terça-feira, 30 de novembro de 2010

Grande Archimedes...

Há que se chama-lo assim porque a ausência foi exagerada....
Senti os teus toques, principalmente aqueles noturnos, determinando que mantivesse contato.

O normal nessas ocasiões é a procura de justificativas. Mas, como justificar-se para alguém que me acompanha diuturnamente? Que sabe de mim coisas que nem eu sei?


Que me protege, ampara, sugere...
Mas não consegue me trazer para cá tanto quanto quero e tu desejas...

Hoje aqui estou por razões especialissimas!
Lembra que te disse, tempos atrás, da minha inenção de realizar um roteiro de volta aos lugares por onde passei até aqui chegar... Voltar a Piraí do Sul, a Escola Rural, a Cambará...

Piraí... objeto de inúmeras gozações de tua parte!
Cambará, quando havia resolvido deixar os estudos de lado e ficar rico! Quem diria!
Quase casei com uma moça de lá, lembra?

Pois bem, fiz isso na semana passada.
Revi os lugares, mas a emoção foi limitada ao ver que, sem as pessoas, sem as sensações, sem os sentimentos, apenas vazios lugares que se descortinaram ao meu olhar.

Piraí do Sul, por exemplo, serviu para demonstrar o descaso governamental com a educação. Ambos os prédios onde estudei, o da Escola Rural e o do Ginásio, na cidade, estão abandonados! Completamente!
Ah... Voltarei logo, continuando. 

Sabe como a gente é... De vez em quando baixa uma melancolia!
Nesses últimos tempos têm me perseguido aqueles versos do Manuel Bandeira:

"O BICHO

Vi ontem um bicho
na imundície do pátio
catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
não examinava nem cheirava:
engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
não era um gato,
não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem!"

Triste, mas verdadeiro e atual...

Até...

Beijos, com uma "olhadinha" nos meus leitores diários... (rs)


sábado, 23 de outubro de 2010

MOMENTOS....

Caro Archimedes...

DIAS INCERTOS....

Como incerta tem sido a minha presença...
Fico a pensar, naquele livre pensar, só pensar, próprio dos que chegam até onde cheguei.
Este é um mês de aniversários: Dani, Rafa, pai do Lucas...


Polaquinho lindo, né?
Merecedor de uma miríade de loas, de odes amorosas...

Por que será, Archi, que temos tanta facilidade para dizer "EU TE AMO", para coisinhas como essa e, é claro, para muitas damas... e tão pouco para homens?

Já percebeu? Nos abraçamos, temos vontade de beijar, afagar e nos comportamos como se os sentimentos tivessem que ser abafados! Ah! mas eu assim não mais tenho feito! Tenho ido facilmente às demonstrações! Tal e qual nos relacionamos, fizemos...

Ora... Isso me remete a uma canção que falava do lado feminino dos homens! Todos o temos, mas reprimimos. Lembro-me de um livro que utilizava como referência naqueles cursos que ministrava com o meu pessoal da área de Planejamento: "POR QUE TENHO MEDO DE TE DIZER QUEM SOU".
Num dos cursos que ministrei e no qual tive a honra de te-lo como assistente, eu o mencionei... Meu exemplar se foi; deve estar em mãos que não sei, emprestado... Livros são relíquias! Alguns, como diz Rubem Alves, nos dão prazer: são lidos e descartados! Outros, nos dão alegria: penetram em nosso sangue, como uma injeção na veia, e dentro de nós permanecem!

Sempre são citados! Volta e meia a eles voltamos, revemos nossas anotações, decoramos citações! Que alegria! Que satisfação! Como as músicas também!

E, principalmente, pelos amigos! Não aqueles que apenas fazem parte de uma palavra pronunciada ocasionalmente; mas sim os que permanecem, os poucos, nos dedos contados! A alegria de reve-los, de senti-los, como te sinto! Todas as noites, ao deitar... Quando fecho os olhos, fantasio para esquecer das coisas do dia-a-dia e me concentro na imagem daqueles que caros me são!

Não só os presentes em físico, mas aqueles cujo espírito me rodeiam, me inspiram e me protegem!!!

Como vc sabe, estamos definindo o novo Presidente... Não mais voto. Vou ao lado aqui de casa e justifico. Desencantei-me.

