sábado, 28 de novembro de 2009

Archimedes...

HOJE RECEBI A VISITA DE DOIS ANJINHOS!

Anjos no céu, duendes na terra.

Vieram ter comigo após acordado, depois de ir ao banheiro, numa dessas noites abafadas, tão comuns por aqui Ao retornar para a cama fui surpreendido pela agradável presença dos dois anjinhos.

Não mais me deixaram dormir...

Já te falei deles: um o Felipe, há mais tempo conosco, sapeca, vibrante, expressividade nos olhos, o primeiro neto que me veio alegrar...

Outro o Leonardo, “Bolota”; falei dele por aqui, contando da sua chegada.
Hoje, um nenezinho tranqüilo, sereno:”garboso”, como diz o pai, inflado de orgulho!

Vieram, tiraram o meu sono

“- Vovô, vem mais um companheiro por aí, você já sabe.
- O Lucas vovô, quase chegando! Soubemos da sua preocupação..

“Ah! Pensei! O Lucas, filho da minha “bonequinha linda, de cabelos de ouro, lábios de rubi”, como no bolero.... e de um “Mamutão”...

“- Vai chegar no mês que vem, vovô”. Perto do Natal!!!!

“- Já conversamos com alguns reis, não só os três Magos, mas com todos que por aqui estão e com outros que não.”

- Por que?

- Ah! Vovô, ele vai receber tanto presente, tanto presente, que nem sabemos dizer! E, sabe de mais? Vai trazer presentes para todos: fé, esperança, alegria, satisfações sem conta!

- Os reis disseram que ele virá num dia lindo de verão, numa manhã sem calor, ou numa tarde quente, ou quem sabe numa noite estrelada, de lua cheia...

Quando chegar, se de noite for, as estrelas formarão um cortejo, o tempo irá parar por instantes, o senhor vai ver, vai sentir! Um cometa riscará o céu sem nuvens.

- Se durante o dia o ar ficará parado por instantes, o tempo cessará de correr, como por milagre: saudando o milagre da vida!

Virá num dia em que estaremos todos lá, esperando-o! Dizendo para que não se preocupe com o frio, com o lugar diferente de onde estava... Que o calorzinho constante da barriguinha da mãe será substituído pelo calorzão de todos que o aguardam com tanta ansiedade!

- Virá numa noite, ou no dia do Natal, quem sabe? Junto com Aquele que renasce a cada ano para sofrer por nós? Imagine, vovô: O Lucas chegando bem acompanhado! Talvez de mãos dadas com o Criador!

- Nós te diremos, vovô, se isso acontecer!

- Ele nos disse, de dentro da barriga, que não quer disputar o espaço Dele! Ah!, mas nós achamos que Ele vai traze-lo até nós! Vai retirar o Lucas do ventre da mãe, delicadamente e coloca-lo nos braços sequiosos dela:

“- Cuide bem deste presente: tem o nome de um dos meus seguidores; um daqueles que registrou a minha passagem”, dirá com aquele olhar manso e carinhoso...

- Falamos prá ele como são as coisas aqui: da tua casa, dos peixinhos, dos passarinhos, dos cachorros, das flores!

- Dissemos como deverá sugar o peito para tirar o leite que alimenta e que o fará crescer! Ainda com algum medo, vimos seus olhinhos brilharem!!!


- Dissemos do cantinho preparado, o berço ornamentado! Paciente e amoroso trabalho de uma vovó distante...

- Falamos da tua cara de bobo, de não saber o que fazer, como se comportar!

- Da cara de todos, daqui e de Pato Branco, onde certamente estará muitas vezes!

- E falamos que ele terá que nos ajudar, vovô: ajudar a tornar a existência de todos mais feliz, mais risonha.

- Ele sorriu, sabia? Com o jeito de quem já sabe que os bobões que o estão esperando não mais serão os mesmos depois que ele conosco estiver.

Os bobões serão aqueles que construirão um grande espaço de calor, todinho feito de amor...

- E dissemos muito mais: que ele também virá te acordar de vez em quando, chamará você, vovô, para preencher os vazios das noites insones com “Odes ao Lucas”...

- Nada conte para a mãe dele, vovô; nem para o pai, do que te dissemos!

- Ele fará uma surpresa: virá tranqüilo, sereno, sabendo que será um reizinho: acompanhado, circundado de uma porção de reis (e de rainhas) ao chegar: o Rei da Felicidade; o Rei da Esperança; o Rei da Solidariedade: a Rainha da Caridade: o Rei da Misericórdia; o Rei da Bem Aventurança... a Rainha dos Carinhos, o Rei das Brincadeiras!

- São tantos vovo, que acho que esquecemos de alguém...

- Apenas uma coisa está difícil, vovo: fazer com que ele seja “coxa-branca”! Há uma porção de chatos, tios traidores, amigdos idem torcendo contra; fazendo mandingas, distribuindo presentes antecipados, já pensou!

- Reaja vovô, nos ajude! Precisamos fazer uma blindagem contra tios e amigos rubro-negros que estão tentando comprometer a tradição alvi-verde da família!

- O lugar dele no nosso timinho já está reservado. Basta que ele escolha a posição! Uma camiseta verde e branca, um calção negro já estão providenciados! Acho que vamos dar o número 10 para ele...

