domingo, 27 de setembro de 2009

Archimedes...

Domingo modorrento, chuvoso...
Um dia "daqueles"...

Lembram tardes em que,
o pensamento, no
livre pensar, só pensar...
Vaga buscando a figura
da ninfa que das águas vem,
paira sobre elas,
tal libélula,
e se dirige ao probre
expectador, embevecido
pela beleza, pela candura...

Corpo mostrado por inteiro...
Sob finissima seda:
curvas, sinuosidades,
pontinhos sobre os seios,
segredos! Um terreno
a ser explorado, percorrido
como se perdido numa
encantada floresta...

Olhos brilhando,
vindo em minha direção,
cintilantes, cativantes:
nada por dizer!
O brilho deles tudo diz!

Procura-me, toma minhas mãos;
sinto-me eletrificado...
Sem poder falar, nada por dizer também:
apenas, extasiado, contemplo
a visão que se achega,
que se encosta...

Roça a minha face lívida:
um fugidio beijo!

Quando estendo meus braços
para enlaça-la,
abraço o vazio!!!

Foi-se.

Retomo minha atividade habitual,
sem saber se sonhei,
se tive uma premonição.

Domingo chato!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Boa noite Archimedes...

Chove, por aqui...
Chuva constante,
vento cortante...
Como a querer penetrar,
tentando encharcar
nossos corações!

Almas úmidas?
Túmidas?

Ah! retorno aos tempos de São Paulo, nas saídas às sextas, meia-noite!
Depois, a pensão próxima ao Mercado; rápido sono, um banho...
Noites no "Professorado", no "Badaró"...

Estou nostálgico Archimedes...
Pensando em musas antigas, distantes, imaginárias...
No romantismo sem causa, nas aspirações que foram vividas mil vezes...

Cometi algo, pensando nisso:



SENTIDOS, SENTIMENTOS....

Teus toques, teus sentidos
Tuas sensações...
Deslizam sobre mim, tal gotas de suor
Ou seria de lágrimas contidas
Por um antigo
Inesquecível amor?

Iniciado bem antes de nós,
Antes dos tempos,
Antes das ondas
Que batem na frente dos meus olhos.
Antes dos flores
Que os alegram
Dos pássaros que os encantam!

Teus lábios abertos
Dirigidos aos meus;
Teus braços estendidos
Em mim enlaçados,
Teu sexo, úmido
Ao meu ligado
Qual umbilical cordão,
Como querendo eterno ser,
Permanente, presente, a
Me lembrar da sensação,
do calor
Que sinto ao penetra-lo
com meu falo hirto
Nas tuas profundezas
Nas quais a minha língua,
Após sentir a tua,
Já se fez presente.

Tudo isso após
Uma simples visita
Pela escancarada janela:
Um olhar medroso,
Pungente, escancarado,
De puro desejo!"


Os passos ainda firmes são; a mente aberta, o corpo pulsante, a alma sempre ativa...
Alma, quem diria que a cultivariamos até aqui?
Tanto quanto nas noites das discussões intermináveis?

Archimedes, tua luz se espalha, espraia-se... Certamente hoje será melhor do que ontem e o amanhã melhor do que hoje...

TE vejo por aí...

Um beijo...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Boa noite Archimedes, caro Archimedes....

Me lembro, quando em viagem pela Escócia - e lá se vão mais de 10 anos - e ainda estavas conosco, de um cartão que até hoje guardo no meu baú de recordações e que para ti não enviei...

Sabe o que era? um belo copo de uísque! Isso Archimedes, apenas isso!
Como uma lembrança das tantas vezes em que nos limitamos a nos embebedar - se isso fazíamos - com os recursos proporcionados pelas nossas posses: cerveja e um conhaque vagabundo...

Guardei-o; não te mandei! Já sabia que estavas quase que no cais à espera de Caronte e seu barco...

Hoje, revirando as minhas coisas encontrei o cartão; limpo, sem nada anotado. Refletindo uma saudade e um significado que só a mim dizem.

Mas, não só disso vivemos, não é? Das saudades das coisas da alma, como diz Rubem Alves:

ALMA

.."Alma" é o nome do lugar onde se encontram esses pedações perdidos de nós mesmos. São partes do nosso corpo, como as pernas, os braços, o coração. Circulam em nosso sangue, estão misturados com os nossos músculos. Quando elas aparecem ol corpo se comove, ri, chora...
Para que servem elas? Para nada. Não são ferramentas. Não podem ser usadas. São inúteis. A alma é movida a saudade. A alma não tem o menor interesse no futuro. A saudade é uma coisa que fica andando pelo tempo passado à procura dos pedaços de nós mesmos que se perderam."

Mas, a minha, a tua, a nossa alma vão além... Além do que diz Rubem Alvez, relacionando-a com a saudade, fico encantado com o que tive aqui neste dias de feriado, com a presença do meu novo netinho, o Leonardo. Você, nas profundezas do Infinito já deve te-lo visto.

Não resisti, deixei o pensamento vagar e....


BOLOTA....


Esteve por aqui um anjo!
Na minha casa...
Olhos acesos, refletindo
Todo o amor que existe!
Deste e do outros mundos!
Dos pais e dos avós,
Das tias e dos tios,
De tantos quantos que
Se encantam, embevecidos
Ficam com o porte
Estampado ao longo
De apenas três,
Três meses!!

“Bolota”, dizem!
Bolinha, bolão, fofão!
Isso, tudo em ão!!
Leonardo, Leonardão!

Que traz no fundo dos olhos
A maravilha de um sorriso,
Que cala, profunda e
Eternamente marca!

Que nos diz que
Nos olhos de uma criança
Na face de uma criança:
Límpida, serena, imaculada,
Sem qualquer pecado ou
Sombra de culpa, se deposita
Todas as esperanças do mundo!!!!

Nesta, em especial,
Mas também em tantas quantas
Que unidas parecem nos indicar
Que os caminhos passam
Pela pureza delas,
Pelo encanto delas,
Pelo rastro cheiroso de amor
Amor apaixonante que deixam,
Marcando indelével
Sofridos corações!




Te chamam, com carinho:
Bolota!
Te chamo, com amor:

Esperança;
Paixão,
Tesouro,
Alegria dos
Meus olhos cansados,
Sofridos pela vista
Dos pecados mundanos,
Mas sequioso dos teus,
Da calma dos teus,
Da beleza dos teus,
Do lago pacifico,
Que é o teu olhar
Sem mácula!

Ah! Certamente Caronte
Atrasará sua vinda:
Permitirá que te pegue
Nos braços, vezes e vezes,
Que te ouça pronunciando
Meu nome,
“Avô”....
Tal qual ouvi, um dia
Teu pai, dizendo:
“Pai”...

Certamente Caronte
Permitirá que contigo
Role na terra, nos lambuzemos
No barro,
Nos encharquemos na água...
Que subas em mim,
Que rias comigo,
Que maltrates as minhas costas,
Que durmas nos meus braços,
Deixando em mim, cansado,
Toda a satisfação de te-lo
Tido, ainda que por momentos,
Junto ao coração,
Eternos momentos,
Totalmente felizes
Na emoção de um abraço,
De um beijo,
Que nunca terminam!!!!

Fpolis. 09.2009



Nada a dizer, nada a acrescentar...
Chove por aqui, pela janela do escritorio vejo as folhas molhadas refletindo a luz...
Vejo-a como benfazeja, não destruidora; como formadora de lagos serenos onde um dia nos encontraremos, nas noites de lua cheia, para apreciar o luz refletida em suas águas...

Até....