quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Caro Archimedes...

Boa tarde...

Na solidão da alcova do hotel, naquilo que - por que será? - de certa forma me atrai, para o que, muitas vezes, me encaminho com compulsão!

Hoje estava revendo um texto que havia me ocorrido ontem durante a noite, da Clarice Lispector, citado de memória, é claro:

"Eu antes tinha querido ser os outros para conhecer o que não era eu. Entendi então que eu já tinha sido os outros e isso era fácil. Minha experiência maior seria ser o outro dos outros: e o outro dos outros seria eu".

Interessante, não é? AS fases de reflexão geralmente são estimuladas por coisas que fazemos por gosto, ao natural, quando o pensamento está longe das agruras, como por exemplo:

- lavar louça... Já se colocou fazendo isso? Enquanto as mãos ensaboam, limpam, enxaguam e se coloca para secar, as imagens, as frases, pequenos detalhes que inspiram correm pela mente. Preguiçoso não tenho tido o cuidado de correr ao bloco de notas e registrar para mais tarde!
É uma sensação de conforto e tanto!

- passear, só, retornando de algum compromisso... Fiz isso dia desses. Percorri a pé, em Curitiba, a Mal. Floriano, da Kennedy até o centro. Observei as casas com as suas frentes dando direto para a rua, sem recuo. Por tombadas, a maioria abandonadas. Por que será que sempre vejo uma relação simbiótica entre "tombamento oficial" e "desabamento"? Contei, Archimedes: apenas 3 casas recuperadas e com o seu encanto original.
Passei pelo antigo hotel Carioca, aquele que, eventualmente, podiamos frequentar... (por ser possivel ir a pé até lá).
Onde funcionava o antigo "Bamboliche", palco de uma das minhas maiores amarguras, que permaneceu inscrustrada e que até hoje ainda não consegui desencravar, por não ter podido te dizer da minha vergonha e da minha decepção comigo mesmo em relação a você.
A Praça Carlos Gomes... Sabia que na praça existe um pé daquilo que chamavamos de "ameixa do Japão"? Já juntei alguns ramos ali para comer, sob olhares curiosos...

Pois é Archimedes!
Às vezes imagino que gostariamos de permanecer sempre com tais sensações: sem compromissos, sem responsabilidades, inclusive para conosco...

Cheguei, entretanto, ao meu destino. O mundo de pressões e de imperiosas decisões retornou, mais determinante do que dantes.

Fui com a imagem do que disse Raul Bopp, quando vislumbrava a praça:

"Aqui é a escola das árvores. Estão aprendendo geometria".

Boa tarde Archimedes, meu amor por ti permanece, como se diz? "para além dos séculos"...

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