sábado, 28 de agosto de 2010

CHORO...

Archimedes...

Sábado de sol, com aquela secura de sempre...
Uma brisa, um leve ventar,
me leva a melancólico pensar.
Sento, tacitruno, com vontade de chorar!

E penso, por que chorar? Pelo que chorar?


"CHORO

CHORO!
Por que choro?
Pelos males que me fizeram?
Pelos bens que não fiz?
Pelo jogo que não ganhei?
Pelo beijo que não dei?
Pela eleição que perdi?
Pelo amor que escondi,
Pela insensibilidade com o
sofrimento alheio?

Pelo título que o meu time perdeu?

CHORO:

Pelas vitórias vividas em campo!
Por outras, sentidas, na TV!
Pelo nascimento do filhos!
Pelo sorriso do neto!

Pelo “te amo”, que ouvi sem esperar!
Pelas lágrimas de felicidades,
do sucesso dos filhos!
Pela satisfação dos amigos!

CHORO:

Pelos teus olhos brilhando
e não conseguindo o meu
“EU TE AMO”...

..........



CHORO:

Por que você não chora o meu choro...
Egoisticamente, choras o teu!
Não compartilhas, não sofre comigo,
chorando pelo choro chorado, sentido,
vivido, ressentido pela ausência
das lágrimas!"

terça-feira, 24 de agosto de 2010

SECURA...

Caro Archimedes...

Dias quentes por aqui..
Nem parece que estamos no inverno. Hoje, por exemplo, a temperatura esteve proxima dos 30 graus...

Sem vento o mar parece uma piscina! Dá-me a impressão de que libélulas irão pousar mansamente, voejar, amar em voo, como sempre fazem!

Mas o que se vê são as gaivotas a buscar, em mergulhos precisos, os peixes...
Mergulho? Mergulhei no fundo da introspecção e me fixei na secura... Veja:


"SECO


Seco por aqui; a secura parece
que contamina, como que
 a querer transformar
por dentro o que por fora se sente?

Nunca vc, por dentro, seca se sentiu?
Sem aquela sensação de umidade
para contrabalançar?
Mas, sei que, mesmo à distância
teus lábios molhados estão,
carentes, carinhosos, silentes,
com uma infinidade de carinhos...
sensuais, sentidos,
secos jamais!


Já que mãos te tocar não podem,
apenas palavras podem ser sentidas,
se ditas com a intensidade do desejo!

Sinta-as pelo teu corpo todo,
como um frenesi te percorrendo,
te dizendo que o calor se propaga
dos pés à cabeça!


Seco, secura, secante como se tudo ficasse sem umidade...
Como se os lábios apenas roçassem carne,
sem a maciez tépida dos molhados;
secos como lixa, que não afagam,
que não enlevam, que não seduzem,
mas apenas a polir ficam,
como tentando nivelar por dentro
o que por fora se manifesta...
Mais que nunca, estamos
na sintonia da primavera que se aproxima,
como animais que prenunciam o cio...
próximo, quase aqui, ali, ainda!

Chegará, como sempre, como os
brotos, os botões,
 as flores desabrochando e,
com seu perfume, nos chamando
para o leito aromado!

Felizmente, contrariando,
não precisamos aguardar os eflúvios primaveris!
Temos o nosso desejo presente, pulsante...
pronto para o desabrochar,
como flores latentes,"

Estamos no término da preparação do jardim: podas, enxertos...
Façamos isso conosco...
Te vejo mais à frente, em dias mais amenos...
Saudades...



segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Caro Archimedes!!!!!!

Uma boa e bela noite...

Retornamos mais rápido desta vez, para te dizer das coisas do final de semana.
Dia dos pais...
Você sabe que não sou muito ligado nessas datas pré-determinadas, principalmente quando determinadas por um comercialismo exacerbado. Não fora por isso e teria passado desapercebida... 
Se bem que, para mim, assim foi. Retornei de Curitiba no domingo e fiquei repousando placidamente, como convém a um já vetusto senhor (rs)...

Mas o final de semana foi fantástico, por vários motivos;
Primeiro o aniversário da Marliese. Uma tarde de sexta-feira de recolhimento, de exclusividades, de reencontros carinhosos, lembranças...
Qualquer dia desses te conto com detalhes....

Depois a festa de batizado da figurinha:


O Lucas foi batizado! Numa cerimônia simples, singela, alegre! Como sempre devem ser as coisas que dizem respeito a crianças... Um padre amigo da família que casou os pais do Pai e que batizou-o... Que casou-o com a minha filha... Que a todos coloca a vontade, fazendo da cerimônia um ato de puro amor, de confraternização!!!
Saiu-se bem a figurinha" Comportou-se não chorou, um pequeno Buda, cheio de sorrisos
 e de alegrias.

