jogadores profissionais" de 3 ou 4 meses.
Venda de símbolos e tradições arraigadas, como fez o nosso rival da Baixada, que trocou o nome do estádio por necessidade comercial. Ainda não chegamos a isso, mas disso acredito estar próximos!
Ou como fez o pessoal do teu antigo Ferroviário que, de fusão em fusão, conseguiu montar uma grande "con... fusão". Nunca acreditei que paixões arraigadas, sedimentadas possam ser transferidas. O Paraná que aí está terá a sua identidade depois de 40, 50 anos... Isso dependendo de conquistas e de fidelidades!
A utilização da tecnologia tem permitido que as manifestações aconteçam em tempo real, sem qualquer medida de estragos que possam causar e sem apuração adequada de responsabilidades!
Recentemente, numa palestra para alunos de administração - como vc sabe fui professor disso por mais de 20 anos - disse a eles que a tecnologia é neutra, não tem cor, partido, raça, seja lá o que for! O problema é a maneira como ela é utlizada.
Utilizada por fundamentalistas radicais, sem qualquer compromisso com princípios e filosofias éticas, atingirão indistintamente a tudo e a todos, quando o forem por pessoas cegadas pela paixão exacerbada, que não consigam compactuar com contrários e com as comezinhas liberdades que acompanham o ser humano de há muito tempo!
Estes não conseguem ver, enxergar os defeitos do seu objeto de paixão, ainda que claros e evidentes...
Tudo isso para te falar de algo que me aconteceu recentemente e que muito me afetou! Como vc deve saber, o cartunista RafaCamargo é meu genro e, na minha avaliação, tem muito talento, anda que esse não se manifeste diuturnamente, visto que isso é condição de gênios!
Recentemente ele produziu uma "charqe" onde atleticanos e paranistas "gozavam" do eterno rival coxa-branca, pelas suas agruras dentro do campo!
E não é que um grupo que se considera "dono" e fiéis guardiões da tradição e dos símbolos coxa-branca se indignou? Em vez de se concentrar na fragilidade do time e da incompetência da Diretoria, transformou o chargista em objeto de ódio? Ser abjeto, rasteiro, ofensor da dignidade coxa-branca....
A que ponto leva a paixão exacerbada, ilógica! Os times sem alma, sem garra, com atletas de aluguel que temos montado nos últimos anos são desconsiderados! Desvia-se o foco das mazelas internas para considerar um profissional desapaixonada em "persona non grata", violador das mais sagradas estruturas "coxa-brancas".
Lembra do que eu disse da tecnologia? Ela é neutra, mas a sua utilização não! Utilizaram a tecnologia para transformar uma simples charge num crime "lesa-coxa". Desviaram a atenção de um time fraco, repetindo: sem alma, que perde e empata com times de aluguel e que - ESSE SIM - em nada representa as grandes tradições coxas-brancas...
Às vezes me pergunto se isso não é premeditado: desviar a atenção com a criação de um factóide!
Chegamos ao ponto em que geramos fundamentalistas radicais em Curitiba, que se utilizam da tecnologia existentes para agir como fundamentalistas religiosos que se arvoram no direito de condena à morte artistas que ousam utilizar a imagem de seu lider, ou seu santo nome em vão...
E sabe qual o pior, Archimedes? Com os benefícios da tecnologia, criam o clima e se escondem..... Fácil, não?
A questão me remete para os anos de chumbo da ditadura, quando a utilização dos símbolos da Pátria era prerrogativa de um grupo instalado no poder! Quantas pessoas foram presas e constrangidas por utilizar os símbolos pátrios à sua maneira? E, desde quando, nos tempos atuais, supostos "guardiões" das tradições coxa-brancas têm o direito de lançar uma sentença de constrangimento e difamação, inclusive com a "edição" de um trabalho de criação, apenas para causar mais impacto?
Será que eles são maiores e melhores torcedores do que eu e tantos outros, anônimos, somos? Que não nos organizamos em grupos, "sites", etc, para dizer que somos melhores defensores da tradição coxa-branca?
Será que não foram utilizados como massa de manobra para desviar a atenção da crise intestina por que passa o Coritiba e para a fraqueza notória de um time que, nem de longe, pode ser comparado aos que já tivemos, porque sem coração, ve-se em "palpos de aranha" para se classificar para as finais de um campeonatozinho que apenas serve para atender às pretensões políticas dos dirigentes?
Sei lá... Sei, tão somente, que os valores permanecem, enquanto os medíocres desaparecem. Certo estava Campos de Carvalho no seu livro "O PÚCARO BULGARO', um primor de "non-sense" quando dizia:
"só existe uma verdade absoluta: todo racista é um f.d.p."
Aqui, no caso, trocaria o racista por radical, fundamentalista....