Aliás, estou produzindo algo sobre o Poder... Depois te conto. Há um trecho do guru, Peter Drucker, num daqueles livros que só nos dão alegria (Uma Era de Descontinuidade):

"Zombar do poder só o torna mais opressivo. O poder precisa ser usado. É uma realidade. Se o decente e idealista atirar o poder à sarjeta, os moleques de rua o apanharão. Se o capaz e educado recusar-se a exercer o poder responsavelmente, os irresponsáveis e incompetentes tomam o lugar dos poderosos e os instrumentos do poder. O poder não utilizado para fins sociais, passa às pessoas que o exercem para seus próprios fins. Na melhor dqas hipóteses, o poder é tomado PELOS CARREIRISTAS, que são levados por sua própria timidez, À ARBITRARIEDADE, À AUTOCRACIA E À BUROCRACIA."

Ah, meu caro Archimedes!!! Usei isso como paradigma, durante longo tempo. Hoje estou desencantado!
Serve como discurso aos que vêm vindo, pelas estradas que já percorremos!
Deixo as coisas acontecerem - até certo ponto, é claro! - me afasto, omito..
A falta de ideologias definidas, representadas por partidos, a exclusiva, preocupação única de "carreiras políticas", sem ideologia, mas com as do momento, as de conveniência, me desiludiram...

 Um filósofo disse que:

      "....as pessoas, na sua infinita maioria, não sabe o que está acontecendo;
           numa minoria, sabe o que acontece;
           e uma infinita minoria, FAZ AS COISAS ACONTECEREM!"

Quem elege: a infinita minoria, lamentavelmente, que contenta-se com pão e circo....


Deizemos disso; fiquemos conosco....
Minha alma tem ido e vindo... Te citei o pessoal que faz aniversário em outubro... Não mencioneu o mano, o João, enterrado nos confins de Ponta Grossa, ás voltas com as suas amarguras, distante! Irei homenageá-lo, é claro...


E, no dia primeiro, este escriba, teu admirador, estará desfazendo anos... Pensei em escrever algo para mim!
O que diria? Que música colocaria de fundo? O que citaria, dos autores que me dão alegria?
Algo de Manuel Bandeira, de Augusto dos Anjos, de Fernando Pessoa e seus heterônimos? Adélia Prado? Rubem Alves? Ou será que existe alguém que não amo ainda porque não conheci?


Isso me remete à antiga valsa que dizia que "A vida é curta para tanto amor"...
Por isso, sem pejo, sem vergonha e com a sinceridade única entre amigos: TE AMO!!!!




Beijos meu querido.....

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

UM DIA DO COTIDIANO...





BOAS TARDES ARCHIMEDES....
E EIS QUE AQUI ESTAMOS, NOVAMENTE...
DESTA VEZ....




ESCRITOS, DOS TEMPOS DE ARCHIMEDES...                                                                                                                    
LEMBRA DESTE?

                                     UM DIA DO COTIDIANO

                      
                                                                           Como são belos dias, 
                                                                  Do despertar da existência,
                                                                  Respira a alma inocência,
                                                                  Como perfumes a flor (C.de Abreu).


“UM DIA, NESTES EM QUE POUCO OU NADA SE TEM A FAZER,
(Senão olhar para o passado das nossas angústias)
QUEDEI-ME AO CREPÚSCULO.
FIQUEI A OBSERVAR A ALMA PENADA DOS MEUS SONHOS
(Se é que ela existe)
A VAGAR NA IMENSIDÃO DOS CÉUS
(Confundindo-se com as cores do poente).

LANÇOU-SE A ETÉREA FIGURA CONTRA O VENTO, AO DESESPERO,
BRINCOU COM AS NUVENS,
(Que a fecharam em seu abraço fugaz)
MIROU-SE NO ESPELHO DAS GOTAS DE CHUVA;
TENTOU COM A ÁGUA LIMPAR AS MÁCULAS DE SUA PENUGEM,
QUE JÁ FOI BRANCA, E QUE JÁ MAIS NÃO É PORQUE
AS AGRURAS DAS ILUSÕES,
MANCHARAM-NA, TIRARAM-LHE O BRILHO.






DESANIMA, FICA PENSATIVA, ABSORTA. PROCURA ANTEVER, NO PASSADO,
A IMAGEM DO QUE JÁ FOI: PURA, LÍMPIDA, INOCENTE,
LIVRE DO DESESPERO E DAS INQUIETAÇÕES DO MUNDO AGRESTE.