                 Depois as confraternizações, as festas. Pena que o Alexandre, mulher e o Bolota longe estivessem, em Londres. Mas voltarao, é claro e todos juntos poderão confraternizar...
Espero te-los todos comigo, logo, logo!
Afinal, alguém tem que desencaminhá-los, não acha? E em conjunto será bem melhor...

 

Nós, os avós, como os os pais, também construimos ninhos para
os nossos netinhos... Mas a ocupação não é permanente!
Lá ficam eles, os ninhos, solitários, abandonados, aparentemente... Mas, sempre quentinhos, com o calor que os corações dos avós proporcionam, à espera deles. E eis que um dia eles chegam, tímidos a principio, depois confiantes, como toda criança é, quando identificam um ninho especialmente preparados para elas..
E os ninhos dos avós têm uma configuração diferente, porque preparados para incursões rapidas, para pequenos pousos!
 Lá ficam, inertes, com as lembrancinhas de sempre: pequeninas penas deixadas quando da última visita; uma parede riscada pelo lápis de cera, ou de cor... Uma porção de brinquedos espalhados, aguardando novos manuseios... E nós ali, com as lembranças sempre presentes ns inúmeras fotos espalhadas pela casa, como a dizer: "Estamos aqui, não se preocupem: VOLTAREMOS"....

 E, quando voltarem e não mais estivermos para recebe-los, lembrarei de conversar com Caronte sobre as palavras do poeta Vergilio:

" Não há lugar para a morte; sempre vivos, os seres retornam todos aos céus, em esferas de luz."



 
 
 Bem... os tesouros aí estão... Voltarei para falar deles e de outras coisas que estou escrevendo, cometendo, em ti pensando em em tantas pessoas.
 Como você sabe, algumas têm a paciência de ler aquilo que aqui se escreve... Já pensou? Uma correspondência entre um sonhador, romântico, recolhido em si com um filósofo "bon vivant" que teve a alegria sempre presente como marca!!!!!!!
Tua lembrança me remete a algo dito por um sujeito chamado Francis Picabia:  

 "Após nossa morte, deveriam nos meter numa bola: essa bola  
seria de madeira e de várias cores. Rolariam a bola para
nos conduzir ao cemitério, e os papa-defuntos
encarregados dessa tarefa usariam luvas transparentes
para despertar nos amantes a lembrança das carícias..."

Voltarei com o sol da manhã,
Com a beleza do sol se pondo
Com o meu coração voltado para ti,
Minh'alma ligada à tua....
Quando contemplar o mar
aqui defronte, te verei!
Tua silhueta desenhada
pelas tintas do eterno,
pelas mãos do Criador,
contra os montes estampada!


Caro Archimedes...

sábado, 31 de julho de 2010

RETORNO...



Boa noite Archiiii...

Tardo, mas não falho!
Hoje estamos com uma figurinha diferente aqui em casa...
Dê uma olhadinha.

Se bem que você certamente já o olha de há muito, como tem olhado por tantos quantos te amaram e continuam te amando.

Ah! aquelas coisas do amor, do amor tão somente!
Amor sem as nuances das paixões doentias, daquelas que nos impedem de ver, apenas sentir sem responsabilidades pelo crescimento do outrem.

Aquelas questões que dizem respeito aos fundamentalistas...

Fundamentalistas políticos, esportivos, amorosos, religiosos... que chatice, né?

A respeito, andei, recentemente, me concentrando na leitura de William Brake, revendo algumas coisas dele, tais como:

"As masmorras são erguidas com as pedras da Lei; os bordéis com os tijolos da Religigião";

"O gozo fecunda, a tristeza dá a luz";

"Se o louco persistisse em sua loucura, tornar-se-ia sábio".

"A Prudência é uma velha solteirona, rica e feia, cortejada pela incapacidade."

Fiquei a matutar com as minhas elucubrações, os sentimentos, as questões que só a nós revelamos...

Lembrei-me de algo que cometi....

"Dias de encantamento:

Um dia que se não pode chamar de belo,
mas que tem seus encantos!
O encanto de soltar a imaginação
para lugares outros , que o nosso não seja!

Lugares que não sabemos como são,
mas que podemos idealizar, imaginar!
E que, afinal, nem tão importantes são,
caso o seja a companhia!

