quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Boas tardes....
Archimedes, de tantas e tantas jornadas!

Te escrevo no dia das crianças, em mais uma tarde de Primavera!
Belos dias primaveris temos tido...
Tenho tido a alma leve com a resposta das minhas roseiras, as mudinhas feitas com carinho, afagadas, observadas, reagindo, oferecendo-se!


Estão em nova casa, transplantadas que foram! Resistem, buscando acomodação após o sofrimento causado pela mudança!
Afinal, qual filho aprecia deixar o calor da terra-mãe, útero, bolsa quentinha, proteção contra tudo e contra todos?


Mas a grande surpresa, o que chamou a atenção, que encantou, causou indagações mil não estava lá fora, mas dentro!
Veio sem ser convidada, sem ser cuidada! Apenas pelo esforço, pela necessidade de vida, de sobrevivência!

Veja as imagens!
O que pretende a trepadeirazinha desconhecida, que veio sem ser convidada e que faz de tudo para sobreviver?


Não parecem estar no ar à procura - desesperada - de um ponto de apoio, de uma salvaguarda, de um porto seguro?
Como uma alma, tal qual aranha, trepadeira, que larga seus fios ao acaso.... e que no acaso busca encontrar um apoio sólido para construir, firmar....


Veio-me à mente o que disse um poeta:


"WALT WHITMAN

    Silenciosa aranha paciente – notei como
Em pequeno promontório estava ela isolada,
    Notei como explorava o vasto vazio que a circundava:
Ia jogando, fio, fio, fio
    Tirados dela mesma, soltando-os sempre mais,
Incansável, fazendo-os correr sempre.
     E você, ó minha alma, onde é que está cercada,
Separada, em desmedidos oceanos do espaço,
     Ininterruptamente ponderando, arriscando, jogando,
Em busca de esferas para ligá-las até que
     Esteja construída a ponte de que irás necessitar,
Até que esteja segura a âncora dúctil,
     Até que o fio de teia que lanças
Prenda-se em algum lugar, ó minha alma!"

Ah! Archimedes...

Nas noites tranquilas, nas noites tenebrosas quando me debruço sobre o teclado e olho para o breu defronte minha janela sinto minh'alma se desprendendo e indo em busca de um ponto, de um promontório....

Ao longe o mar... Dificil não ouvi-lo na imensidão da  noite, na escuridão que se descortina...

Até pareço perceber Caronte, no cais oculto, barco pronto para singrar o lago da travessia...
Será como o mar? o mar que se descortina diuturnamente à minha frente, nos dias como o de hoje, sem vento, em que parece uma piscina?

Ou como nas noites calmas...
Aquelas em que flanamos nas asas da imaginação, sem preocupações outras que não a de flanar, tão somente?

Bem, o tempo está fechando...
O dia parece que irá terminar com chuva. 
Hoje só, sem as crianças...
Mas com elas na lembrança!










 









Até...
Um beijo!
 
 




2 comentários:

Elisabete B. disse...

Olhando a sua trepadeirazinha, atrevida e querendo atenção, vem-me o pesnsamento de que todos os seres, até mesmo as plantas,buscam espaços onde se sintam seguras e acalentadas. Buscam pessoas que, mesmo ocupadas e sem tempo estão lá para dirigir-lhes olhares e de quando em quando, um afago. Parece simples,afinal nada podem fazer, além de estarem ali a esperar que as vejam, que as toquem, que as sintam... e, muitas vezes, apenas ignoradas.

Anônimo disse...

Há um olhar que sabe discernir o certo que há no errado e o errado que pode existir no certo. Há um olhar que enxerga quando a obediência significa desrespeito e a desobediência representa respeito. Há um olhar que reconhece os curtos caminhos longos e os longos caminhos curtos. Há um olhar que desnuda, que não hesita em afirmar que existem fidelidades perversas e traições de grande lealdade. Este olhar é o da Alma