quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O BOM FILHO À CASA TORNA.....

Boa noite Archimedes....


Como sempre tenho que desculpar, pela ausência... Mas, fazer o que?
Preguiça, principalmente!
Havia prometido continuar contando da viagem, do périplo... Enquanto isso as coisas foram acontecendo:
Visitas de anjinhos.... O que vc acha que o coração de um antigo andante, caminhante de vastas planicies, pradarias, cidades poderia fazer, a não ser ceder, prazerosamente ao encanto de coisas tão lindas?   


Além disso tenho tido visitas ilustres por aqui, como a Gabi, minha bela Gabilinda, como ela se autointitula, sobrinha neta, amadíssima! Daí me ocorre o que disse um filósofo, de há muito, com propriedade única:

           “O paraíso foi perdido no exato momento em que os homens   abandonaram a leveza brincalhona das crianças e optaram pela gravidade séria dos adultos.”

Daí, quando meus olhos deitam-se sobre as figurinhas, ah... Archimedes, vejo-me contigo nas tardes de pescaria em que, mais do que pescar o encanto estava em observar a calma do rio, a beleza dos remansos...
Os pássaros que cantavam a nossa volta, como a querer participar dos
momentos únicos de êxtase e contemplação...


"O paraíso é o lugar onde se sabe que a vida é uma brincadeira divina. Deus criou os homens para ter companheiros de brincadeira. O paraíso era uma brinquedoteca. Lá toda a beleza era alegre e risonha.
            A beleza paradisíaca é aquela que brota do corpo das crianças. E as crianças sabem que o propósito da vida é o brinquedo." (Rubem Alves)
            
            E que mais podemos querer? Quanto vale um sorriso,
um toque, uma pergunta:
           " - Vamos brincar, vovô?"
           " - Conta uma história, vovô?"

           Já inventei algumas, de improviso... para o Felipe, é claro! Os outros dois, o polaquinho querido, Lucas, e o Leonardo ainda não articulam.... Mas já pedem, já exigem, como convém!

E, como disse Alberto Caieiro:

“As bolas de sabão que esta criança
         Se entretém a largar de uma palhinha
        São translucidamente uma filosofia toda.
         Claras, inúteis e passageiras como a Natureza,
         Amiga dos olhos como as coisas.
        São aquilo que são
        Como uma precisão e aérea,
        E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa,
        Pretende que elas são mais do que parecem ser.”

        E assim, "la nave va"... 

        Ah! veja como é a Gabi, morena de todos os encantos, toda a sensibilidade, uma rara jóia nos mundos de hoje, que além vai da "tribos", das gangues...

        Como não se encantar?

"As crianças não pensam em Deus porque, para elas a vida é maravilhosa. Elas não sofrem daquela doença que faz sofrer os adultos e que se chama “falta de sentido para a vida”. Os adultos não se contentam em simplesmente viver o cotidiano. Eles querem razões. (R.Alves).
                                        “ A rosa não tem porquês.
                                        Ela floresce porque floresce.” (A.Silesius)

    Os sentimentos afloram,
    a saudade parece que quer,
    a todo custo, tudo fazer
    para que o espírito viaje,
    flua além do corpo,
    puro, como alma apenas!
    
    Realmente, estou sentimental ao extremo!

    Beijos meu querido, continuo te sentindo ao meu redor, me amparando, me orientando, me sussurrando...

   Até.....

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Grande Archimedes...

Há que se chama-lo assim porque a ausência foi exagerada....
Senti os teus toques, principalmente aqueles noturnos, determinando que mantivesse contato.

O normal nessas ocasiões é a procura de justificativas. Mas, como justificar-se para alguém que me acompanha diuturnamente? Que sabe de mim coisas que nem eu sei?


Que me protege, ampara, sugere...
Mas não consegue me trazer para cá tanto quanto quero e tu desejas...

Hoje aqui estou por razões especialissimas!
Lembra que te disse, tempos atrás, da minha inenção de realizar um roteiro de volta aos lugares por onde passei até aqui chegar... Voltar a Piraí do Sul, a Escola Rural, a Cambará...

Piraí... objeto de inúmeras gozações de tua parte!
Cambará, quando havia resolvido deixar os estudos de lado e ficar rico! Quem diria!
Quase casei com uma moça de lá, lembra?

Pois bem, fiz isso na semana passada.
Revi os lugares, mas a emoção foi limitada ao ver que, sem as pessoas, sem as sensações, sem os sentimentos, apenas vazios lugares que se descortinaram ao meu olhar.

Piraí do Sul, por exemplo, serviu para demonstrar o descaso governamental com a educação. Ambos os prédios onde estudei, o da Escola Rural e o do Ginásio, na cidade, estão abandonados! Completamente!
Ah... Voltarei logo, continuando. 

Sabe como a gente é... De vez em quando baixa uma melancolia!
Nesses últimos tempos têm me perseguido aqueles versos do Manuel Bandeira:

"O BICHO

Vi ontem um bicho
na imundície do pátio
catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
não examinava nem cheirava:
engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
não era um gato,
não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem!"