Que complemente, com carinho e ternura tais,
que o espaço todo impregnado deles fique!

Um lugar assim longe do nosso, diferente,
só tem sentido, emoção, com a presença do outrem!
Enlevado, voluptuoso, coleante, ansioso por dar
e receber... Acarinhar e acariciado ser,
possuir e ser possuido, para que:

Indeléveis marcas marcas para sempre fiquem,
gravadas eternamente!"

É isso!
Voltarei com mais frequência!
Sinto falta da tua paz,
do teu consolo!
Do teu ombro amigo!

segunda-feira, 14 de junho de 2010


Caro Archimedes...

Que saudade!
Lembrei-me de ti ao folhear antigos escritos; aqueles que para poucos mostrei com vergonha das críticas...

Lembra de alguns, ingênuos?


"A NOITE CAI, MINHA AMADA...
ANTES QUE O PICHE ENEGRAÇA-NOS,
ANTES QUE O TEMOR PELO OCULTO
SOBRESSALTE OS CORAÇÕES,
MEDO NÃO TENHO!
MIRO-ME E FORTALEÇO-ME
NA LUMINOSIDADE DOS TEUS OLHOS!"

ou:

"VOU DESTRUIR TODOS OS ESPELHOS!
GRANDES, PEQUENOS, QUADRADOS, REDONDOS.
ATÉ HOJE NÃO CONSEGUI SIMPATIZAR
COM A FISIONOMIA ESTAMPADA EM SUAS FACES,
SE SOFREMOS SEM MOTIVO
ELIMINEMOS AS CAUSAS!"

ainda:

"SE A BRANCA É DE NEVE,
E A PRETA DE PICHE,
DO QUE SERÁ A AMARELA?"

Antes de ir quero te falar de algo.
Recentemente fui procurado para aconselhar uma mãe preocupada com um filho, único filho, que quer abrir suas asas e partir, buscar seu destino. A mãe, como a minha, também é pai. Não sabe como suportará a dor - que já sofre por antecipação - da ausência, da partida... Busquei socorro num autor que aprecio - Rubem Alves - e em outros que ele cita.

Claro que citei a minha própria experiência ao desmamar os meus... Mas isso é outra estória. Eis o que disse...

SER PAI.... (OU MÃE)
(Extraído de Rubem Alves)

Tomar a decisão de ter um filho é algo que irá mudar sua vida para inteira de forma inexorável. Dali para a frente, para sempre, o seu coração caminhará por caminhos fora do seu corpo.
Bachelard disse que:
“para o pássaro, o ninho é indiscutivelmente uma cálida e doce morada. É uma casa de vida: continua a envolver o pássaro que saiu do ovo. Para este, o ninho é uma penugem externa antes que a pele nua encontre sua penugem corporal.”
É isso que todos queremos ser: UM NINHO PARA NOSSOS FILHOS. Queremos que nossos corpos sejam ninhos-penugem que os protegesse.
Que felicidade enche o nosso coração quando o filho que temos no colo se abandona e adormece. Adormecida, a criança está dizendo:
“está tudo bem, não é preciso ter medo.”
Deitada adormecida nos braços-ninho, ela aprende que o universo é um ninho! Não importa que não seja! NÃO IMPORTA QUE OS NINHOS ESTEJAM DESTINADOS AO ABANDONO, AO ESQUECIMENTO! A alma não se alimenta de verdades. Ela se alimenta de fantasias. O ninho é uma fantasia eterna.
A cena da criança adormecida nos reconduz à cena de uma criancinha adormecida na estrebaria de Belém! Tudo é paz! Desejaríamos que ela, a cena, não terminasse nunca: que fosse eterna!
Logo o pequeno pássaro começará a ensaiar seus vôos incertos. Agora não serão mais os braços dos pais, arredondados num abraço, que irão definir
o espaço do ninho. Os braços terão que se abrir para que o ninho fique maior. E SERÃO OS OLHOS DOS PAIS, NO ESPAÇO QUE SEUS BRAÇOS JÁ NÃO PODEM CONTER, QUE IRÃO MARCAR OS LIMITES DO NINHO. A criança se sente segura se, de longe, ela vê que os olhos dos pais a protegem. OLHOS TAMBÉM SÃO COLOS, OLHOS TAMBÉM SÃO NINHOS. “Não tenha medo. Estamos aqui! Estamos vendo você.” É isso que os olhos dos pais dizem.
O que a criança deseja não é liberdade. O que ela deseja é excursionar, explorar o espaço desconhecido – desde que seja fácil voltar.
O tempo passa. Os pássaros tímidos aprendem a voar sem medo. Já não necessitam dos olhares tranqüilizadores dos pais. É a adolescência. Adolescente não quer ninho. Adolescente quer asas. Os ninhos agora só servem como pontos de partida para vôos em todas as direções. Liberdade, voar, voar, voar... Porque a vida não está no ninho, está no vôo.
E, num determinado dia, chega o momento quando os filhos partem para não mais voltar. E assim determinam o destino dos ninhos, de todos os ninhos: o abandono.
Gibran Kahlil Gibran disse, se dirigindo aos pais:
“vossos filhos não são vossos filhos. Vossos filhos são flechas. Vós sois os arcos que dispara a flecha. Disparadas as flechas, elas voam para longe do arco. E o arco fica só.”
Este o destino dos pais: a solidão. Não é a solidão de abandono. Nem a solidão de ficar só. É a solidão de ninho que não é mais ninho. E está certo. Os ninhos deixam de ser ninhos porque outros ninhos vão ser construídos. Os filhos partem para construir seus próprios ninhos e é a esses ninhos que deverão retornar.
Assim é na natureza. Assim é com os bichos. Deveria ser conosco também. Mas não é. Quem tem filho tem o coração fora do lugar, coração que
caminha, para sempre, por caminhos fora do próprio corpo. Caminha, clandestino, no corpo do filho. Disse Adélia Prado:
“Pior inferno é ver um filho sofrer sem poder ficar no lugar dele.” E, disse Vinicius de Morais:
“Eu, muitas noites, me debrucei sobre teu berço e verti sobre teu pequenino corpo adormecido as minhas mais indefesas lágrimas de amor; e pedi a todas as divindades que cravassem na minha carne as farpas feitas para a tua...”
É inevitável e bom que os filhos deixem de ser crianças e abandonem a proteção do ninho.
É inevitável e bom que os filhos voem em todas as direções como andorinhas adoidadas...
É inevitável e bom que eles construam seus próprios ninhos e fiquemos com o ninho abandonado...
Mas, o que queríamos, mesmo, era poder, de novo faze-lo dormir no nosso colo!"