- Agora volte a dormir. Voltaremos quando estiver mais perto da hora...

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Caro Archimedes...

Boa tarde...

Na solidão da alcova do hotel, naquilo que - por que será? - de certa forma me atrai, para o que, muitas vezes, me encaminho com compulsão!

Hoje estava revendo um texto que havia me ocorrido ontem durante a noite, da Clarice Lispector, citado de memória, é claro:

"Eu antes tinha querido ser os outros para conhecer o que não era eu. Entendi então que eu já tinha sido os outros e isso era fácil. Minha experiência maior seria ser o outro dos outros: e o outro dos outros seria eu".

Interessante, não é? AS fases de reflexão geralmente são estimuladas por coisas que fazemos por gosto, ao natural, quando o pensamento está longe das agruras, como por exemplo:

- lavar louça... Já se colocou fazendo isso? Enquanto as mãos ensaboam, limpam, enxaguam e se coloca para secar, as imagens, as frases, pequenos detalhes que inspiram correm pela mente. Preguiçoso não tenho tido o cuidado de correr ao bloco de notas e registrar para mais tarde!
É uma sensação de conforto e tanto!

- passear, só, retornando de algum compromisso... Fiz isso dia desses. Percorri a pé, em Curitiba, a Mal. Floriano, da Kennedy até o centro. Observei as casas com as suas frentes dando direto para a rua, sem recuo. Por tombadas, a maioria abandonadas. Por que será que sempre vejo uma relação simbiótica entre "tombamento oficial" e "desabamento"? Contei, Archimedes: apenas 3 casas recuperadas e com o seu encanto original.
Passei pelo antigo hotel Carioca, aquele que, eventualmente, podiamos frequentar... (por ser possivel ir a pé até lá).
Onde funcionava o antigo "Bamboliche", palco de uma das minhas maiores amarguras, que permaneceu inscrustrada e que até hoje ainda não consegui desencravar, por não ter podido te dizer da minha vergonha e da minha decepção comigo mesmo em relação a você.
A Praça Carlos Gomes... Sabia que na praça existe um pé daquilo que chamavamos de "ameixa do Japão"? Já juntei alguns ramos ali para comer, sob olhares curiosos...

Pois é Archimedes!
Às vezes imagino que gostariamos de permanecer sempre com tais sensações: sem compromissos, sem responsabilidades, inclusive para conosco...

Cheguei, entretanto, ao meu destino. O mundo de pressões e de imperiosas decisões retornou, mais determinante do que dantes.

Fui com a imagem do que disse Raul Bopp, quando vislumbrava a praça:

"Aqui é a escola das árvores. Estão aprendendo geometria".

Boa tarde Archimedes, meu amor por ti permanece, como se diz? "para além dos séculos"...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Sevilha, sevilhanas, encantos

Caro Archimedes...

Boa noite!

Distante, hoje, a minha manifestação...

Claro que não em relação a você, que está em todos os lugares, em todos os desvãos da minha memória, nos cantos das lembranças mais profundas.

Como sempre, demorei. Hoje, porém, retornando a uma viagem feita no distante 1.992, por ocasião da Exposição Mundial que aqui aconteceu - em Sevilha - vi-me ainda, como sempre, contigo!

Ah! Archimedes! Naquele ano ainda estavas conosco, vibravas junto no mesmo diapasão; sulcavas os mesmos caminhos, as mesmas veredas, as esquinas, as mesas, os lugares encantados!

Retornamos a Sevilha, percebeste! Estamos refazendo a viagem de 1.992. Desta vez com outros olhos, outro ânimo, outra disposição! Sem os atropelos de uma excursão, suas pressões e decepções.

Hoje visitamos um lugar de encanto! Maravilhoso! "Jardins, Palácio de Alcazar". Magnificas instalações de arquitetura árabe: azulejos, salões amplos, construção leve: delicados arcos, arabescos. Uma magnificência de azulejos!

E, aquilo que mais nos encantou: os jardins! As construções de inspiração árabe singelas e simples, quase sempre abrem para um pátio onde a presença de uma fonte é imprescindível, por mais simples que seja!

Mais à frente, jardins que se espraiam por uma extensa área, com fontes as mais variadas! Você não imagina a sensação de paz que nos possuiu, Archimedes! E tudo isso vindo de algo inscrustrado no centro de uma cidade , como algo à parte,como se a cidade que vibra, que lá fora pulsa não existisse!(O complexo está cercado por muros altos). Apenas o som suave da água correndo das fontes, o tremular das ramadas movidas pelo vento, a alegre algazarra dos pássaros. O vai e vem silencioso de turistas que por ali circulam como se estivessem num tempo: respeitosos!

Lembrei-me de ti! Tua imagem me veio, sem que nada se forçasse: ao natural! Teus olhos vibrantes, teu rosto generoso, teus gestos amplos... Pareceu-me te-lo ao meu lado, caminhando, comentando as coisas que apreciavamos!

Maior então o sentimento de paz, de tranquilidade, de estar de bem consigo.

Retornamos depois de amanhã. Certamente reconfortados. Mais ainda com a felicidade de ter podido contigo estar, com a minha alma sintonizada com a tua.

Boa noite Archimedes! Certamente voltarei a te contar das coisas de Sevilha, dos seus becos, das suas belezas....

Até.....