Ficamos por aqui Archimedes, torcendo para que o glorioso consiga derrotar, amanhã, o Toledo, para se classificar. Já pensou? Teve 7/8 jogos para se consagrar e fica dependendo do último! E, se perder ou empatar, terá que torcer para que um time de um ex-presidente, que tem nome de empresa, perca ou empate para que não seja remetido às calendas!
Conversaremos mais!
Um grande abraço!
Sinto tua falta e de tudo aquilo que vc representava!
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
O RETORNO - Considerações sobre a situação...
Estive ausente, como vc sabe. Compromissos, falta de vontade, conflitos existenciais, aquilo nos aflige sem que tenhamos explicações...
Aliás, a última carta ficou truncada! Não houve o término das impressões do ceguinho sobre o corpo da mulher nua... Que pecado! Mas, tenho certeza de que vc entendeu. Nunca precisamos de grandes explicações para que nos entendêssemos, não é verdade? Nos olhares, nas palavras ditas pela metade; a leitura das entrelinhas.
Nessas ocasiões a poesia pessimista me toma, me enleva; vamos a Augusto dos Anjos, lembra?
Como em "Versos Íntimos":
"Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro da tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera..."
E por aí vai, como "o beijo, amigo, é a véspera do escarro,/a mão que afaga é a mesma que apedreja...
Temos outras preocupações, porém, principalmente com o "status quo" (do qual foi você beneficiado com a privação)...
Depois de muito tempo foi eleito um homem do povo, poder-se-ia dizer. Olhando a sua estória, de migrante nordestino, sofredor, irmão de muitos irmãos, mãe sofredora, abandonada pelo marido...
De alguma maneira, lembra a minha própria estória. O abandono pelo pai; o sofrimento da mãe para que fôssemos corretos, dignos, não nos perdêssemos. Seus sacrifícios, seus exemplos. Inflamamo-nos de esperança de que haveríamos de ter, finalmente, alguém com sensibilidade para as necessidades mais comezinhas da população...
A mim, pessoalmente, que professor fui por tantos anos, Archimedes, vislumbrei a possibilidade do retorno da dignidade da carreira do magistério: o respeito da sociedade pelos educadores e educadoras! Quem sabe, um retorno à Escola Normal, à formação de normalistas? Lembra do respeito que tínhamos pelas professorinhas? Das lembranças daquelas que marcaram nossas vidas? Ainda mais com as notícias de abandono e de desprezo governamental pela carreira!
Pululam notícias de professores e professoras sendo agredidos diuturnamente em sala de aula. Já pensou? E o pior! Na maioria das vezes sem qualquer amparo de quem de direito!
Deu-se uma banana ao respeito e à disciplina!
Assim, tínhamos fundadas esperanças com o novo eleito....
Ledo engano! O que estamos vendo é uma política de atendimento, de subserviência aos de sempre. O nosso Presidente, vc acredita, deixa-se fotografar com um copo de bebida alcoólica, mas não com um livro nas mãos! Chega, inclusive, a demitir o Ministro da Educação rapidamente, por ter propostas e, presumo, incomodar! Faz questão de afirmar que não há necessidade de estudos para ser Presidente! É, tem razão, realmente não há necessidade!
Mas, alisa a cabeça e defende "companheiros" com notórios desvios de conduta, além de desvios outros de recursos públicos.
Então, a "quimera" a que se referia Augusto dos Anjos tem razão de ser! A esperança de políticas de longo prazo focadas na educação, na saúde, deu lugar a populismos, assistencialismo.
E não é que deu certo? Vc nem imagina o quanto! As políticas assistencialistas colocaram a popularidade dele nas alturas. E o quadro não mostra indícios de mudança.
E a esperança foi vencida pelo desencanto, pelo desalento! A impossibilidade de alterar o "status quo", pelo menos a curto prazo, faz com que nos recolhamos àqueles pensamentos de isolamente, de abstinência, de nojo para com tudo o que se relaciona com o bem público.
Mas, não pense que temos só fracassos! Pelo contrário: o País tornou-me uma referência na máquina de arrecadação! Vc precisa ver a capacidade dos órgãos arrecadadores do Estado!
Recordes e recordes de arrecadação são anunciados mês a mês.
Pena que, como vc deve saber, o excesso recaia sempre sobre os mesmos e que os valores não retornem para os investimentos que imaginávamos prioritários... Na sua maioria são utilizados apenas para o custeio da máquina (descontados os percentuais da corrupção, diga-se de passagem).
Amargo estou hoje Archimedes! Gostaria de falar das noites encantadas de poesia, dos prazeres compartilhados com estranha que hoje apenas são lembranças físicas!
Mas, além de Augusto dos Anjos, baixou-me o espírito de Fernando Pessoa... Não discutimos muito ele, por ignorância.
AUTOPSICOGRAFIA
O POETA é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega e fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Nas as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração."
E então por aqui ficamos Archimedes... Espero voltar com melhoras, na próxima...
