Archimedes, de tantas e tantas jornadas!
Te escrevo no dia das crianças, em mais uma tarde de Primavera!
Belos dias primaveris temos tido...
Tenho tido a alma leve com a resposta das minhas roseiras, as mudinhas feitas com carinho, afagadas, observadas, reagindo, oferecendo-se!
Estão em nova casa, transplantadas que foram! Resistem, buscando acomodação após o sofrimento causado pela mudança!
Afinal, qual filho aprecia deixar o calor da terra-mãe, útero, bolsa quentinha, proteção contra tudo e contra todos?
Mas a grande surpresa, o que chamou a atenção, que encantou, causou indagações mil não estava lá fora, mas dentro!
Veio sem ser convidada, sem ser cuidada! Apenas pelo esforço, pela necessidade de vida, de sobrevivência!
Veja as imagens!
O que pretende a trepadeirazinha desconhecida, que veio sem ser convidada e que faz de tudo para sobreviver?
Não parecem estar no ar à procura - desesperada - de um ponto de apoio, de uma salvaguarda, de um porto seguro?
Como uma alma, tal qual aranha, trepadeira, que larga seus fios ao acaso.... e que no acaso busca encontrar um apoio sólido para construir, firmar....
Veio-me à mente o que disse um poeta:
"WALT WHITMAN
Silenciosa aranha paciente – notei como
Em pequeno promontório
estava ela isolada,
Notei como explorava o vasto vazio que a
circundava:
Ia jogando, fio, fio,
fio
Tirados dela mesma, soltando-os sempre mais,
Incansável, fazendo-os
correr sempre.
E você, ó minha alma, onde é que está
cercada,
Separada, em
desmedidos oceanos do espaço,
Ininterruptamente ponderando, arriscando,
jogando,
Em busca de esferas
para ligá-las até que
Esteja construída a ponte de que irás
necessitar,
Até que esteja segura
a âncora dúctil,
Até que o fio de teia que lanças
Prenda-se em algum
lugar, ó minha alma!"
Ah! Archimedes...
Nas noites tranquilas, nas noites tenebrosas quando me debruço sobre o teclado e olho para o breu defronte minha janela sinto minh'alma se desprendendo e indo em busca de um ponto, de um promontório....
Ao longe o mar... Dificil não ouvi-lo na imensidão da noite, na escuridão que se descortina...
Até pareço perceber Caronte, no cais oculto, barco pronto para singrar o lago da travessia...
Ou como nas noites calmas...
Aquelas em que flanamos nas asas da imaginação, sem preocupações outras que não a de flanar, tão somente?
Bem, o tempo está fechando...
O dia parece que irá terminar com chuva.
Mas com elas na lembrança!
Até...
Um beijo!














