domingo, 13 de março de 2011

Caro Archimedes...

Eis-me aqui, num domingo de chuva...
Chuva e mais chuva, que tudo molha, encharca! Que o faça por fora, mas não nos corações!

Hoje, inclusive, li um texto que me fez refletir... Um leitor do jornal F.de São Paulo escreveu chamando a atenção para a quantidade de desastres naturais que têm acontecido. Não que eles naturais não sejam, como o próprio nome indica, mas a quantidade: inundações, terremotos, tsnunamis...

Algo para pensar num domingo chuvoso? 
Melhor falar de outras coisas, não acha?

Por exemplo: que tal continuar com aquela história da ENTRADA NO PARAÍSO? A que comentei contigo da última vez?
                                   Bosch: Jardim do Eden



Falava da necessidade de se obter uma certificação do cumprimento de todos os mandamentos e regras da religião professada pelo pretendente ao Paraíso... Questões como encontrar um tradutor oficial para que a linguagem fosse a mesma para todos e outros que tais... lembra? Vai daí que:

As piadinhas serão inevitáveis:

1.    A alma de um fiel ignorante que tenha dificuldade para encontrar a sua repartição celestial e que fique anos  vagando daqui para lá e de lá para cá... Seria isso o Purgatório?
2.    Falta de tradutores juramentados para atender a demanda. Obtido o certificado levar-se-ão anos (celestiais) para se obter a tradução...
3.    Isso sem contar com as greves freqüentes dos tradutores, pelo excesso de trabalho.
4.    Alguns fiéis estão advogando a necessidade de uma religião única!
5.    Já estão circulando noticias de passeatas de protesto das almas pela demora, tanto na expedição dos certificados, quando na sua tradução;
6.    A CPAP (Comissão Permanente de Assuntos do Paraíso) está em reunião, permanente para encontrar uma solução.
7.    Uma das sugestões em discussão foi a de se realizar uma eleição com a finalidade de se eleger um único Deus. Com isso teríamos soluções compartilhadas e que agradem a todos...
8.    Porém, consta que a comissão tem tido dificuldades para se reunir, por falta de quórum.
9.    Isso agravado pelo fato de que as reuniões têm que ter tradução simultânea, visto que, como dito, os representantes das diversas  religiões não falam a mesma língua!
10.          Consta que serão constituídas sub-comissões temáticas para analisar as divergências da comissão principal...
11.          E, tendo em vista a questão da eleição de Deus único, já está se prevendo a criação de Partidos Divinos. Uma das plataformas cogitadas pelos eventuais partidos é a Reforma Religiosa!
                                                                                               Bosch: Paraíso...                                  

Por esses e outros motivos alguns fiéis estão preferindo o Inferno, porque lá as coisas são mais fáceis. Não há a necessidade de certificados e outros que tais para adentrar: os porteiros aceitam qualquer um. Aliás, dizem que nem porteiro tem.



         Dizem, ainda, que a razão principal de o Inferno funcionar é o fato de ele ser privado, enquanto que o Paraíso é Público...
Vai que eles certos estão?
Delacroix: Odalisca....
 Será que trocariam o prometido, em algumas religiões, de belos jardins, mulheres e outras coisas...
(Bosch - Inferno)



Pelo "choro e ranger de dentes"?
Talvez seja o caso de esperar alguém que volta, para que possamos saber...










Talvez, quem sabe, você bem que poderia me dizer alguma coisa....


Beijos meu querido...
Espero voltar logo, com algo mais ameno. Algo como:


PARAÍSO – Jacob Hoehme (místico protestante): “... o paraíso foi perdido no exato momento em que os homens abandonaram a leveza brincalhona das crianças e optaram pela gravidade séria dos adultos.”

Retornar a elas, para, como diz A.Caieiro, em "Bolas de Sabão":

"As bolas de sabão que esta criança
Se entretem a largar de uma palhinha
São translucidamente uma filosofia toda.
Claras, inúteis e passageiras como a Natureza,
Amigas dos olhos como as coisas.
São aquilo que são
Com uma precisão redondinha e aérea,
E ninguém, nem mesmo a criança que a deixa,
Pretende mais que elas são, mais do que parecem ser."


 

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Boa noite Archimedes....

