quinta-feira, 30 de junho de 2011

A LONGA AUSÊNCIA....

CARO ARCHIMEDES....

Desta vez exagerei.... Fiquei ausente por longo tempo. Um pouco com justificativas, mas na maior parte por preguiça, desinteresse, sei lá.

Tenho algumas novidades: primeiro uma viagem com a Marliese, um cruzeiro... Lisboa - Veneza, com passagens por Cartagena, Gibraltar,
pela Ilha de Malta, Split na Croácia e, finalmente, Veneza!!!
Quantas vezes nos imaginamos fazendo isso, lembra?

As coisas mudaram, é claro e com elas nós também. A viagem, porém, foi marcada por problemas de saúde. Em 1997, quando tirei férias e você estava com os problemas conhecidos, viajamos para o Reino Unido.... Eu estava com aqueles problemas de estômago de sempre... O que só foi corrigido com cirurgia.


Infelizmente, antes da  viagem os sintomas voltaram. Optei por refazer a cirurgia depois, na volta. Mas, curti, como não poderia deixar de ser! Sentiu, pelas fotos, não é?

Ah... o mar. Lembra-me, além do Fernando Pessoa, Cecília Meirelles:

"Muitas velas, muitos remos,
Âncora é outro falar...
Tempo que navegaremos não se pode calcular.
Vimos as Plêiades; vemos agora a Estrela Polar.
Muitas velas, muitos remos.
Curta vida. Longo mar."

Assim, entre uma indisposição e outra pudemos apreciar coisas que nos causam inveja, a nós brasileiros, como:
A beleza de Cartagena: o navio praticamente "entra" dentro da cidade! Uma região portuária limpa, sem bares, "muquifos", bordéis... Poucos metros de cais e se está na cidade de Cervantes!
Uma rua principal em mármore, sem prédios, sem automóveis, em mármore, acredita? Já desgastado pelo tempo, por tantos passos, por tantas pessoas que foram daqui para lá e de lá para cá...

Aqui em Florianópolis - malgrado uma ilha ser - estamos de costas para o mar: todas as iniciativas de favorecer o turismo via transatlânticos resultaram infrutiferas, principalmente pela dificuldade na obtenção de licenças ambientais. Não temos cais adequados para recebe-los, quem diria! 

Em Cartagena respira-se limpeza, cultura, saber.... Ah! Archimesdes: a visão do navio adentrando o porto, o mar tranquilo, tudo conduz à paz, ao reencontro consigo!

Hoje fico por aqui, mas amanhã continuamos.

Te deixo por aqui, já com saudades e com a visão dos meus tesouros...

Boa noite!

 

domingo, 13 de março de 2011

Caro Archimedes...

Eis-me aqui, num domingo de chuva...
Chuva e mais chuva, que tudo molha, encharca! Que o faça por fora, mas não nos corações!

Hoje, inclusive, li um texto que me fez refletir... Um leitor do jornal F.de São Paulo escreveu chamando a atenção para a quantidade de desastres naturais que têm acontecido. Não que eles naturais não sejam, como o próprio nome indica, mas a quantidade: inundações, terremotos, tsnunamis...

Algo para pensar num domingo chuvoso? 
Melhor falar de outras coisas, não acha?

Por exemplo: que tal continuar com aquela história da ENTRADA NO PARAÍSO? A que comentei contigo da última vez?
                                   Bosch: Jardim do Eden



Falava da necessidade de se obter uma certificação do cumprimento de todos os mandamentos e regras da religião professada pelo pretendente ao Paraíso... Questões como encontrar um tradutor oficial para que a linguagem fosse a mesma para todos e outros que tais... lembra? Vai daí que:

As piadinhas serão inevitáveis:

1.    A alma de um fiel ignorante que tenha dificuldade para encontrar a sua repartição celestial e que fique anos  vagando daqui para lá e de lá para cá... Seria isso o Purgatório?
2.    Falta de tradutores juramentados para atender a demanda. Obtido o certificado levar-se-ão anos (celestiais) para se obter a tradução...
3.    Isso sem contar com as greves freqüentes dos tradutores, pelo excesso de trabalho.
4.    Alguns fiéis estão advogando a necessidade de uma religião única!
5.    Já estão circulando noticias de passeatas de protesto das almas pela demora, tanto na expedição dos certificados, quando na sua tradução;
6.    A CPAP (Comissão Permanente de Assuntos do Paraíso) está em reunião, permanente para encontrar uma solução.
7.    Uma das sugestões em discussão foi a de se realizar uma eleição com a finalidade de se eleger um único Deus. Com isso teríamos soluções compartilhadas e que agradem a todos...
8.    Porém, consta que a comissão tem tido dificuldades para se reunir, por falta de quórum.
9.    Isso agravado pelo fato de que as reuniões têm que ter tradução simultânea, visto que, como dito, os representantes das diversas  religiões não falam a mesma língua!
10.          Consta que serão constituídas sub-comissões temáticas para analisar as divergências da comissão principal...
11.          E, tendo em vista a questão da eleição de Deus único, já está se prevendo a criação de Partidos Divinos. Uma das plataformas cogitadas pelos eventuais partidos é a Reforma Religiosa!
                                                                                               Bosch: Paraíso...                                  

Por esses e outros motivos alguns fiéis estão preferindo o Inferno, porque lá as coisas são mais fáceis. Não há a necessidade de certificados e outros que tais para adentrar: os porteiros aceitam qualquer um. Aliás, dizem que nem porteiro tem.



         Dizem, ainda, que a razão principal de o Inferno funcionar é o fato de ele ser privado, enquanto que o Paraíso é Público...
Vai que eles certos estão?
Delacroix: Odalisca....
 Será que trocariam o prometido, em algumas religiões, de belos jardins, mulheres e outras coisas...
(Bosch - Inferno)



Pelo "choro e ranger de dentes"?
Talvez seja o caso de esperar alguém que volta, para que possamos saber...










Talvez, quem sabe, você bem que poderia me dizer alguma coisa....


Beijos meu querido...
Espero voltar logo, com algo mais ameno. Algo como:


PARAÍSO – Jacob Hoehme (místico protestante): “... o paraíso foi perdido no exato momento em que os homens abandonaram a leveza brincalhona das crianças e optaram pela gravidade séria dos adultos.”

Retornar a elas, para, como diz A.Caieiro, em "Bolas de Sabão":

"As bolas de sabão que esta criança
Se entretem a largar de uma palhinha
São translucidamente uma filosofia toda.
Claras, inúteis e passageiras como a Natureza,
Amigas dos olhos como as coisas.
São aquilo que são
Com uma precisão redondinha e aérea,
E ninguém, nem mesmo a criança que a deixa,
Pretende mais que elas são, mais do que parecem ser."