Creio que você assinaria em baixo...
Saudades!

Beijo-o carinhosamente...

sexta-feira, 4 de junho de 2010


Caro Archimedes...

Ausente daqui, mas presente sempre!
Para te dizer das maravilhas da vida, dos encantos das presenças silenciosas, dos poemas cantados com os olhos, entendidos com o corpo...



PRAZER E ALEGRIA...


Li em algum lugar que: (*)


“Não importa o que fazem com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizerem com você.”
Li em algum lugar que:
“... por detrás de todas as queixas dos que procuram alívio há um único pedido: “Quero alegria!”. Alegria é a oração universal de todos os seres...”
“Há receitas para os prazeres. Mas não há receitas para as alegrias.”

Li em algum lugar que:
“Quem é feliz sempre, e nunca sofre, padece de uma grave enfermidade e precisa ser tratada a fim de aprender a sofrer.”

Continuando...
“Sofrer pelas razões certas significa que estamos em contato com a realidade e que o corpo e a alma sentem a tristeza das perdas e que existe em nós o poder do amor.”
Li em Willliam Blake:
“VER UM MUNDO NUM GRÃO DE AREIA
E O CÉU NUMA FLOR SILVESTRE,
TER O INFINITO NA PALMA DA SUA MÃO
E A ETERNIDADE NUMA HORA.”



Li em Cecilia Meirelles:
Entre o desenho do meu rosto
E o seu reflexo,
Meu sonho agoniza, perplexo.
Ah! Pobres linhas do meu rosto,
Desmanchadas do lado oposto,
E sem nexo!
E a lágrima do seu desgosto
Sumida no espelho convexo!”

E o que digo eu:

Que as receitas de prazer são várias;
Que os processos de prazer são imensos;
Que as sensações de prazer são intensas!
Que os gozos proporcionados pelo prazer são indescritíveis:
Mais do que descritos, são sentidos.
Então, imagine o prazer da alegria, com o prazer:
A alegria se rever, de voltar a sentir,
E não simplesmente de prazer ter...

Assim, se instrumento de alegria,
Alegria que te proporciona o meu retorno,
O meu sentimento, a minha poesia,
Poder não ser,

Que não o seja de sofrimento!
Do sofrer sem causa,
Do sofrer pelo sofrer!


(*) Textos extraídos de livros de Rubem Alves.

Florianopolis, maio de 2.010.