Não me lembro, mas creio que chegamos a conversar sobre o autor do quadro que aqui vai reproduzido: SALVADOR DALI... A visão dele da Santa Ceia..

Lembrei-me disso a propósito de um texto que venho elucubrando há tempos... Ele me persegue principalmente quando penso em você. Como você bem sabe não o imagino estático, parado num paradisiaco lugar, flutuando sobre nuvens...


Pelo contrário: vejo-o ativo, participando, influindo, induzindo, protegendo, amparando! Sabe aquela coisa do anjo da guarda? Algo assim... Imgine só: meu caro Archimedes, anjinho da guarda!


Mas, voltando: muitas pessoas acreditam no Paraíso, não é? Principalmente com a vida de difícil convivência, entre os humanos... Assim, no livre pensar, só pensar, cometi algo. Minha visão especial, pessoalíssima sobre o assunto...


Por extensa, te contarei em partes...
Comecemos com a réplica de uma pequena parte da pintura da Capela Sixtina: A CRIAÇÃO DE ADÃO...







A BUSCA DO PARAÍSO (Um exercício de livre-pensar, só pensar, por conta e risco de W.Mugnaini)

Cada fiel sobe aos céus, em busca do Paraíso....
Se cada culto tiver seu paraíso particular, como tem seu Deus não haverá nenhum problema e a história acaba aqui, com todos felizes eternamente!

Porém, caso o EDEN seja um só para todos, o fiel cumpridor de todos os sacrifícios em Terra, ditados pelo seu culto, terá algumas dificuldades antes de adentrar na vida eterna.

Primeiro terá que obter um certificado que comprove o seu bom comportamento e que realizou todos os sacrifícios para justificar seu ingresso...
Como os cultos têm regras diferentes haverá um escritório celestial da sua Igreja encarregado de emitir o certificado...
                                    
                                   (Michelangelo: Expulsão do Paraíso - detalhe)


Segundo: de posse do certificado deverá se dirigir à Portaria Paradisiaca para poder entrar.
Imaginem a confusão!

Seria de se supor que cada Deus facilitasse a vida do fiel, fazendo com que cada certificado fosse emitido numa linguagem única...
Por conseqüência, acabaria a Babel em que se transformaram as religiões, com seus símbolos, regras e linguagens próprias e que, lá em cima (suponho que seja lá em cima, não é?) todos falem a mesma lingua... Ou que se entendam por telepatia...
Mas, se assim não for: o Porteiro do Paraíso exigirá que o Certificado seja traduzido para a linguagem paradisíaca... Retorna a alma em busca de um tradutor celestial juramentado!
Feita a tradução fica comprovado o cumprimento de todas as regras determinadas pela sua Igreja, pelo seu culto.

Então imaginemos:
a)    Com tantas religiões no mundo todo fica até difícil calcular a quantidade de representantes celestiais, responsáveis pela emissão dos certificados;
b)    Ao mesmo tempo, quando tradutores serão necessários?
c)     Com isso, quanto tempo o pobre fiel levará para realizar todos os trâmites burocráticos para poder gozar da vida eterna? ....  (Isso será assunto para ser discutido mais à frente...)

    Por enquanto fiquemos por aqui... Há muito por se dizer, por se fazer...


    Por exemplo: veja o que faz o Felipe (rssssssssss). Imitando, adivinhe quem?
    Certamente há o teu dedo em tudo isso... A isso eu me referia quando te dizia dos vestígios pela casa toda de todos eles....

    Beijos, até a próxima!!!!!
 





b





quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Caro Archimedes...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Arquimedes....

Tardo, mas não falho...
Tava me lembrando, no livre-pensar, só pensar...
das dificuldades, das angustias do amar!
Das necessidades de Deus, de tentar explicar o inexplicável!
De repente, não mais do que repente, eis que algumas coisinhas diferentes se nos aparecem...
Sabe como são as coisas....
As coisinhas...

"Aqueles que vêm assim, assim, como quem nada quer,
que conversam com Deus, na Sua linguagem,
porque deles não precisam!
Brincam com o Menino Jesus, como na poesia de Alberto Caieiro...
Trocam figurinhas, dormem lado a lado,
dizem pouco, mas muito falam,
com os olhinhos acesos,
o sorriso que preenche todos os espaços
e que nos recordam como é delicioso ser avô...