terça-feira, 28 de setembro de 2010

CHOVE CHUVA....

Ora, ora Archimedes...

Tardes de chuva, muita chuva!
Depois de dias secos, ventosos as vezes, abafados outras tantas!

A chuva veio, tudo molhando, as plantas agradecendo!
Tudo molha; talvez até alguns corações, quem sabe?
Úmidos, túmidos, tímidos, tementes, tresloucados!

Lembrei-me de tempos em que passavamos o tempo a discutir sobre filosofias, excentricidades de jovens idealistas. Românticos sem causa, ainda que você fosse mais pragmático do que este seu eventual escriba!

Hoje, nesta tarde chuvosa, lembrei do meu encantamento pelo Augusto dos Anjos, poeta maldito, segundo alguns, menor, segundo outros... Mas, sempre presente, para mim, para sonhos desfacelados, objetivos adiados e, por fim, descartados!

Lembra:

"VANDALISMO

MEU CORAÇÃO TEM CATEDRAIS IMENSAS,
TEMPLOS DE PRISCAS E LONGINQUAS DATAS,
ONDE UM NUME DE AMOR, EM SERENATAS,
CANTA A ALELUIA VIRGINAL DAS CRENÇAS.

NO OGIVA FÚLGIDA E NAS COLUNATAS
VERTEM LUSTRAIS IRRADIAÇÕES INTENSAS
CINTILAÇÕES DE LÂMPADAS SUSPENSAS
E AS AMETISTAS E OS FLORÕES E AS PRATAS.

COMO OS VELHOS TEMPLÁRIOS MEDIEVAIS
ENTREI NUMA DESSAS CATEDRAIS
E NESSES TEMPLOS CLAROS E RISONHOS...

E ERGUENDO OS GLÁDIOS E BRANDINDO AS HASTAS,
NO DESESPERO DOS ICONOCLASTAS
QUEBREI A IMAGEM DOS MEUS PRÓPRIOS SONHOS!"

 A leitura de um poeta como Augusto dos Anjos exigia a presença do dicionário; forçava-nos a procurar palavras usadas apenas em linguagem literária...
Expressões fortes, textos em latim...


Um exercício e tanto!

Hoje, passados os anos, fica a imagem das catedrais, dos templos! Tantos visitados, nenhum claro e risonho como na visão do poeta. Mas a visão de poetas tudo permite! 

São templos escuros, cinzentos, pesados! Pouca luminosidade, um ar de misterio, de espíritos que vagam pelo seu interior, como a explorar o teu mais íntimo! Como a querer ver o que dentro de tua alma está. Nesses templos estão enterrados, padres, bispos, notáveis... Parece que alguns ainda por lá estão, como dito, numa etérea forma! 

Buscando o que de mais íntimo temos, como se quisessem se apoderar dos nossos sonhos, das nossas esperanças.

Fiquemos com os vivos; deixemos os espíritos onde estão, buscando, buscando.
Em espirito, apenas você, presente, atuante!


Beijos







segunda-feira, 20 de setembro de 2010

POLACO...

Caro Archimedes...

Boa noite....

Eis que, se não quando, retornamos....
Sabe? no sábado foi o aniversário do Polaco; creio que você nem lembra que o nome dele é Wilson Flávio. De tanto chamarmos pelo apelido, assim ficou: simplesmente POLACO... 

Cometi algo, lembrando, lembrando... Inclusive pensando nos dias em que você o levou para pescar e que ele não esquece!

Algo como:

PARECE QUE FOI ONTEM....

Parece que foi ontem,
que dormindo te vi em meus braços!

Parece que foi ontem,
que te vi dando os primeiros passos!

Parece que foi ontem...
que te encontrei,
atrás da porta, escondido,
à minha espera!

Parece que foi ontem,
que me embeveci,
ao te ver, solto, tranquilo,
cochilando aos meus pés...


Parece que foi ontem...
Que enxuguei pequenas lágrimas,
pelo joelho arranhado!







Parece que foi ontem....

Que te vi voando, 
com tuas próprias asas,
em busca do desconhecido,

Parece que foi ontem...
que te vi partir,
deixando para trás
teu ninho ainda quente!

Parece que foi ontem...
Que foste construir um 
ninho novo...
Um ninho para abrigar
um netinho... 




AGORA DEVES SENTIR...
A ALEGRIA DE SER 
RECEBIDO COM UM: PAPAI!!!


E responder: "COMO VAI, MEU FILHO?"


PENSE, FECHANDO OS OLHOS, NISTO:


FECHE OS OLHOS!!!
PENSE, REFLITA...
SÓ PENSE:


"MEU PAI,
                  MEU FILHO!!!!!"


Logo estarás imaginando que:


      PARECE QUE FOI ONTEM.......


É isso Archimedes...
Sempre assim termino e fico com o nó na garganta...