Triste, mas verdadeiro e atual...

Até...

Beijos, com uma "olhadinha" nos meus leitores diários... (rs)


sábado, 23 de outubro de 2010

MOMENTOS....

Caro Archimedes...

DIAS INCERTOS....

Como incerta tem sido a minha presença...
Fico a pensar, naquele livre pensar, só pensar, próprio dos que chegam até onde cheguei.
Este é um mês de aniversários: Dani, Rafa, pai do Lucas...


Polaquinho lindo, né?
Merecedor de uma miríade de loas, de odes amorosas...

Por que será, Archi, que temos tanta facilidade para dizer "EU TE AMO", para coisinhas como essa e, é claro, para muitas damas... e tão pouco para homens?

Já percebeu? Nos abraçamos, temos vontade de beijar, afagar e nos comportamos como se os sentimentos tivessem que ser abafados! Ah! mas eu assim não mais tenho feito! Tenho ido facilmente às demonstrações! Tal e qual nos relacionamos, fizemos...

Ora... Isso me remete a uma canção que falava do lado feminino dos homens! Todos o temos, mas reprimimos. Lembro-me de um livro que utilizava como referência naqueles cursos que ministrava com o meu pessoal da área de Planejamento: "POR QUE TENHO MEDO DE TE DIZER QUEM SOU".
Num dos cursos que ministrei e no qual tive a honra de te-lo como assistente, eu o mencionei... Meu exemplar se foi; deve estar em mãos que não sei, emprestado... Livros são relíquias! Alguns, como diz Rubem Alves, nos dão prazer: são lidos e descartados! Outros, nos dão alegria: penetram em nosso sangue, como uma injeção na veia, e dentro de nós permanecem!

Sempre são citados! Volta e meia a eles voltamos, revemos nossas anotações, decoramos citações! Que alegria! Que satisfação! Como as músicas também!

E, principalmente, pelos amigos! Não aqueles que apenas fazem parte de uma palavra pronunciada ocasionalmente; mas sim os que permanecem, os poucos, nos dedos contados! A alegria de reve-los, de senti-los, como te sinto! Todas as noites, ao deitar... Quando fecho os olhos, fantasio para esquecer das coisas do dia-a-dia e me concentro na imagem daqueles que caros me são!

Não só os presentes em físico, mas aqueles cujo espírito me rodeiam, me inspiram e me protegem!!!

Como vc sabe, estamos definindo o novo Presidente... Não mais voto. Vou ao lado aqui de casa e justifico. Desencantei-me.

Aliás, estou produzindo algo sobre o Poder... Depois te conto. Há um trecho do guru, Peter Drucker, num daqueles livros que só nos dão alegria (Uma Era de Descontinuidade):

"Zombar do poder só o torna mais opressivo. O poder precisa ser usado. É uma realidade. Se o decente e idealista atirar o poder à sarjeta, os moleques de rua o apanharão. Se o capaz e educado recusar-se a exercer o poder responsavelmente, os irresponsáveis e incompetentes tomam o lugar dos poderosos e os instrumentos do poder. O poder não utilizado para fins sociais, passa às pessoas que o exercem para seus próprios fins. Na melhor dqas hipóteses, o poder é tomado PELOS CARREIRISTAS, que são levados por sua própria timidez, À ARBITRARIEDADE, À AUTOCRACIA E À BUROCRACIA."

Ah, meu caro Archimedes!!! Usei isso como paradigma, durante longo tempo. Hoje estou desencantado!
Serve como discurso aos que vêm vindo, pelas estradas que já percorremos!
Deixo as coisas acontecerem - até certo ponto, é claro! - me afasto, omito..
A falta de ideologias definidas, representadas por partidos, a exclusiva, preocupação única de "carreiras políticas", sem ideologia, mas com as do momento, as de conveniência, me desiludiram...

 Um filósofo disse que:

      "....as pessoas, na sua infinita maioria, não sabe o que está acontecendo;
           numa minoria, sabe o que acontece;
           e uma infinita minoria, FAZ AS COISAS ACONTECEREM!"

Quem elege: a infinita minoria, lamentavelmente, que contenta-se com pão e circo....


Deizemos disso; fiquemos conosco....
Minha alma tem ido e vindo... Te citei o pessoal que faz aniversário em outubro... Não mencioneu o mano, o João, enterrado nos confins de Ponta Grossa, ás voltas com as suas amarguras, distante! Irei homenageá-lo, é claro...


E, no dia primeiro, este escriba, teu admirador, estará desfazendo anos... Pensei em escrever algo para mim!
O que diria? Que música colocaria de fundo? O que citaria, dos autores que me dão alegria?
Algo de Manuel Bandeira, de Augusto dos Anjos, de Fernando Pessoa e seus heterônimos? Adélia Prado? Rubem Alves? Ou será que existe alguém que não amo ainda porque não conheci?


Isso me remete à antiga valsa que dizia que "A vida é curta para tanto amor"...
Por isso, sem pejo, sem vergonha e com a sinceridade única entre amigos: TE AMO!!!!




Beijos meu querido.....