POBRE ALMA!!!   PUDESSE EU, COM A MÃO DO DESTINO,
RECOLHER AS NUVENS QUE PASSAM,
PARECENDO AS MAIS BIZARRAS FORMAS
(Sobretudo brancos carneirinhos)

REUNI-LAS NUM ÚNICO REBANHO E, COM ELAS,
ACOLCHOAR O MEU SONO,
RECEPTÁCULO DAS SUAS DIVAGAÇÕES.

OU SERÁ QUE NÃO SABIAM QUE EU ELA UNIDOS ESTAMOS,
NESTA VIDA E NA OUTRA?

POBRE ALMA!!!   AS INCERTEZAS TRANSFORMARAM SUA APARÊNCIA,
E AS DECEPÇÕES TORNARAM-NA FRIA, INQUIETA, DESCONFIADA,
E, ÀS VEZES, ATÉ MÁ.... E CRUEL!!!

NEM MAIS LEMBRA DA VENTURA DA INFÂNCIA,
NEM MAIS LEMBRA DO AR ANGELICAL NUM ROSTO DE CRIANÇA





TUDO ISSO A ESPONJA DO MUNDO APAGOU. FECHARAM-SE AS PORTAS
DA INGENUIDADE. A RUDE REALIDADE, COM SUAS MÃOS CALOSAS,
E SUA BOCA ÁVIDA, FOGO BRILHANTE, QUEIMOU SUAS ÚLTIMAS ESPERANÇAS!

CUIDADO!!!  INÚMEROS MONSTROS VAGAM PELO  ACASO;
SINGRAM OS ARES À PROCURA DE ALMAS INOCENTES:
CARNICEIROS DE ESPERANÇAS!!!

AINDA QUE, DE INOCÊNCIA, NADA MAIS TENHA,
NÃO SE DEIXE BATER CONTRA ESSES OBSTÁCULOS MEDONHOS;
JÁ ESTÁ BASTANTE ALQUEBRADO O ÂNIMO,
E NÃO MAIS SUPORTARIA O ARDOR DE NOVAS LUTAS
O DESESPERO TOMA CONTA DOS SENTIDOS....


 
REFLITO: ONDE, AFINAL, ESTÁ AQUELA FELICIDADE PROMETIDA?
LEMBRA-SE DE QUANDO SONHÁVAMOS, COM NOSSOS SONHOS PUROS E JOVENS,
NUMA MENTE INFANTIL?
JÁ SE ESQUECEU DAS PROMESSAS FUGAZES,
QUE A ILUSÃO PROPORCIONOU AO CORAÇÃO
ANSIOSO DE VER REALIZADAS SUAS ASPIRAÇÕES?

MAS ELA NADA RESPONDE.
QUEDA SILENCIOSA, NO SEU MUTISMO IMPERSCRUTÁVEL.
E ROMPE A IMAGEM DA MINHA VISÃO,
CONFUNDINDO-SE COM A NOITE QUE TOLDA A MATIZ DO CREPÚSCULO,
COM O SEU NEGRO PINCEL...


 
DEBALDE A BUSCO, NO INFINITO NEGROR!
MEUS OLHOS SE CANSAM DE OBSERVAR O AR.

A ANGÚSTIA VOLTA À MINHA MENTE, E
A DOR SE APOSSA DO MEU CORAÇÃO!

CHEGA!
JÁ SOU BASTANTE CRESCIDO PARA ACREDITAR
QUE ESSAS COISAS PODEM SER VISTAS.
CONFORMADO COM A MINHA SINA
ADENTRO À CASA, PENSANDO NOS PROBLEMAS
DO DIA DE AMANHÃ...
PENSANDO EM TUDO QUE PODERIA
TER FEITO HOJE...
E QUE NÃO FIZ!
TUDO DEVIDO A ESTA DESGRAÇADA PREGUIÇA.

AMANHÃ TENHO QUE LEVANTAR CEDO!!!!!

CURITIBA, INVERNO DE 1.967.


E como diz o mestre:

                    De uma só vez recolhe
                    As flores que puderes.
         Não dura mais que até a noite o dia
                   Colhe do que lembrares.

                   A vida é pouca e cerca-a
                   A sombra e o sem remédio.
        Não temos regras que compreendamos,
                  Súditos sem governo.

                 Goza este dia como
                 Se a Vida fosse nele.
        Homens nem deuses fadam, nem destinam
                Senão quem ignoramos."

                                                                      (F.Pessoa, na pela de Ricardo Reis)

Te saúdo, saudoso, caro Archimedes...

Beijos e....

Até...........................