Beijos saudosos...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

EXERTOS...

Caro Archimedes... uma boa e magnífica noite...

Dias tranquilos de inverno que se aproxima do fim...
Parecemos estar já na Primavera. Os dias têm sido amenos, quentes até diria!
O pensamento voa, com a possibilidade já presente das flores anteciparem sua floração. O relógio biológico delas está descontrolado! Quando ainda deveriamos ter frio há um calor fora de época.
Isso sem contar com a secura...
Disse sobre isso já: a secura... Aquela secura das plantas é bem mais fácil de ser combatida com doses generosas de água todos os dias. Q:uanto à nossa, bem vc já sabe!

Faz-me lembrar de quando isso nos passava desapercebido; aparecia episodicamente, de maneira pontual.
A nossa necessidade de viver intensamente, porém, fazia com que quase não a notássemos...


Mas a estação produz imagens como essa, que diviso da frente de casa...
Faz viajar, sonhar, não é?
Um imaginário viajar, como no texto de Fernando Pessoa, na pele de Ricardo Reis:

"Quantos gozam o gozo de gozar
sem que gozem o gozo, e o dividem
              entre eles e o que os outros
              vêem que gozam eles.
Ah, Lídia, as vestes do gozar omite,
que o gozo é um, se é gozo, nem o damos
              aos outros como prêmio
              de nos verem gozando.
Cada um é ele só, e se com outros
goza dos outros goza, não com eles.
              Aprende o que te ensina
              teu corpo, teu limite.  "

Quanto a mim, introspectivo:


Ah! onde executarei meu fado!
Aquele que ansiei nas noites frias do
inverno que finda?
Sem saudades indo, para o advento da primavera!

Primavera que trará no encanto das suas flores,

a tão desejada Iara para as minhas
tumultuadas águas?
Tumultuadas pelo desejo, que se prolonga, prolonga...
Realimenta-se pela sensação da presença,
da correspondência!

Cultivando continuarei! Exercitando os

mágicos poderes da imaginação!
A confirmação de que os dias de sonhos,
antecedem o  momento da realização!




Até....


Um beijo!

sábado, 28 de agosto de 2010

CHORO...

Archimedes...

Sábado de sol, com aquela secura de sempre...
Uma brisa, um leve ventar,
me leva a melancólico pensar.
Sento, tacitruno, com vontade de chorar!

E penso, por que chorar? Pelo que chorar?


"CHORO

CHORO!
Por que choro?
Pelos males que me fizeram?
Pelos bens que não fiz?
Pelo jogo que não ganhei?
Pelo beijo que não dei?
Pela eleição que perdi?
Pelo amor que escondi,
Pela insensibilidade com o
sofrimento alheio?

Pelo título que o meu time perdeu?

CHORO:

Pelas vitórias vividas em campo!
Por outras, sentidas, na TV!
Pelo nascimento do filhos!
Pelo sorriso do neto!

Pelo “te amo”, que ouvi sem esperar!
Pelas lágrimas de felicidades,
do sucesso dos filhos!
Pela satisfação dos amigos!

CHORO:

Pelos teus olhos brilhando
e não conseguindo o meu
“EU TE AMO”...

..........



CHORO:

Por que você não chora o meu choro...
Egoisticamente, choras o teu!
Não compartilhas, não sofre comigo,
chorando pelo choro chorado, sentido,
vivido, ressentido pela ausência
das lágrimas!"

terça-feira, 24 de agosto de 2010

SECURA...

Caro Archimedes...

Dias quentes por aqui..
Nem parece que estamos no inverno. Hoje, por exemplo, a temperatura esteve proxima dos 30 graus...

Sem vento o mar parece uma piscina! Dá-me a impressão de que libélulas irão pousar mansamente, voejar, amar em voo, como sempre fazem!

Mas o que se vê são as gaivotas a buscar, em mergulhos precisos, os peixes...
Mergulho? Mergulhei no fundo da introspecção e me fixei na secura... Veja:


"SECO


Seco por aqui; a secura parece
que contamina, como que
 a querer transformar
por dentro o que por fora se sente?

Nunca vc, por dentro, seca se sentiu?
Sem aquela sensação de umidade
para contrabalançar?
Mas, sei que, mesmo à distância
teus lábios molhados estão,
carentes, carinhosos, silentes,
com uma infinidade de carinhos...
sensuais, sentidos,
secos jamais!


Já que mãos te tocar não podem,
apenas palavras podem ser sentidas,
se ditas com a intensidade do desejo!

Sinta-as pelo teu corpo todo,
como um frenesi te percorrendo,
te dizendo que o calor se propaga
dos pés à cabeça!


