Ora, ora Archimedes...
Tardes de chuva, muita chuva!
Depois de dias secos, ventosos as vezes, abafados outras tantas!
A chuva veio, tudo molhando, as plantas agradecendo!
Tudo molha; talvez até alguns corações, quem sabe?
Úmidos, túmidos, tímidos, tementes, tresloucados!
Lembrei-me de tempos em que passavamos o tempo a discutir sobre filosofias, excentricidades de jovens idealistas. Românticos sem causa, ainda que você fosse mais pragmático do que este seu eventual escriba!
Hoje, nesta tarde chuvosa, lembrei do meu encantamento pelo Augusto dos Anjos, poeta maldito, segundo alguns, menor, segundo outros... Mas, sempre presente, para mim, para sonhos desfacelados, objetivos adiados e, por fim, descartados!
Lembra:
"VANDALISMO
MEU CORAÇÃO TEM CATEDRAIS IMENSAS,
TEMPLOS DE PRISCAS E LONGINQUAS DATAS,
ONDE UM NUME DE AMOR, EM SERENATAS,
CANTA A ALELUIA VIRGINAL DAS CRENÇAS.
NO OGIVA FÚLGIDA E NAS COLUNATAS
VERTEM LUSTRAIS IRRADIAÇÕES INTENSAS
CINTILAÇÕES DE LÂMPADAS SUSPENSAS
E AS AMETISTAS E OS FLORÕES E AS PRATAS.
COMO OS VELHOS TEMPLÁRIOS MEDIEVAIS
ENTREI NUMA DESSAS CATEDRAIS
E NESSES TEMPLOS CLAROS E RISONHOS...
E ERGUENDO OS GLÁDIOS E BRANDINDO AS HASTAS,
NO DESESPERO DOS ICONOCLASTAS
QUEBREI A IMAGEM DOS MEUS PRÓPRIOS SONHOS!"
A leitura de um poeta como Augusto dos Anjos exigia a presença do dicionário; forçava-nos a procurar palavras usadas apenas em linguagem literária...
Expressões fortes, textos em latim...
Um exercício e tanto!
Hoje, passados os anos, fica a imagem das catedrais, dos templos! Tantos visitados, nenhum claro e risonho como na visão do poeta. Mas a visão de poetas tudo permite!
São templos escuros, cinzentos, pesados! Pouca luminosidade, um ar de misterio, de espíritos que vagam pelo seu interior, como a explorar o teu mais íntimo! Como a querer ver o que dentro de tua alma está. Nesses templos estão enterrados, padres, bispos, notáveis... Parece que alguns ainda por lá estão, como dito, numa etérea forma!
Buscando o que de mais íntimo temos, como se quisessem se apoderar dos nossos sonhos, das nossas esperanças.
Fiquemos com os vivos; deixemos os espíritos onde estão, buscando, buscando.
Em espirito, apenas você, presente, atuante!
Beijos
terça-feira, 28 de setembro de 2010
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