Seco, secura, secante como se tudo ficasse sem umidade...
Como se os lábios apenas roçassem carne,
sem a maciez tépida dos molhados;
secos como lixa, que não afagam,
que não enlevam, que não seduzem,
mas apenas a polir ficam,
como tentando nivelar por dentro
o que por fora se manifesta...
Mais que nunca, estamos
na sintonia da primavera que se aproxima,
como animais que prenunciam o cio...
próximo, quase aqui, ali, ainda!

Chegará, como sempre, como os
brotos, os botões,
 as flores desabrochando e,
com seu perfume, nos chamando
para o leito aromado!

Felizmente, contrariando,
não precisamos aguardar os eflúvios primaveris!
Temos o nosso desejo presente, pulsante...
pronto para o desabrochar,
como flores latentes,"

Estamos no término da preparação do jardim: podas, enxertos...
Façamos isso conosco...
Te vejo mais à frente, em dias mais amenos...
Saudades...



segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Caro Archimedes!!!!!!

Uma boa e bela noite...

Retornamos mais rápido desta vez, para te dizer das coisas do final de semana.
Dia dos pais...
Você sabe que não sou muito ligado nessas datas pré-determinadas, principalmente quando determinadas por um comercialismo exacerbado. Não fora por isso e teria passado desapercebida... 
Se bem que, para mim, assim foi. Retornei de Curitiba no domingo e fiquei repousando placidamente, como convém a um já vetusto senhor (rs)...

Mas o final de semana foi fantástico, por vários motivos;
Primeiro o aniversário da Marliese. Uma tarde de sexta-feira de recolhimento, de exclusividades, de reencontros carinhosos, lembranças...
Qualquer dia desses te conto com detalhes....

Depois a festa de batizado da figurinha:


O Lucas foi batizado! Numa cerimônia simples, singela, alegre! Como sempre devem ser as coisas que dizem respeito a crianças... Um padre amigo da família que casou os pais do Pai e que batizou-o... Que casou-o com a minha filha... Que a todos coloca a vontade, fazendo da cerimônia um ato de puro amor, de confraternização!!!
Saiu-se bem a figurinha" Comportou-se não chorou, um pequeno Buda, cheio de sorrisos
 e de alegrias.

                 Depois as confraternizações, as festas. Pena que o Alexandre, mulher e o Bolota longe estivessem, em Londres. Mas voltarao, é claro e todos juntos poderão confraternizar...
Espero te-los todos comigo, logo, logo!
Afinal, alguém tem que desencaminhá-los, não acha? E em conjunto será bem melhor...

 

Nós, os avós, como os os pais, também construimos ninhos para
os nossos netinhos... Mas a ocupação não é permanente!
Lá ficam eles, os ninhos, solitários, abandonados, aparentemente... Mas, sempre quentinhos, com o calor que os corações dos avós proporcionam, à espera deles. E eis que um dia eles chegam, tímidos a principio, depois confiantes, como toda criança é, quando identificam um ninho especialmente preparados para elas..
E os ninhos dos avós têm uma configuração diferente, porque preparados para incursões rapidas, para pequenos pousos!
 Lá ficam, inertes, com as lembrancinhas de sempre: pequeninas penas deixadas quando da última visita; uma parede riscada pelo lápis de cera, ou de cor... Uma porção de brinquedos espalhados, aguardando novos manuseios... E nós ali, com as lembranças sempre presentes ns inúmeras fotos espalhadas pela casa, como a dizer: "Estamos aqui, não se preocupem: VOLTAREMOS"....

 E, quando voltarem e não mais estivermos para recebe-los, lembrarei de conversar com Caronte sobre as palavras do poeta Vergilio:

" Não há lugar para a morte; sempre vivos, os seres retornam todos aos céus, em esferas de luz."



 
 
 Bem... os tesouros aí estão... Voltarei para falar deles e de outras coisas que estou escrevendo, cometendo, em ti pensando em em tantas pessoas.
 Como você sabe, algumas têm a paciência de ler aquilo que aqui se escreve... Já pensou? Uma correspondência entre um sonhador, romântico, recolhido em si com um filósofo "bon vivant" que teve a alegria sempre presente como marca!!!!!!!
Tua lembrança me remete a algo dito por um sujeito chamado Francis Picabia:  

 "Após nossa morte, deveriam nos meter numa bola: essa bola  
seria de madeira e de várias cores. Rolariam a bola para
nos conduzir ao cemitério, e os papa-defuntos
encarregados dessa tarefa usariam luvas transparentes
para despertar nos amantes a lembrança das carícias..."

Voltarei com o sol da manhã,
Com a beleza do sol se pondo
Com o meu coração voltado para ti,
Minh'alma ligada à tua....
Quando contemplar o mar
aqui defronte, te verei!
Tua silhueta desenhada
pelas tintas do eterno,
pelas mãos do Criador,
contra os montes estampada!


Caro Archimedes...